Segunda-feira, 1 de Maio de 2006

Algumas considerações sobre o trabalho em Portugal

Já que é dia do trabalhador vamos falar um pouco sobre o trabalho em Portugal!


Fonte: BdP; INE

 

Basta olhar para os valores do gráfico para verificar que a nossa produtividade do trabalho é das mais baixas da União Europeia. Assim o era em 2003 e assim o é em 2006.

Ainda recentemente o Banco de Portugal no seu boletim económico de Primavera diz que é “fundamental Portugal aumentar o ritmo de crescimento da produtividade do trabalho, para assegurar melhor nível de bem-estar e convergência com os parceiros comunitários.”.

No que diz respeito à nossa produtividade no trabalho podemos encontrar aqui mais um dos factores que podem explicar a nossa situação. Mas não tenhamos ilusões por se falar em falta de produtividade no trabalho não quer dizer que os trabalhadores sejam uns malandros que não querem fazer nada. A falta de produtividade no trabalho pode dever-se a factores tão diferentes como a falta de condições de trabalho, com os métodos de produção, com as tecnologias utilizadas para produzir, etc. Por isso não basta olhar para um gráfico e de uma forma demagógica dizer que por exemplo o Luxemburgo tem uma maior produtividade no trabalho que a nossa. Temos sim de avaliar as condições que levaram o Luxemburgo a ter aquela produtividade e se for necessário importar o que de melhor o seu modelo de trabalho possa ter para o nosso.

Ao longo da minha formação já fui várias vezes confrontado com este tema, o que fez com que eu começa-se a formar uma opinião em relação ao que está a acontecer no nosso país no que diz respeito ao factor trabalho:

Em primeiro lugar o nosso mercado de trabalho é demasiado rígido o que faz com que exista perda de produtividade. Em parte essa rigidez é provocada pelos sindicatos, na medida que negoceiam aumentos salariais que colocam os salários acima do nível de equilíbrio. Este procedimento é normalmente apontado como origem do desemprego e fonte de conflito entre dois grupos de trabalhadores:

  • Os trabalhadores que ficam desempregados em virtude das negociações salariais (outsiders) são prejudicados, mas os que conseguem manter o seu emprego são beneficiados com as negociações salariais.

Por outro lado penso que os parceiros sociais deveriam chegar a um acordo sobre o nosso mercado de trabalho, que fosse bom para ambas as partes (trabalhadores e empresários) mas que fosse o melhor possível para o nosso país.

Em resumo a minha opinião é que no nosso país não devia existir tanta protecção ao emprego, pois esta ai um dos principais foco de perca de produtividade no trabalho. No entanto não vou tão longe como se tentou ir em França.

 

Por outro lado o sucessivo agravamento da carga fiscal e a incerteza sobre como vão ser resolvidos os desequilíbrios da economia portuguesa, também tem impacto no crescimento da produtividade e retira capacidades à actividade económica. Sendo por isso necessário uma rápida mas sustentável solução para a consolidação das nossas contas públicas, para tal a despesa do Estado não deve crescer e os serviços públicos devem ser racionalizados. Isto para bem do nosso país e para que o nível de incerteza diminua para que novas empresas queriam investir em Portugal e para que aquelas que cá estão sintam que estão num país estável onde podem desenvolver a sua actividade, apostando em novo e mais qualificado capital humano e tecnológico para que assim médio prazo possamos olhar para um gráfico e ver a nossa produtividade entre as mais altas da Europa.

rmgv

publicado por alcacovas às 01:26
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