Terça-feira, 16 de Maio de 2006

Fechar maternidades ou fechar o interior?

Temos assistido, nos últimos dias/semanas, a uma discussão acesa sobre o encerramento de várias maternidades pelo país fora, mas sobretudo nas regiões do interior, como no Alentejo.

O Ministro justifica a medida com razões técnicas e económicas. Que as maternidades condenadas não têm condições para garantir os níveis de segurança indispensáveis às parturientes, etc. Penso que o Ministro tem razão.

Mas muita gente, desde políticos da oposição até aos habitantes das zonas onde as maternidades existentes serão eliminadas, contestam a decisão governamental. E aqui a minha reacção é mais complexa, pois é simultaneamente de desacordo e de concordância.

Só que esta se coloca, na minha opinião, num plano mais abrangente. Para mim fecharem as tais maternidades é uma medida correcta num sistema que vem, de há muitos anos, a apoiar, incentivar e até forçar a centralização dos poderes, no sentido mais amplo da palavra, no litoral e sobretudo na zona da grande Lisboa.

O fechar escolas, maternidades, postos da GNR, estações de comboios e de correios, centros de saúde e cinemas é o reflexo de uma política que, metódica e persistentemente, tem agravado e acentuado o carácter periférico das regiões interiores e a sua desertificação humana e geográfica.    

E chegamos a um ponto em que até aceitamos decisões como a do fecho de algumas maternidades. É a lógica irrefutável de uma situação insuportável gerada por anos e anos de abandono. Porque a questão que deveríamos discutir é apenas uma: como devolver a vida ao nosso interior, desde Trás-os-Montes até ao Alentejo?

Com mais população, com mais desenvolvimento, com mais poder local, com mais meios,  então em vez de se fecharem maternidades e escolas, teriam que se melhorar, ampliar, as existentes e até criar novas.

Porque é que Badajoz, por exemplo, tem serviços capazes de suprirem as necessidades dos seus habitantes e ainda de outros de cidades/vilas de um país que não é o deles? E Badajoz está muito mais lonje de Madrid do que Elvas está de Lisboa.

A luta aqui no Alentejo, como em todo o interior, tem que se centrar na mudança, radical, de um sistema que cria "monstruosidades ", esvaziando a maior parte do país. As grandes áreas urbanas de Lisboa, sobretudo, do Porto e da faixa litoral entre aqueles dois pólos  secam (ou fecham) a vida do interior.

As panaceias que os Governos, de diversas cores, aplicam num interior moribundo não resolvem o problema. É evidente, consensual, para quem vive longe de Lisboa, que o nosso poder é demasiado fraco para ser ouvido com respeito pelos Governos CENTRAIS (náo estou a falar de partidos).

O Alentejo tem menos votantes do que 2 ou 3 concelhos da área metropolitana de Lisboa (Loures, Amadora e Cascais, por exemplo).

Portanto a questão é de forças e não de equilíbrios.

 AC

publicado por alcacovas às 16:18
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