Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007

Sé de Évora. Uma entrada muito estranha..

   

  

  

  

   

   

   

  

   

Pergunto eu se já alguém reparou nas esculturas que estão na entrada principal da Sé de Évora? E, se já reparou, se não achou estranhas estas figuras? O que simbolizam? Alguém me poderá responder?

 

Seja como for, quem concebeu estas figuras tinha uma imaginação excepcional. Gosto muito desta "gárgola" sorridente (última foto), do macaco, do cão com um barrete e da "ave com barba" estranhíssima que "sai" do pilar da frente (1ª foto).

 

Estou curioso.

 

B. Borges

publicado por alcacovas às 21:19
| comentar
12 comentários:
De alcacovas a 19 de Outubro de 2007 às 22:13
Confesso que nunca "vi" estas figuras na Sé de Évora.
Falta minha, de curiosidade ou de visão. Mas o olho da máquina e o teu espírito atento mostraram-me o que nunca tinha visto.
Muito curioso e algo enigmático.
AC
De José Rocha a 19 de Outubro de 2007 às 23:02
Primeiro quero dar os parabéns pelas fotografias. Tentando responder à sua pergunta vou citar:
Gárgulas (espécies de animais fabulosos ou monstros medievais, que surgem, religiosamente, como simbolo de forças, ou submetidos à vontade de um poder superior)
Texto de Pedro Silva Autor do livro Templários em Portugal
José Luís Rocha
De alcacovas a 20 de Outubro de 2007 às 13:08
Por vezes as coisas que nos estão mais próximas são aqueles que menos reparamos. Este é um caso. Quando lá passar vou estar mais atento.
Como é típico nas gárgulas, apresentam imagens assustadoras, por vezes diabólicas. A sua utilidade era essencialmente para escoamento das águas sobretudo das chuvas (também muito usadas nas fontes). Neste caso, deve ter, de alguma forma, o mesmo efeito e utilidade.
Um Abraço

António Costa da Silva
De Ana a 20 de Outubro de 2007 às 19:21
Pelo que sei é tudo alusivo aos Descobrimentos

=)
De Luís Filipe Maia a 21 de Outubro de 2007 às 08:55
A Basílica Sé Catedral de Nossa Senhora da Assunção, mais conhecida por Catedral de Évora, ou simplesmente Sé de Évora, apesar de iniciada em 1186 e consagrada em 1204, esta catedral de granito só ficou pronta em 1250. É um monumento marcado pela transição do estilo românico para o gótico, marcado por três majestosas naves. Nos séculos XV e XVI, a catedral recebeu grandes melhoramentos, datando dessa época o coro-alto , o púlpito, o baptistério e o arco da capela de Nossa Senhora da Piedade, também conhecida por Capela do Esporão, exemplar raro de arquitetura híbrida palteresca , datado de 1529. Do período barroco datam alguns retábulos de talha dourada e outros melhoramentos pontuais nas decorações sumptuárias. Ainda no século XVIII a catedral foi enriquecida com a edificação da nova capela-mor, patrocinada pelo Rei D.João V, onde a exuberância dos mármores foi sabiamente conjugada com a austeridade romano-gótica do templo. Em 1930, por pedido do Arcebispo de Évora, o Papa Pio XI concedeu à Catedral o título de Basílica Menor. Nas décadas seguintes foram efectuadas algumas obras de restauro, tais como a demolição das vestiarias do cabido, do século XVIII, (que permitiram pôr a descoberto a face exterior e as rosáceas do claustro) e o apeamento de alguns retábulos barrocos que desvirtuavam o ambiente medieval das naves laterais.
A fachada da catedral é flanqueada por duas torres, ambas do período medieval, sendo a torre do lado sul a torre sineira da catedral, cujos sinos há séculos marcam o passar das horas da cidade. Flanqueando o portal há soberbas esculturas de Apóstolos, do século XIV. O trecho arquitectónico mais emblemático do exterior é o zimbório, torre-lanterna do cruzeiro das naves erguida no reinado de D.Dinis , que é o ex-libris da catedral e um dos trechos mais conhecidos da cidade. Além do pórtico principal há ainda mais duas entradas: a Porta do Sol, virada a sul, com arcos góticos e a Porta Norte, reedificada no período barroco.
A Catedral Metropolitana de Évora, também designada de Sé, é a casa onde se encontra a sede, isto é, a cadeira do Arcebispo Metropolita da Arquidiocese de Évora. A a entrada deste templo, como de muitas outras catedrais, não é estranha, mas absolutamente bem ornamentada, pensada para a época, com motivos e esculturas alusivas à época histórica em que foi construída ou recuperada. É de estilo românico, gótico. Daí ter estas figuras, as gárgulas, que representam imagens de monstros e animais avistados ou imaginados durante a época dos descobrimentos. São figuras épicas, assim como também «Os Lusíadas» de Luís de Camões, em vários Cantos lembram este período glorioso da história de Portugal.
A Entrada principal não ostenta gárgulas, mas sim o Apostulado . Conjunto de 12 esculturas, recordando a importância dos 12 Apóstolos na vida de Jesus Cristo e na, vida e história da Igreja, do Templo e do Povo de Deus. A imagem de S. Pedro que carrega as chaves, exemplificam a importância desta distinta fachada.
Mas melhor do que comentar, é visitar este templo, que é a história e é a vida dos nossos antepassados.

