Sábado, 31 de Outubro de 2009

Desemprego - Uma visão Nacional

 
O debate sobre o desemprego é algo constante e que não terminará com as soluções do partido A ou do partido B. Isto porque tendo os partidos tem uma matriz social indexada às suas políticas de emprego, fará que existam sempre facções da sociedade descontentes.
 
Segundo os dados do INE o desemprego em Portugal em Setembro de 2009 era de 9,2%. Mas será que estes 9,2% representam a população activa portuguesa que está desempregada involuntariamente, ou seja, quer um trabalho seja ele qual for e não o encontra? Não! Mas mais em baixo voltaremos a este tema.
 
É necessários termos a noção que numa economia existirá sempre desemprego, isto porque, ao longo do tempo a economia (mesmo quando se encontram com tendências de pleno emprego, sendo a taxa de desemprego em pleno emprego técnico em Portugal de 4%, ou seja, mesmo com a economia a funcionar em pleno existiram sempre 4% da população activa portuguesa que estará no desemprego) para criar e destruir emprego. Está criação e destruição de emprego é contínua e necessária para o avanço de qualquer economia em qualquer parte do mundo.
 
Vejamos, quando a economia destrói empregos, não está a destruir os necessários ao seu funcionamento, está sim a destruir empregos que já não são necessários e como tal o aparelho produtivo nacional deixa de necessitar deles e a consequência disso é o seu desaparecimento a curto ou médio prazo. Por outro lado, sempre que a economia está a criar emprego, cria de acordo com as suas necessidades sendo que com a evolução criará sempre postos de trabalho mais exigentes. Muitas das vezes o desemprego que existe numa economia resulta do gap de tempo entre a criação dos novos empregos e a criação de competências por parte das pessoas para os assumirem. Creio que em Portugal vivemos um período idêntico a este, a economia está a modernizar-se a um ritmo mais elevado que os portugueses adquirem competências para os postos de trabalho que a economia lhe oferece.
 
Quando se fala de desemprego é bom que tenhamos sempre bem presentes dois conceitos:
 
- Desemprego Friccional
- Desemprego Estrutural
 
O desemprego friccional corresponde ao desemprego voluntário, ou seja, é constituído por pessoas que tendo o seu posto de trabalho o abandonam para procurar um mais adequado às suas qualificações e aptidões profissionais. Ora quando estamos a olhar para os dados do INE é importante ter em conta que dos 9,2% existe uma % não divulgada pelo INE que corresponde ao desemprego friccional.
O desemprego Estrutural representa o desemprego involuntário, sendo este não desejável para a economia. Segundo a teoria macroeconómica o desemprego estrutural é essencialmente provocado pela rigidez salarial, isto porque os salários tendem a estar em níveis acima do nível de equilíbrio do mercado de trabalho.
 
Acredito que o desemprego em Portugal resulta essencialmente de dois factores:
 
1) Crise dos mercados financeiros;
2) Reestruturação da Economia
 
1)    Crise dos mercados financeiros
Influência o desemprego em Portugal devido às altas taxas de juro que as empresas encontram no mercado bancário para financiarem as suas necessidades de capital. Sendo que muitas delas não conseguem aceder ao financiamento e acabam por fechar as portas, a consequência desse fechar de portas para a sociedade é o aumento das taxas de desemprego.
 
2)    Reestruturação da economia
A crise financeira, e as suas consequências nos mercados internacionais, teve como principal efeito uma selecção natural das empresas. Por norma eu divido estas empresas em dois grandes grupos:
- As que têm condições para continuar, mesmo que para continuar em actividade tenham de aplicar politicas de contenção orçamental;
- As que antes da crise já estavam em dificuldades e se encontram obsoletas, estas foram apanhadas na selecção natural e inevitavelmente fecharam as suas portas, despedindo pessoas. Mas por outro lado a economia avança pois estas deixaram de receber subsídios estatais para produzir de forma ineficaz e que já não se adaptava às necessidades do país ou dos mercados para onde exportavam.
 
Por todos os motivos em cima referidos, é minha convicção que o desemprego actual é resultado da adaptação da economia nacional a novas exigências, como tal acredito que no curto/médio prazo as politicas postas em prática darão os seus frutos.
 
