Sábado, 27 de Junho de 2009

O que é que nos falta?

  

Alcáçovas | 2009 | B. Borges

 

Revendo memórias do blog Alcáçovas, dei com um texto que escrevi há cerca de 3 anos, intitulado "O que é que nos falta?", no qual falava sobre objectivos e tomadas de decisão para o futuro do concelho de Viana do Alentejo, com destaque para a freguesia de Alcáçovas. Dadas as circunstâncias e os tempos que se aproximam de debate sobre estas questões, sobre o que fazer a seguir, resolvi publicar novamente o texto, apenas por o achar pertinente e bastante actual e, sobretudo, por não ter tido ainda uma resposta às questões que levantei na altura. Pode ser que agora estas questões suscitem um novo debate.

 

" O que é que nos falta?

 
(...) aproveito a discussão que sugeriu rmgv sobre as Alcáçovas e o seu futuro e levanto novamente a mesma questão, desta vez mais orientada para as questões de planeamento, ordenamento e gestão do nosso município. Tratar estas questões, discuti-las, reflectir/conversar sobre elas é fundamental para que se tirem conclusões importantes para a tomada de decisões do município, pois, e nunca é demais referir, todos temos um papel importante nesta discussão e na tomada de decisões para a nossa terra.

  

O que é que nos falta? Mas que boa pergunta!.. O que é que nos falta Alcáçovas, o que é que nos falta concelho de Viana do Alentejo para que não vejamos a nossa terra desfalecer? Muitos se queixam de que está sempre tudo parado e são muitos os que, desacreditados, defendem que estamos condenados ao isolamento, ao atraso, ao abandono, ao parar do desenvolvimento, ao futuro sem perspectivas, ao futuro duro/difícil/agreste igualado a uma longa seca do Alentejo. Basta conversar um pouco com as pessoas que vamos encontrando pela rua, na mercearia ou no café, principalmente com os mais velhos, para vermos que o passado normalmente se fala com um sorriso nostálgico e que o futuro se fala de testa franzida. Percebe-se que as pessoas estão desanimadas e que a confiança que têm no futuro está um pouco melindrada.

O que é que nos falta para mudarmos estas opiniões? O que é que nos falta para que a população que ocupa estes difíceis e desafiadores territórios acredite no seu futuro? O que é que nos falta para sermos um concelho confiante, para sermos um concelho preparado para desenvolver, preparado para se tornar mais atractivo, preparado para vencer e ser bem sucedido neste longo e difícil período de estiagem económica que atravessamos e que não tem fim anunciado?

Boa pergunta de facto. E, como sempre, uma boa pergunta merece uma boa resposta! Dar uma boa resposta a esta questão exige muita discussão e muito esforço. Acredito que se já existisse uma boa resposta no nosso concelho isso já se notaria, quanto mais não fosse por uma opinião mais confiante das pessoas.

 

O que é que nos falta?

Poderia começar-se a responder dizendo exactamente o que faz falta, enumerando as obras que fazem falta, o que é que precisamos de arranjar ou corrigir, que sectores devemos dinamizar, onde é que devemos aplicar o dinheiro; o que é que devemos fazer para podermos potenciar o nosso desenvolvimento. E daí resultariam com certeza boas ideias e sugestões, importantes medidas a aplicar no concelho, mesmo tendo em conta a dificuldade e complexidade que estas questões envolvem. Poderíamos referir que seria importante construir o parque das piscinas, criar novos bairros, renovar estradas e melhorar acessibilidades, renovar jardins e outros espaços de lazer, recuperar monumentos, etc. Poderíamos dizer que seria melhor investir mais na agricultura ou mais no comércio ou mais no turismo, ou até na prestação de serviços. Poderíamos ainda dizer que seria melhor apoiar os agricultores ou as empresas locais ou o comércio tradicional ou as actividades turísticas... Poderíamos dizer que deveremos apostar mais nos jovens ou mais nos idosos, apostar na promoção dos produtos tradicionais, nas actividades culturais, etc. etc...Poderíamos sugerir mesmo muitas coisas, sendo que todas elas seriam importantes para o desenvolvimento. Mas facilmente tudo se tornaria confuso, principalmente porque se tornaria muito difícil atribuir prioridades às ideias. Definir prioridades de actuação no território é fundamental para uma boa gestão. E para que isso aconteça é preciso ter-se muito bem pensado aquilo que se pretende para o futuro; é fundamental determinar um objectivo específico, uma meta a atingir para que se consiga definir bem todos os passos a dar. E é isso que parece faltar-nos.

 

Mal ou bem, conseguimos reconhecer o que de bom tem sido feito pela câmara e sugerir o que de bom se poderia fazer, mas saberemos nós realmente onde é que queremos chegar com isso? Estarão as obras realizadas e as que se encontram em projecto integradas numa linha de acção estratégica de um objectivo comum, ou seja, serão elas parte de um plano comum para o concelho, serão elas parte de um processo que visa o atingir de uma meta concreta de desenvolvimento para o concelho?

Receio bem que não.

 

E no que diz respeito à freguesia das Alcáçovas:

Existirão realmente objectivos para o futuro das Alcáçovas na gestão camarária?

Será que alguém sabe concretamente que rumo deve seguir a nossa vila e o concelho? Em que é que devemos apostar? O que queremos que a nossa terra seja no futuro? Qual é a nossa meta de desenvolvimento a médio e longo prazo?

 

O que é que nos falta? Parece faltar-nos uma resposta firme a todas estas perguntas.

 

Eu tenho algumas ideias mas gostaria de saber o que vocês pensam. Qual a vossa opinião. Quando pensam no futuro da nossa terra, em que pensam? Como acham que ela estará daqui a 10, 20, 30 anos? Acham que Alcáçovas é uma terra condenada ao fracasso, ao abandono?

Que rumo gostariam que a nossa terra tomasse? O que gostariam mais que fosse feito?

Onde devemos investir? No que devemos apostar? O que devemos apoiar?

O que é que nos falta?

Será que nos faltam recursos ou será que nos falta olharmos para os que temos com olhos de quem os quer aproveitar e potenciar? "

 

B. Borges

 

publicado por alcacovas às 15:25
| comentar
2 comentários:
De alcacovas a 27 de Junho de 2009 às 20:19
Esta republicação do teu post é muito oportuna e abre, espero, caminho para uma discussão positiva e sobretudo focada no futuro das Alcáçovas.
É tempo de ideias, de entusiasmos e dedicação a esta boa causa: o desenvolvimento das Alcáçovas.
As propostas de cada partido estão para breve. É aí, nos programas a apresentar, que vamos ver quem é que tem as melhores soluções para tirar o concelho da senda da tristeza e dum conformismo "conservador" que tem pautado o executivo camarário dos últimos anos.
Vamos à luta com lealdade, com propostas que visarão uma verdadeira "reforma" ou até "revolução" do que se tem feito ao logo de 16 anos, vazios de ideias para tirar o concelho do marasmo e da desertificação humana.
Por Alcáçovas, por um futuro melhor.
AC


De peixebanana a 28 de Junho de 2009 às 12:53
Caro B. Borges;

Gostei deste seu texto, ainda não tinha lido.
A abordagem das questões que deixou em aberto é muito interessante e tem razão de ser na verdadeira medida em que para além de ter já 3 anos, permanece actual.

No entanto o que me parece é que o que escreveu sobre as Alcáçovas, poderia ser aplicado a qualquer vila ou cidade Portuguêsa, são uma série de perguntas a que só as respostas podem trazer um diagnóstico.

Falta-lhe a segunda parte, a opinião. Vou ficar á espera, pois merece conclusão.

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André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

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