Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

BODO AOS RICOS

 

 

Foto do http://jumento.blogspot.com/

 

 

Hoje ao ouvir as notícias matinais sobre uma escola que foi encerrada nos subúrbios de Lisboa, achei aquilo tudo muito estranho.

 

Estranho, não pelos pais lutarem por questões de melhoria da dignidade dos locais onde os seus filhos estudam, nomeadamente ao nível da segurança, saúde e higiene e outros aspectos fundamentais, mas sobretudo pela falta de definição de prioridades que vamos continuando a assistir por todo o nosso País.

 

Ora vejamos: O BPN – Banco Português de Negócios é uma vergonha nacional, é um caso de polícia, mas para que não vá à falência e ponha em causa o sistema financeiro, o Estado arranja dinheiro suficiente para concretizar a sua nacionalização; Quanto ao BPP – Banco Privado Português, existe capacidade por parte do Estado em entrar no seu capital e garantir o risco na entrada de capital dos outros bancos; O mesmo Estado é garante no risco de acesso ao crédito de bancos que em nada manifestam seriedade para consigo (vejam-se os casos Portucale do BES e as diversas manobras do BCP).

 

Desta forma, o Estado garante ao sector financeiro, seja ele qual for, todas as condições para a sua subsistência, quanto que perante aos sectores produtivos da economia, que se encontram em bem pior situação, não só não os ajuda, como os sufoca, sacando o máximo que pode.

 

O desprezo para com as micro e pequenas empresas e para com os profissionais liberais que, na sua maioria, nada querem do Estado, tem sido um dos maiores erros que se tem cometido.

 

O curioso disto tudo é que este dinheiro surgiu de repente, surgiu do nada. Actualmente, deparamo-nos com o Estado a “ajudar” os bancos com dinheiro que supostamente não havia para as universidades, hospitais, esquadras da polícia, tribunais e outros serviços públicos.

 

Por isto tudo, continuo a ficar cada vez mais assustado quando vejo o Estado a tentar estimular a economia através de megaprojectos (TGV´s, Pontes sobre o Tejo, Aeroportos, etc, etc), os mesmos projectos que já estavam previstos quando a economia se encontrava de boa saúde.

 

Será que estes megaprojectos não irão beneficiar ainda mais as megaempresas, como é o caso das Mota Engil e companhia limitada? Pouco estimulo trará às micro e PME´s.

 

A questão central não tem a ver com a razão da concretização destes investimentos, mas sim com a selectividade e pertinência em relação à sua natureza. Parece-me muito mais importante (caso se olhe para esta situação como uma “espécie de intervencionismo estatal na economia”), se optássemos pela realização de investimentos ao nível da reabilitação de edifícios públicos – melhoria das tais escolas que, como é a da notícia, não são intervencionadas há mais de 30 anos – melhoria e criação de tribunais, das universidades, das esquadras da polícia e GNR, dos hospitais, melhoria da racionalização energética, aposta consistente numa política de portos, criação de lares e creches, melhoria ao nível da habitabilidade dos mais carentes e informatização dos serviços públicos, etc, etc.

 

Com esses investimentos, espalhados por todo o território nacional, estaríamos sim, a dar um salto qualitativo nos nossos serviços e garantir mais emprego, estimular as enfraquecidas economias locais e do interior e ainda, diminuir a factura energética.

 

Desta forma, estaríamos a ajudar quem precisa e não fomentar este bodo aos ricos.

 

António Costa da Silva

 

publicado por alcacovas às 22:12
| comentar
1 comentário:
De peixebanana a 15 de Dezembro de 2008 às 22:54
belissimo post.

abraços

Comentar post

Publicado por:

André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

Posts recentes

_

***

“Alcáçovas Vila Global”

Inauguração da obra de Re...

Recordação do nosso Blog:...

Há 6 anos atrás começou a...

Vitória

Um brinde à Arte Chocalhe...

O Fabrico de Chocalhos já...

Mostra de Doçaria de Alcá...

Arquivos

Fevereiro 2019

Outubro 2016

Agosto 2016

Fevereiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Blogs

Visitas a partir de 5/3/2006

Pesquisar neste blog