 
Ricardo Miguel Vinagre
publicado por alcacovas às 12:27
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2 comentários:
De alcacovas a 1 de Novembro de 2009 às 23:10
Gostei de ler, mas (há sempre um mas) podia ser mais claro e, nalguns pontos, mais aprofundado.
Caso do desemprego estrutural versus avanços tecnológicos, deslocações efeito da globalização, etc.
Quanto à restruturação da economia poderia falar-se também dos efeitos da globalização.
Mas no caso deste post o que foi dito é importante e, em tão pouco espaço, seria difícil ir mais longe.
Mas fica um desafio: continua a escrever sob este tema que é a matriz desta (e de quase todas) as crises.
AC
De Zé da Burra o Alentejano a 3 de Novembro de 2009 às 10:23
...e eu tenho uma teoria diferente sobre o desemprego que nos atinge, a nós e ao ocidente em geral, então aí vai:
Todos os dias ouvimos falar de empresas que fecham (enquanto não chega a nossa vez): ou porque não resitem à concorrência dos produtos vindos do oriente ou porque se estão a deslocalizar para essas zonas. Na realidade, a globalização, tal como foi concebida, vai determinar a derrocada económica do ocidente que passará para segundo plano e será ultrapassado pelas as novas superpotências que a globalização ajudou a criar: a China, a Índia e outros países.
O Ocidente caiu na armadilha da globalização que interessava às grandes Companhias que pretendiam aproveitar-se dos baixos custos de produção no oriente. Todos sabem que o custo da mão de obra é insignificante no valor dos bens aí produzidos, em virtude dos baixos salários e da inexistência de quaisquer obrigações sociais. Como os bens produzidos se destinavam è exportação para o ocidente, como o ocidente perde poder de compra, a crise acaba por tocar também as novas potências, mas a crise nesses países é e será sempre um menor crescimento económico: há poucos anos era de dois dígitos e agora deverá ficar-se por 6 ou 7%, mas a isso não se poderá chamar de “crise”.
Os países ocidentais perderam a aposta quando aceitaram a actual "globalização selvagem" sem exigirem aos países do oriente que prestassem às suas populações melhores condições sociais, como: regras laborais justas, melhores salários, menos horas e menos dias de trabalho, férias anuais pagas, assistência na infância, na saúde e na velhice. A única alternativa será a de nivelar os salários e as condições sociais no ocidente pelas do oriente e é a isso que estamos a assistir neste momento, enquanto algumas empresas não resistem à concorrência e fecham as portas para sempre, outras estão a deslocar-se para a China ou para a Índia para assegurar a sua própria sobrevivência o que provocará o definhar da economia ocidental e obviamente o desemprego. Quanto aos trabalhadores, será que depois do razoável nível social que atingiram vão aceitar trabalhar a troco de um ou dois quilos de arroz por dia sem direito a descanso semanal, sem férias, sem reforma na velhice, etc...? Não! por isso o ocidente está já a iniciar um penoso caminhar em direcção ao caos: a indigência e o crime mais ou menos violentos irão crescer e atingir níveis inimagináveis apenas vistos em filmes de ficção que nos põem à beira do fim dos tempos como consta nos escritos bíblicos. Para icentivar a não deslocalização de empresas para oriente estão a ser-lhes dadas facilidades fiscais e reduções nas contribuições para a Segurança Social que será paga cada vez mais pelos assalariados e pelos pequenos comerciantes e industriais que não têm dimensão para se deslocalizarem. A medida será infrutífera, mas a Segurança Social ficará cada vez em pior situação para responder às necessidades crescentes de apoio ao desemprego.
Um dia tudo irá estabilizar mas o centro do mundo económico será nas novas economias do oriente e a época áurea do ocidente pertencerá ao passado. Em breve, as ruas encher-se-ão, por cá, de grupos de salteadores desesperados, sobrevivendo à custa do saque. Regressaremos a uma nova “Idade Média”, se é que poderei chamar assim: A classe média desaparecerá e existirão uns (poucos) muito ricos, alguns à custa do crime violento e/ou económico, e que habitarão autênticas fortalezas protegidas por todo o tipo de protecções, e que apenas sairão rodeados por guarda-costas dispostos a matar ou a morrer pelo seu “senhor”; haverá, em simultâneo, uma enorme mole de gente desesperada de mendigos e de salteadores que lutam pela sobrevivência a todo o custo e cuja protecção apenas poderá ser conseguida agrupando-se, pois as ruas serão dominadas pelos marginais, ficando as polícias confinadas aos seus espaços próprios e reservadas para reprimir as “explosões” sociais que possam surgir.
PS e PSD são os dois fiéis representantes em Portugal desta política de "Globalização", por isso não podem enjeitar os resultados que estão a surgir.

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Publicado por:

André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

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