Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

Vamos ajudar Lisboa

Os lisboetas queixam-se, a autarquia está falida. Por mais que façam mais há para fazer.

Quanto mais se cava maior é o buraco.

- A poluição é a mais alta do país e das mais altas em toda a Europa.

- A criminalidade sobe assustadoramente.

- As máfias e os gangs mais sofisticados abrem "sucursais" em Lisboa.

- O trânsito é caótico.

- Cada lisboeta passa quase tanto tempo no carro como no escritório.

- Os lisboetas estão cada vez mais dependentes de antidepressivos, medicinais ou não.

- O stress bate recordes.

-Por mais obra que se faça tudo continua na mesma ou pior. A obra, indispensável, é apenas mais um remendo, pois remédios para uma cura total não aparecem.

E é aqui que os alentejanos podem dar uma ajuda.

Aqui há espaço, bons ares e tranquilidade. As estradas são boas, há poucas curvas e são quase todas planas.

Aqui só faltam pessoas, mas em Lisboa são demais.

Porque é que os lisboetas (sobretudo os governantes) andam a fazer o possível para "fechar" o Alentejo (e outras regiões interiores), forçando os que aqui vivem a emigrar para a Grande (ou Grandessíssima) Lisboa?

Não percebo.

A qualidade de vida lá pelas Lisboas é cada vez pior e ainda nos querem forçar a ir para lá.

Por cá ou se morre ou se migra.

E o Alentejo será, cada vez mais, um paraíso sem residentes.

Deve ser quase como o outro Paraíso onde só chegam os puros. 

 

AC

publicado por alcacovas às 16:11
| comentar
6 comentários:
De Piteira a 23 de Setembro de 2008 às 17:57
Não sei se concordo com tudo o que está escrito. Mas é dos textos "políticos" que eu já li, cuja capacidade de criar empatia transpira, acredito, sinceridade.

um abraço
De alcacovas a 23 de Setembro de 2008 às 23:02
Viva André,
concordo com metade, não concordo com outra metade e acrescento uma outra:
- não concordo, e mesmo que as estatísticas o digam não acredito, que Lisboa seja uma das cidades mais poluídas da Europa - não o é (os dados que se recolhem nas cidades são decerto correctos, no entanto a forma como são recolhidos pode ser muito duvidosa);
- o aumento da criminalidade não é assustador e tenho sérias dúvidas quanto a existir um aumento real. Para mim, trata-se apenas uma questão política - apenas se sente o aumento da criminalidade nos telejornais, não nas ruas (e sou sincero porque vivo por cá), sobretudo aos que interessa colocar em causa a política de defesa do actual governo;
- o transito não é dos melhores e a rede de transportes públicos também não, mas lisboa não é tão desorganizada quanto isso, e quando comparada a outras capitais ou cidades europeias é até muito organizada(!);
- concordo que o stress é grande, que se perde demasiado tempo para se fazer qualquer coisa ou ir a algum lado, no entanto pode-se ir a muitos lados e fazer-se muita coisa;
- concordo plenamente que o Alentejo é um paraíso e que Lisboa deveria olhá-lo como tal - é perto, rápido, calmo, tem muita qualidade de vida (se a entendermos como dependente da proximidade de um ambiente mais natural e longe da agitação e confusão), mais barato, mais limpo, espaçoso, etc, bem como constitui um tesouro a explorar e a dinamizar (deveríamos entender que a terra que parece ter menos oportunidades é talvez aquela onde elas existem realmente porque há muito por fazer);
- Concordo plenamente que se deveria promover mais a fixação de pessoas no Alentejo e não tanto nos grandes centros. Não obstante, essa tendência de concentração da população nos grandes centros tem vindo a atenuar-se, sendo a realidade actual a do crescimento dos centros médios, como as capitais de distrito. Ou seja a população das pequenas povoações tendem a deslocar-se para o centro urbano mais próximo, porque a ideia de "terra das oportunidades" e da qualidade de vida (quando entendida como a proximidade dos serviços, actividades culturais, etc) em relação aos grandes centros tem vindo a mostrar-se pouco realista;
- Lisboa não é grande, é grande para Portugal. Mas para o exterior, e quando comparada com outras capitais, não passa de uma aldeia e para quem cá vive a ideia também é um pouco essa. Falo tanto do tamanho e das distâncias como das pessoas. A população realmente urbana é pouca quando comparada com o número de pessoas que a ocupam que vêm de áreas rurais e que nem por isso adoptam um estilo de vida urbano (naturalmente com os problemas que daí advêm para a sua gestão). As pessoas usam a cidade, vivem-na, "exploram-na", mas muitas vezes não a estimam, não a respeitam porque esta não é a sua terra natal, a sua cidade, não há um sentimento de pertença. O pensamento dominante é um pouco este - "se Lisboa se degradar ou se as coisas correrem mal (mesmo que eu não tenha feito nada para a melhorar), tenho sempre a minha terra para voltar". Não abordando aqui a gestão financeira, que certamente estará na base da grande crise que a câmara atravessa, esta realidade que agora refiro poderá constituir uma agravante na crise e um grave problema para quem tem a responsabilidade maior de cuidar a cidade.
Gostei do texto André. Quanto ao que me compete, passo a vida a promover o Alentejo e a nossa bela terra a quem conheço aqui. Não é uma solução, mas pode mudar qualquer coisa.
Abraço,
B. Borges
De Anonimo a 24 de Setembro de 2008 às 19:21
Depressivo é ter que andar 30km para ir ao cinema, comprar roupa ou para ir ao hipermercado...
De Piteira a 28 de Setembro de 2008 às 19:36
Perguntas:

Terá o Anónimo conhecimento do que é, no seu interior, a cidade?

Pensará que todas a pessoas da cidade vivem coladas à 'roupa', ao 'cinema' ou aos outro lugares comercias/culturais? Mesmo vivendo será que têm tempo ou disposição ou meios financeiros para usufruir deles?

Saberá que as zonas onde existem esses centro de consumo têm, excluindo estudantes e habitantes provisorios, muito menos de 10% de ocupação habitacional?

Sabe o que significam em gasto de tempo-combustivel-dinheiro 30 km na situaçao do distrito de evora e por exemplo 5km nas cidades de lisboa ou porto? Sabia que nestes termos as distancias são equivalentes?

É como sempre se ouve dizer: santos da casa não fazem milagres.


De alcacovas a 24 de Setembro de 2008 às 22:37
A questão ou a discussão à volta das grandes cidades é tremendamente complexa e prever a sua evolução será obra que não está ao nosso alcance.
Ao longo da História existiram cidades enormes, em termos relativos a até absolutos.
Por razões de defesa, por razões comerciais, por razões de comodidade, de acesso a serviços e divertimentos.
Sabemos que a Revolução Industrial foi a mais recente e poderosa razão para o crescimento desmesurado de muitas cidades .
E desde então têm crescido e em todos os continentes.
A minha quetá não se confina a Lisboa, não prtendo comparar Lisboa, cidade de média/pequena dimensão.
Não vou comparar, por exemplo, o trânsito de Lisboa com o de New York, Londres, ou Paris ou até Luanda.
E, de passagem, posso dizer que algumas destas cidades muitas vezes maiores do que Lisboa estão melhor organizadas do que esta.
Em maior ou menor grau o problema é o mesmo.
Vamos (queremos) viver em cidades (aglomerados hurbanos) enormes com características que para mim podem ser penosas/insuportáveis, mas que para um dos leitores pode ser um sonho, uma maravilha?
Com os fabulosos meios tecnológicos hoje disponíveis (e a crescerem exponencialmente) poderemos viver (já ou em breve) com todas as comodidades imagináveis, com acesso a todos os serviços e informações desejáveis, com meios de comunicação e de movimentação que apagam distâncias.
Teremos ou queremos viver em grandes cidades?
Será que nós, ou a mioria de nós, precisa de viver no meio de uma multidão?
Porque é que os cidadãos das grandes urbes se sentem cada vez mais sós?
Porque é que nas grandes cidades estão os grupos sociais mais cultos e mais ricos e, a seu lado, os grupos mais pobres, aquilo que noutros tempos se chamava o "lumpemproletariado" ?
AC
De alcacovas a 24 de Setembro de 2008 às 22:46
Desculpem alguns erros de digitalização que não consegui corrigir.
AC

Comentar post

Publicado por:

André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

Posts recentes

_

***

“Alcáçovas Vila Global”

Inauguração da obra de Re...

Recordação do nosso Blog:...

Há 6 anos atrás começou a...

Vitória

Um brinde à Arte Chocalhe...

O Fabrico de Chocalhos já...

Mostra de Doçaria de Alcá...

Arquivos

Fevereiro 2019

Outubro 2016

Agosto 2016

Fevereiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Blogs

Pesquisar neste blog