Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

A luta política que precede actos eleitorais

Estamos a assistir a uma luta política “desesperada”, estão em causa muitos interesses, pessoais e partidários e, reconheço (ou desejaria), também alguns interesses puros pelo serviço público.

Acredito que (ainda) temos políticos honestos, devotados e incorruptos. Acredito que ainda há homens e mulheres capazes de servirem a causa pública sem cedências de ordem partidária, corporativa ou pessoal.

Mas, voltando à norma (triste norma), o que mais se vai vendo é uma luta para ganhar custe o que custar, onde os argumentos factuais se apagam sob a avalanche de um discurso de “marketing” político tipo terceiro - mundista.

Este processo que vem caracterizando a política a nível nacional está a ter, cada vez mais, fiéis e entusiasmados seguidores na política local.

E aqui este tipo de luta pode (e vai) gerando outro tipo de problemas de ordem social, familiar.

Num concelho ou numa freguesia (excepto ou em menor grau nas autarquias com muitos milhares de eleitores) as pessoas conhecem-se, são amigos (ou inimigos), são parentes, são colegas, convivem.

Mas quando há que ir a votos tudo ganha contornos “anómalos”. As pessoas passam a ser socialistas ou sociais democratas, comunistas ou bloquistas, etc.
As pessoas pertencem ou são cativadas por um partido e, a partir desse momento, têm que conciliar os interesses das suas autarquias, com os dos seus partidos e (algumas vezes) com os seus interesses pessoais.

As pessoas conhecem-se, sabem (razoavelmente) quais são as capacidades de cada um, os seus podres e virtudes.

Mas a divisão provocada pela partidarização das eleições autárquicas altera e vicia as apreciações e, em última análise, enfraquece o grupo dos cidadãos vencedores.

As pessoas conhecem-se, mas não podem escolher os “melhores”. Escolhem o partido ou quanto muito o partido que julgam ter o melhor elenco.
Pode dizer-se que, salvo escassas excepções, a autarquia e os seus habitantes ficam sempre a perder (excepto para aqueles que recebam ou esperem receber qualquer benesse dos seus eleitos).

E estas lutas, mais ou menos virulentas, acabam muitas vezes por agravar ou criar animosidades pessoais.

As eleições locais não podem ter o mesmo figurino das nacionais.
Se queremos mais democracia, mais participação, mais envolvimento das pessoas da nossa terra temos que escolher os nossos candidatos e não “ceder” esse direito aos nossos partidos.

Agora que se recomeça a discussão sobre a regionalização, com mais ou menos autonomia, com mais ou menos envolvimento dos residentes locais a questão da forma das eleições autárquicas tem uma importância decisiva.
Acredito que as eleições autárquicas não devem ser partidárias. Devem ser os residentes locais a escolher os seus elencos, com as pessoas que entendam mais válidas e capacitadas independentemente dos partidos a que (eventualmente) pertençam ou apoiem a nível nacional.

E, se esta for a solução escolhida, há que discutir cuidadosamente as regras por que se regerá o novo sistema.
 
Mas discutir localmente e não apenas nos gabinetes governamentais e partidários sediados em Lisboa.

Julgo que este sistema poderá ser decisivo para dar uma nova vida aos nossos concelhos e freguesias, sobretudo nas zonas mais desfavorecidas.

 AC

 

 Este post é cópia dum artigo publicado no DN on line.

publicado por alcacovas às 12:41
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2 comentários:
De peixebanana a 24 de Agosto de 2009 às 22:24
Caro André Correia;

Já vou sendo um assíduo leitor das suas crónicas por aqui e por ali. Sem nunca se aproximar do radicalismo na escrita promove o consenso e de alguma forma empresta lucidez e nivela o discurso de uma forma que acho que só a idade nos pode emprestar, como podemos comprovar mais uma vez neste artigo que aqui publicou.

Desde que há eleições, existe marketing político, logicamente que com o passar dos anos a evolução tecnológica potenciou este tipo de propaganda e se em alguns casos se fizeram autênticos passes de mágica em maus candidatos tornando-os em apetecíveis candidatos, o mesmo também é verdade para aqueles que têm real capacidade, mas que por via de questões físicas ou temporais nunca tiveram a capacidade de chegar às massas e assim exporem as suas ideias.

Localmente falando, tenho que concordar consigo, é verdade que tomei partido por uma candidatura, o que é perfeitamente normal, no entanto notei que houve um afastamento em relação á minha pessoa de alguns ditos amigos exactamente por essa questão, o que me fez bastante confusão inicialmente, pois não estava habituado a este tipo de tratamento.

Notei que se criaram barreiras em alguns casos intransponíveis como se de uma guerra se tratasse, e que ainda há um longo caminho a percorrer no que diz respeito á escolha dos melhores para a representação da sua comunidade ou região, por esta mesma razão fico-me pelos que me parecem melhores, sabendo de antemão que em todos os quadrantes políticos há gente com valor e discernimento democrático.

Para rematar como você sabe muito melhor do que eu, o lóbi partidário tem destruído o tecido social de tal forma que só com uma grande revolução social e cultural se conseguiria dar a volta, e em liberdade livres da pressão dogmática e impositiva dos partidos políticos podermos eleger os nosso chefes, aqueles que nos respeitam e que merecem o nosso respeito. No entanto isto não pode acontecer numa ilha o poder central tal como existe nos nossos dias, não nos deixaria prosperar.
De alcacovas a 24 de Agosto de 2009 às 23:06
É gratificante ler o que escreve, mas mais ainda é poder pensar que a mensagem terá passado.
Mas teria que ser passada a muitos e, sobretudo, aos lideres partidários, pois sem eles nada feito.
O que deve ser muito diíficil.
AC

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André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

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