Quinta-feira, 16 de Agosto de 2007

Apontamentos III (Não há nada como um sistema de saúde eficiente!)

Em resultado de uma valente queda vi-me abandonado com um braço partido no Hospital do Espírito Santo em Évora. Quando digo abandonado refiro-me à qualquer tipo de assistência médica, porque graças a Deus a minha família não me faltou e deu-me o conforto e o apoio necessário.

Cheguei ao hospital por volta das 7 horas da manhã, onde encontrei uma sala de espera vazia, pensei logo para os meus botões: pelo menos não vou estar aqui à espera muito tempo. Mal sabia eu o longo calvário que me esperava. Cheio de dores e já com o braço a inchar, lá me sentei na sala de espera. Enquanto esperava descubro que o novo sistema de triagem é feito segundo novo método que se chama sistema de triagem de Manchester. Em que as emergências são catalogadas por uma cor em que vermelho significa Emergente e não há tempo de espera, cor de laranja que corresponde a muito urgente e o tempo de espera pode ir até 10 minutos, amarelo que diz respeito a uma situação urgente e o tempo de espera pode ir até 60 minutos, verde que corresponde a uma situação pouco urgente em que o tempo de espera no limite pode chegar aos 120 minutos e por fim o azul em que o tempo de espera se pode prolongar até aos 240 minutos.

Quase de imediato fui chamado para a triagem. Assim que entro no espaço onde é feita a triagem sou atendido por uma enfermeira que das duas uma, ou é completamente estúpida ou estava farta de estar ali. Muito sinceramente penso que eram os dois factores juntos. Essa senhora que nem se deu ao trabalho de desviar a vista do computador para olhar para mim, enquanto eu cheio de dores me queixava. Parece que não me queixei o suficiente, pois a minha situação fui classificada com uma pulseira verde. Pouco urgente! Pouco urgente, mas o braço doía-me mesmo muito e estava cada vez mais inchado.

Bom mesmo sem concordar com a classificação a que tinha sido sujeito, mas também sem abri a boca para protestar, pois a senhora assim que eu perguntei se aquilo correspondia a pouco urgente perguntou-me se eu não sabia ler e ver as cores que estavam lá fora. Sem qualquer vontade de discutir, pois as dores eram maiores que a indignação lá voltei para a sala de espera.

Quando me sentei nas cadeiras duras e desconfortáveis pensei; “Bom na pior das hipóteses vou aqui estar duas horas. Mas de certeza que ninguém vai deixar aqui um desgraçado com um braço neste estado duas horas!”. Ah, pois não!

Apenas começavam ali três longas horas em que cada segundo parecia uma hora e cada minuto um dia. Como se não bastasse as cadeiras de plástico são péssimas. Qualquer cadeira de esplanada dos cafés são mais confortáveis que aquele monte de plástico em forma de cadeira.

Ao fim de uma hora o braço doía-me cada vez mais e eu estava a ficar insuportável (reconheço), mas ainda fiquei pior quando soube que o médico lá não estava e desengane-se quem pensa que só estava lá eu para a ortopedia. Quis o destino que naquela manhã entre mais velhos e mais novos grande parte dos utentes que estavam naquela maldita sala de espera era para essa especialidade. Uma senhora queixava-se do joelho, outra tinha tido um acidente e estava com dores nos braços e pernas, provavelmente alguns ossos partidos olhando o estado em que lá chegou, outro senhor tinha o pulso partido.

Ao fim de eu lá estar à mais de três horas, lá chega o médico. Mas não era que o homem vinha de veras chateado de se ter de levantar para trabalhar e o atendimento já podem imaginar como foi. Bom eu que já não ia mesmo nada feliz da vida, perguntei-lhe se o sistema de Manchester estava errado e as situações pouco urgentes tinha um tempo de espera de 180 minutos em vez dos 120 indicados no placar ou se ele costumava dar sempre um tempo de espera de três horas para os pacientes pensarem bem se estava mesmo com algum problema. Como devem de imaginar arranjei logo ali um amigo na classe médica.

Lá me mandou fazer RX, depois do RX feito lá voltei ao gabinete do meu novo amigo nessa classe especial da sociedade portuguesa. Mas acham, que o Sr. Dr. lá estava? Qual quê! Já se tinha raspado para tomar o pequeno-almoço. Ali fiquei eu mais uma vez à espera. Mas desta vez em jeito de castigo por me ter queixado das cadeiras fiquei de pé no meio do corredor das urgências. De um lado moribundo a gemerem, do outro um grupo de auxiliares falava alegremente da novela da TVI, e o quanto tinha chorado depois da morte de uma qualquer personagem. Eu não me precisava de beliscar, para saber que não estava a sonhar pois as dores no braço, diziam-me que eu estava bem acordado. Não queria acreditar no que me estava a acontecer. Depois de um farto pequeno-almoço de meia hora, lá chegou finalmente o médico. Gesso para o braço e lá estava eu ao fim de quatro horas a respirar de alivio, por ter a minha situação resolvida. Pensava eu!

Depois de já ter o braço todo cheio de gesso. Diz-me o médico, bom sr. Francisco volte cá no dia 17 para eu lhe tirar isso. Não é preciso dizer que naquele momento vi a minha vida andar para trás. O RX para o qual ele tinha olhado para me por o gesso era de um tal Francisco Almeida. Lá voltei eu para o RX e do RX para o gabinete do médico. Como a situação não se resolvia, ele encontro o caminho mais fácil. Disse-me “isto é seu, as senhoras do RX é que se enganaram no nome”. Resolveu a situação em menos de nada colocando uma etiqueta com o meu nome por cima do nome do tal Francisco.

Vocês acham isto tudo normal? Eu não!

 

 

 

P.S. Continuo a achar, que tudo isto se deve ao facto dos médicos serem uma classe extremamente protegida. Talvez um dia quando as leis do mercado se verificarem entre os médicos e a procura igual a oferta. Os médicos deixem de ser tão arrogantes, sob pena de ficarem no desemprego, ou irem para as caixas de um qualquer supermercado exercer a sua arrogância.


 

rmgv

 

publicado por alcacovas às 21:45
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