Luís Filipe Braga Matado da Silva Maia
De alcacovas a 21 de Outubro de 2007 às 12:35
Gostei de ler e de aprender.
Obrigado
AC
De alcacovas a 21 de Outubro de 2007 às 12:37
Olá a todos,

Antes de mais, obrigado pelos vossos comentários e esclarecimentos. Obrigado Luís por lembrar um pouco da história do monumento em questão, e por trazer alguma luz às minhas dúvidas.

Eu começo por dizer que de facto considero esta entrada estranha, ou até mesmo muito estranha. Não a compreendo, assusta-me, por isso é-me estranha. Parece-me a mim que quem visite a Sé e repare com maior pormenor nas esculturas da entrada, ficará um pouco intrigado com o que ali se vê. As figuras do apostulado, muito bonitas, contrastam bastante com as criaturas bizarras que têm a seus pés. Não me parece de explicação fácil e, não sendo compreensível, torna-se de facto estranha.

Já conhecia de antemão que esta entrada retratava o apostulado, que é alusiva aos descobrimentos e que o senhor das chaves é S. Pedro (pelo menos assumi como tal justamente pelas chaves). Também sei o que significam gárgulas, e para mim é a única criatura representada que consigo associar a alguma coisa. O que me intriga de facto é o porquê destas figuras, que, pelo que diz o Luís, representam figuras épicas avistadas ou imaginadas durante a época dos descobrimentos, estarem representadas juntamente com o apostulado e o porquê de se encontrarem sob os altarzinhos dos apóstulos. Será que cada uma destas figuras está associada ao apóstulo sob o qual se encontra? Há alguma ligação especial entre eles? Porquê este contraste entre imagens que a mim me parece evidente?

Todas estas questões são obviamente fruto do meu desconhecimento. Certamente haverá algum documento que explique com exatidão tudo o que está ali representado e a sua ligação. Mas como também não sei se existe, nem se alguém saberá a fundo a explicação, deixo aqui, agora com maior detalhe, as minhas persistentes dúvidas.

Penso que a razão de as criaturas ali estarem terá exactamente a ver com esse contraste. Talvez um jogo entre o bem e o mal; o bem acima de todo o mal; o bem (harmonia) sobre o bizarro, o estranho, as criaturas medonhas.. qualquer coisa nesse sentido. E claro, que estas figuras terão uma ligação especial, e que retratam com certeza um documento histórico que desconheço por completo qual.

Mais uma vez obrigado pelos comentários e espero que mais alguém se queira juntar à discussão e trazer mais luz às dúvidas.
B. Borges
De Luís Filipe Maia a 21 de Outubro de 2007 às 14:04
Porque o Bruno Borges é um entusiasta destes assuntos, o que revela claramente que é um homem preocupado em saber mais, em dilatar a sua cultura, aqui lhe deixo algumas obras a consulatar. Esta bibliografia pode ser ainda aumentada com a consulta de enciclopédias do Professor José Hermano Saraiva, do Professor Luís de Albuquerque (Edições Alfa), do Professor Fortunato de Almeida, História da Igreja em Portugal, do Professor Joaquim Serrão, entre outros. As publicações de algumas edições ou até mesmo de Separatas do Cabido da Sé de Évora, da Arquidiocese de Évora, do Monsenhor José Filipe Mendeiros, do Cónego José Augusto Alegria, ou da Fundação Eugénio d'Almeida e Universidade de Évora, também poderão enriquecer o seu desejo de saber mais. Existem centenas de publicações sobre a Básílica Catedral de Évora. É só escolher.

