Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Saramago, religiões e liberdades

Têm tanto direito a indignarem-se quer o Fabi, quer o Ricardo. Tanto direito como o Saramago tem de dizer e assumir o que diz.

Felizmente para ele que já não é tempo de inquisição e que o Livro atacado não é o Alcorão.

Hoje ouvi na rádio uma senhora, representante ou porta-voz da comunidade judaica em Portugal que, respondendo a uma pergunta do jornalista, disse não se sentir nem chocada, nem ofendida. Que o Sr. Saramago estava no seu direito de dizer o que que queria. O que, me pareceu, ser o mesmo que dizer que as palavras dele não mudavam nada.

Cá entre nós deixo uma pergunta: porque é que o Fabi e o Ricardo não se podem considerar chocados e até ofendidos?

Como é que o Sr. Saramago defende o que escreveu (ficção)? Fez investigação, estudou a fundo algo que é discutido há ilhares de anos sem respostas concludentes?

Uns acreditam, outros não. Quem tem razão? Porque razão se ofendem sentimentos e crenças, mesmo que não acreditemos nelas?

Porque é que o Homem desde sempre procurou Deus (seja Ele o que for)?

Eu não sou crente, mas respeito os outros que o são.

Suponham que eu não sou português e tenho outra religião. Poderei dizer que o primeiro rei de Portugal era um aventureiro, assassino, ladrão e mentiroso sem provocar uma reacção dos portugueses?

O que o livro em causa diz e "assegura" nada muda quanto à religião. Talvez faça aumentar as vendas do Caim.

E fica só mais uma pergunta: porque é que os comunistas, quando poder, procuram de imediato reprimir e extinguir a religião?

O Sr. Saramago parece ser mais do que ateu, ser contra a religião em geral (e o tal 1º Testamento é um livro sagrado para judeus, cristãos e até muçulmanos).

Mas a liberdade é sagrada, prezo a liberdade assumindo responsabilidades e limites, mas esses condicionalismos são meus e nada tenho a dizer contra a Sr. Saramago, que admiro como escritor.

Mas não posso deixar de compreender e respeitar os sentimentos de quem se sentiu ofendido e molestado.

AC

publicado por alcacovas às 18:57
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3 comentários:
De alcacovas a 19 de Outubro de 2009 às 22:02
As palavras de Saramago ao pé das milhares de pessoas mortas em guerras e perseguições santas, "em nome de deus", não me chocam minimamente. Posso até compreender que se firam susceptibilidades, e respeito quem se sinta ofendido com o questionar da divindade da igreja, mas não posso deixar de considerar que a igreja goza de uma protecção que me parece algo injusta, criada por ela própria. Se se põem em causa os fundamentos da igreja, ou se se questiona o seu funcionamento, a sua origem, "valha-nos cristo que os céus dencem à terra".. dos políticos e governantes dizem cobras e lagartos, são ofendidos de tudo. mas valha-nos deus duvidar dumas palavras desse tão controverso livro que é a bíblia, ou da moral e ética de quem trabalha "ao serviço de deus".
A igreja deve gozar do mesmo respeito que qualquer outra instituíção. Se uma é questionável, todas elas são.
B. Borges
De alcacovas a 20 de Outubro de 2009 às 11:25
Mas eu até concordo com muito do que dizes. A minha ressalva vai num sentido mais amplo: respeitar os que atacam (Saramago) e os que defendem as suas crenças (como alguns dos nossos amigos).
A questão não se limita a razões factuais, trata-se de algo nais abrangente, pessoal.
Não podemos dizer que A tem razão e B não. Este assunto da religião é muito complexo. Há que "medir" as afirmações sobretudo as mais radicais.
Mas sempre em liberdade.
AC
De ze a 25 de Outubro de 2009 às 13:55
Mas quem é que os autorizou a fazer essas interpretações da Bíblia?
Foi com esta pergunta que José Saramago confrontou o padre Carreira das Neves, quando este argumentou que não se podia ler (literalmente) o que se encontra escrito na Bíblia mas que se devia lê-la seguindo as interpretações das notas de roda-pé.

Procurando interpretar as palavras daquele "especialista" da Bíblia, A Igreja diz aos seus crentes: Sigam a Bíblia mas de acordo com as interpretações dos nossos "especialistas"...

Em resposta às razões apresentadas por Saramago para não acreditar na existência de Deus, o Padre Carreira das Neves utilizou como último argumento para se crer em Deus o coração...

Parece-me que ficou claro, no frente-a-frente na SIC, que José Saramago foi mais convincente do que o Padre Carreira das Neves quanto à (não) existência de Deus e que este não é de fiar, de acordo com a Bíblia.

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