Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

E DEPOIS DA CRISE ???

A crise que varre o mundo tem efeitos, consequências diversas de país para país.

Quando a crise passa al maioria dos países desenvolvidos continuarão a crescer, cada vez mais prósperos.

Outros como Portugal muito provavelmente voltará ao ritmo de antes da crise, isto é a afastar-se cada vez mais da média europeia.

Porque é que a crise não poderá ser um aviso e uma oportunidade para, logo que vencida, trilharmos novos caminhos.

Ao ler hoje o DN chamou-me a atenção dum artigo assinado pelo António Perz Metelo, que a seguir transcrevo (parcialmente).Porque não aproveitar a oportunidade para investir no futuro, esquecendo as eleições deste ano.

Aproveitar para mudar, reformar com uma visão a prazo para um novo Portugal. Sei que para os nossos partidos, especialmente para o que está no poder, alienar uma eventual vitória a curto prazo para assegurar um futuro melhor é muito difícil e "oneroso".

Aqui vai o artigo (parte) atrás referido:

 

"...Mas as diferenças são abissais entre empresas e sectores e - é este o ponto -, esta diferenciação, presente em todas as economias avançadas, produz em Portugal uma resultante medíocre em termos de produtividade (64% da média europeia) e explica as dificuldades de competitividade das empresas nacionais expostas à abertura da economia. Daí que devesse ser objecto de mais debate público - sem as picardias da luta política diária entre partidos - o que está comprovado que funciona melhor para atacar o problema.

À cabeça, o que vai na cabeça de quem trabalha, hoje e amanhã: o investimento acelerado para materializar, concelho a concelho, a nova Carta Escolar, cobrindo todo o País com escolas em boas instalações, com as novas tecnologias (e.escola) e capazes de ensinar também um grande número de profissões, é uma prioridade absoluta. Tal como o aprofundamento da formação dos professores e sua validação. Tudo isto só dará frutos visíveis - dir-se-á - daqui a 15 ou 20 anos. É verdade, mas melhorias constantes, conjugadas com a formação dos activos, vão-se acumulando e criam um clima nas empresas mais favorável à mudança e à inovação.

Em complemento, tudo o que facilite a criação de valor: um sistema energético muito mais eficiente, mais limpo e menos dependente do exterior; boas redes de comunicações viárias e de telecomunicações e a valorização da história, da paisagem e do clima, para aumentar o produto gerado pelo turismo.

Se este momento de retracção não servir para melhorarmos nestes campos, depois desta crise voltaremos a um período de crescimento medíocre."

AC

 

publicado por alcacovas às 12:46
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2 comentários:
De Zé da Burra o Alentejano a 6 de Fevereiro de 2009 às 17:25
A crise não vai passar!
A Globalização, tal como foi concebida, vai determinar o fim da Europa social que conhecemos: o ocidente caiu na armadilha da Globalização que os bancos e as grandes companhias lhe venderam. A actual crise não é apenas uma crise criada pela especulação bolsista americana e pela não fiscalização das reservas monetárias de segurança da generalidade dos bancos e dos fluxos monetários com destino aos paraísos fiscais onde depois se perde o rasto do dinheiro. Os bancos e as grandes companhias visavam a obtenção de maiores lucros. Os primeiros procuravam a liberdade total para fazerem o que muito bem entendessem ao dinheiro que lhes era confiado; os segundos pretendiam aproveitar-se dos baixos custos de produção no extremo oriente em virtude dos baixos salários e da inexistência de obrigações sociais. O resultado já está à vista: o descalabro bolsista e bancário, a falência de uns bancos e as ajudas governamentais a outros; a necessidade de corte nas produções industriais das empresas, incluindo nas que já se mudaram para os novos países, porque as produções se destinavam sobretudo à exportação para o ocidente onde estão as populações com maior poder de compra que está agora em rápido declínio, como fruto da globalização criada.
Ao aderirem ao desafio da globalização, os países ocidentais e da União Europeia prometeram ao seus cidadãos que as suas economias se tornariam mais robustas e competitivas e não exigiram aos países do oriente que prestassem às suas populações mais e melhores condições sociais: regras laborais justas, melhores salários, menos horas e menos dias de trabalho, férias anuais pagas, assistência na infância, na saúde e na velhice para poderem aceder livremente aos mercados ocidentais. Não! o ocidente optou simplesmente por abrir as portas à importação desses países sem que essas condições fossem satisfeitas, criando assim uma concorrência desleal e “selvagem” da qual o ocidente nunca poderá ganhar. A única solução será a de nivelar as condições sociais dos trabalhadores ocidentais pelas desses países e que são miseráveis (crianças chegam a ser vendidas pelos próprios pais para servirem de escravos). O ocidente franqueou as suas portas a países que estão em rápido desenvolvimento tecnológico com custos de mão de obra insignificantes e sem comprometimento com a defesa do ambiente, com tecnologias altamente poluidoras e mais baratas.
Estamos a assistir neste momento a uma tentativa desesperada de resistir a uma guerra perdida, nivelamento por baixo as condições sociais dos trabalhadores ocidentais. Daí a revolta que se observa nos vários países da UE. Mas será que os trabalhadores ocidentais vão aceitar trabalhar a troco de dois ou três quilos de arroz por dia, sem direito a descanso semanal, férias, reforma na velhice, etc...? Não! O resultado será um lento definhar em direcção ao caos e enquanto umas empresas fecham portas para sempre, outras se deslocam para a China ou para Índia para não serem sufocadas pela concorrência desleal, mas, até mesmo essas terão que reduzir a sua produção porque os ocidentais estão a perder rapidamente poder de compra. Entretanto, no ocidente a indigência, a marginalidade e o crime mais ou menos violento irão crescer e atingir níveis inimagináveis, apenas vistos em filmes de ficção ou referidos nos escritos bíblicos do apocalipse. Espera-nos uma espécie de nova “Idade Média”, onde restarão alguns privilegiados, protegidos por alta segurança, enquanto a maioria se afunda no caos: desaparecerá a chamada classe média e de remediados. Há que recuar mas será que ainda vamos a tempo? Apesar de todas as crises quem vai ganhar é a China, a Índia, a Tailândia, etc.
Quanto à esperança salvadora do turismo, só poderemos esperar ver aumentar o do extremo oriente; o fluxo já não vai recuperar, porque atrasando a idade das reformas (o que está a acontecer em toda a Europa, fruto da crise), reduzindo os salários e com mais desemprego não há dinheiro para gastos superfluos. Não pensemos que o turismo europeu é formado só por previlegiados. Não! são na generalidade gente comum. Vejam como a actual crise se reflecte logo no turismo português.

Zé da Burra o Alentejano

De alcacovas a 6 de Fevereiro de 2009 às 19:00
Li com atenção seu comentário. É bom trocar ideias, discutir, mas não posso concordar consigo sobretudo em 2 aspectos: a globalização é indispensável ao mundo (mas muito terá que mudar, acautelando fraudes, golpes, roubalheiras). Digamos< que, como o homem, a globalização tem um lado mau e outro bom, mas não vamos matar o homem, digo a globalização, por causa do seu lado mau. Vamos sim lutar para o bem vença o mal.
E discordo também do seu pessimismo, a sua atitude totalmente negativa . Vamos lutar e acreditar num futuro melhor. Só nós o podemos fazer.
AC

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