Título "O claustro da Sé de Lisboa: uma arquitectura «cheia de imperfeições»?", Murphy, nº1, pp.18-69
Local Coimbra
Data 2006
Autor(es) FERNANDES, Paulo Almeida


Título O bispo D. Pedro II e o 'modo gótico' em Évora de 1322 a 1340
Local -
Data 1998
Autor(es) FRANCISCO, Erede da Conceição


Título "A Catedral eborense mete água por todos os lados!", A Defesa, 7-2-1996
Local -
Data 1996
Autor(es)

Título "A Arquitectura (1250-1450)", História da Arte portuguesa, dir. Paulo Pereira, vol. I, pp.335-433
Local Lisboa
Data 1995
Autor(es) PEREIRA, Paulo


Título A arquitectura gótica portuguesa
Local Lisboa
Data 1994
Autor(es) DIAS, Pedro


Título Évora
Local Lisboa
Data 1993
Autor(es) ESPANCA, Túlio


Título "9. Monumentos e edifícios notáveis de Évora", (1975), publ. Páginas de História da Arte, vol. 1
Local -
Data 1986
Autor(es) SILVA, Jorge Henrique Pais da Silva


Título A Arquitectura Gótica em Portugal, 3ªed.
Local Lisboa
Data 1981
Autor(es) CHICÓ, Mário Tavares


Título A catedral de Évora: arte e história
Local -
Data 1975
Autor(es) GUERREIRO, Jerónimo de Alcântara


Título Inventário Artístico de Portugal, vol. VII (Concelho de Évora - volume I)
Local Lisboa
Data 1966
Autor(es) ESPANCA, Túlio


Título "A Catedral de Lisboa e a arte portuguesa da Idade Média", separata de Belas Artes, nº6
Local Lisboa
Data 1953
Autor(es) CHICÓ, Mário Tavares

Como pode ver amigo Bruno, tem agora a oportunidade de estudar este conjunto de trabalhos já publicados que poderão colmatar as suas indecisões. Podia estar aqui a tecer-lhe mais comentários sobre o tema exposto, mas nada melhor do que consulatr as fontes que responderão às suas pergunats.
Parabéns pelo seu esforço e pelas fotografias.
Disponha quando necessitar.

Luís Filipe Braga Matado da Silva Maia


De alcacovas a 21 de Outubro de 2007 às 15:51
Viva Luís,
agradeço imenso as referências que me deixou. Espero algum dia ter disponibilidade para as consultar. Nem todas me são estranhas e achei interessante a "A Catedral eborense mete água por todos os lados!", que espero não ter nada a ver com a entrada de que falamos.

Não sou assim tão entusiasta por estes assuntos quanto possa ter parecido nem tão pouco indeciso. Curioso sim, gosto de pormenores, e em boa verdade fascina-me o mundo da igreja. No caso da igreja ou até da religião, os pormenores fazem mesmo toda a diferença.

Diz que poderia tecer comentários, mas que eu posso consultar bibliografia. Pois se me permite, eu preferia mesmo saber aquilo que me poderia dizer sobre o assunto. Se já conhece mais obras, com certeza terá uma opinião formada. Prefiro teorias informais. Agradecia-lhe que partilhasse conosco aquilo que teoriza sobre aquilo que sabe relativamente às minhas questões.

Abraço, e disponha também Luís,
B. Borges
De albena a 27 de Junho de 2014 às 16:21
Hi, Bruno! Sorry for writing in English, I do not speak Portuguese nor have I been in Evora. My Dad was on holiday in Portugal and looking at the photos he has taken during his trip, I asked myself the same questions about the small sculptures on the apostles' bases.
You can find the answer for the 6th photo
Here
(http://porterrassefarad.blogspot.gr/2010/12/alguns-exemplos-da-do-judeu-na-arte-em.html) (last picture)

I think you are right about the parallel "good-bad".... and it seems, it's also a lesson: "At the base of each of the apostles small sculptures tell stories. At that time most people didn’t know how to read. So the Church educated the people by sculpting stories on the stonework of its churches, like they were giving a lesson." - http://www2.cm-evora.pt/guiaturistico/Ingles/for_children.htm

As for the gargoyles in general, their grotesque symbolism emphasizes the ecclesiastical understanding for "sin".

Great photos!
Greetings from Greece!
De alcacovas a 9 de Julho de 2014 às 09:49
Hi Albena,
thank you very much for your comments and for the links!
You must visit also our village, Alcáçovas! There are so many interesting historical heritage to visit and beatiful landscape and good trails for a walk.

Greetings from Alcáçovas!
B. Borges
De albena a 9 de Julho de 2014 às 17:33
Thank you, Bruno, I hope to be able to visit your country sometime soon and I've put Alcáçovas in my "must see" list already!
Best wishes,
Albena

Comentar post

Publicado por:

André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

Posts recentes

_

***

“Alcáçovas Vila Global”

Inauguração da obra de Re...

Recordação do nosso Blog:...

Há 6 anos atrás começou a...

Vitória

Um brinde à Arte Chocalhe...

O Fabrico de Chocalhos já...

Mostra de Doçaria de Alcá...

Arquivos

Fevereiro 2019

Outubro 2016

Agosto 2016

Fevereiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Blogs

Pesquisar neste blog