Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010

Mais um PIDDAC que empobrece o Alentejo.

 

Vivemos numa região que compreende quase um terço do território nacional, mas que representa pouco mais de 5% da população portuguesa. Estamos a falar de muito território para pouca gente. Infelizmente, apesar da concretização de alguns projectos de investimento, não se tem conseguido alterar esta situação, antes pelo contrário, o Alentejo continua a perder a maior das suas riquezas: as suas gentes.
Este é um assunto muito debatido, do qual se conhecem grande parte das suas causas e das consequências que lhes estão associadas. Mas também é sabido que, existindo projectos adequados e estratégicos para a região ou para algumas das suas comunidades, é possível modificar e inverter esta tendência. Na realidade, há muito que se deveria estar a corrigir esta situação, mas infelizmente, vamos continuando a insistir nos mesmos erros, ou seja, continuando a promover insistentemente um mau modelo de desenvolvimento.
Uma coisa é certa, para além da falta de estratégia, não é possível ao Alentejo competir com outras regiões, principalmente quando continua a estar sujeito a índices de investimento substancialmente inferiores aos das outras regiões do País, nomeadamente quando comparado com o Litoral. Aliás, estes graves desajustamentos têm provocado um consequente agravamento das assimetrias regionais.
Desde longa data, nomeadamente quando olhamos para os primeiros três Quadros Comunitários de Apoio (QÇA), vimos as regiões mais ricas a beneficiarem directamente das regiões mais pobres. Na prática, Lisboa e Vale do Tejo, tal como o Litoral Centro e Norte, beneficiaram de apoios comunitários e nacionais graças às regiões altamente debilitadas (regiões objectivo I), como é o caso do Alentejo. Significa que muitos dos investimentos que foram canalizados para as regiões mais ricas, foram concretizados de uma forma desproporcional quando comparados com os realizados nas regiões mais pobres. Ainda por cima às suas custas.
Também no presente, em relação ao QREN - Quadro de Referência Estratégico Nacional e ao PRODER – Programa de Desenvolvimento Rural, estamos a viver uma situação semelhante, onde os investimentos na região continuam sem se fazer sentir e sem quaisquer efeitos ao nível da alteração do modelo de desenvolvimento regional. Em vez de ganharmos competitividade face a outras regiões mais ricas, continuamos a perdê-la. Na prática, os grandes investimentos continuam a ser perspectivados para as zonas mais ricas do País, em vez de se apostar na correcção dos grandes desequilíbrios regionais existentes.
Se olharmos para os PIDDAC´s ao longo destes anos, a situação é alarmante, o Alentejo e todo o interior agravaram significativamente a sua competitividade. O País tem insistido em investir brutalmente nas zonas mais povoadas. É claro que ao perdurar este tipo de modelo, significa que as regiões mais ricas vão ficar ainda mais reforçadas, atraindo mais pessoas. Este é um ciclo vicioso, onde as pessoas “correm” para onde há investimento, porque é aí que está o emprego. Por outro lado, as cidades do Litoral têm cada vez mais pessoas, significa que a qualidade de vida diminui, logo têm necessidade de mais e mais investimento.
Este é um ciclo vicioso e complexo, que é altamente prejudicial para o País a médio e longo prazo. Imagine-se um navio, onde toda a tripulação e carga vão para a proa, o mais natural é não se aguentar à tona de água. É o que estamos a deixar acontecer ao nosso País.
Para 2010, o PIDDAC para o Alentejo é uma desgraça. O montante global destinado à região é uma insignificância perante o valor nacional, significa que mais uma vez estamos a ser penalizados perante as regiões mais ricas. Pior que isso tudo, o Alentejo perde face a 2009, enquanto que Lisboa continua a aumentar. Isto cabe na cabeça de alguém?
Se estamos a pensar na criação de emprego através destes investimentos públicos, então a situação é mais dramática, isto porque o Alentejo é uma região com uma taxa de desemprego superior à média nacional. Então o que fazer? Os nossos responsáveis regionais dos diferentes órgãos e organismos desconcentrados do Estado devem “fechar os olhos” a esta situação? Os nossos autarcas devem permitir este laissez-faire, laissez-passer? E a nossa população?
Se estamos a pensar em melhorar os nossos serviços regionais, o melhor “é tirar o cavalinho da chuva”, porque isso não vai acontecer. O Hospital Regional em Évora, mais uma vez vai ser abandonado. A construção e melhoria de Centros de Saúde, mais uma vez vão ser adiadas. A construção do IC 33 não passa de uma miragem. A criação das variantes em Vendas Novas e Montemor-o-Novo, evitando a passagem de resíduos perigosos naquelas cidades, mais uma vez não vão ser concretizadas. A recuperação de muito do nosso património histórico vai continuar de fora. Muito investimento importante não vai ser concretizado pelo PIDDAC.
É certo que devemos ser solidários com a situação económica e financeira do País em que o País se encontra, mas isso não deverá ser feito por e à custa de todos?
Continuar nesta lógica, é adiar a região Alentejo. Significa que a nossa recuperação vai ser cada vez mais difícil. Espero bem, estar enganado.
 
António Costa da Silva
Publicado no nº 91 do
 
publicado por alcacovas às 16:21
De peixebanana a 19 de Fevereiro de 2010 às 17:12
E um dia que não será muito longinquo, que até pode ser já amanhã, um abstado Lisboeta comprará mais um monte Alentejano, onde fará obras com o pouco dinheiro comunitario que por aqui aparece e na inauguração de mais uma requintada unidade hoteleira de dois quartos e casa de banho, não prescindirá de um casal de alentejanos em traje domingueiro á porta de entrada.
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