Segunda-feira, 13 de Agosto de 2007

Livros (II)




«Eu tinha 22 anos quando Salazar abandonou o governo, em 27 de Setembro de 1968, e 24 quando ele morreu, em 27 de Julho de 1970. (…) Na memória tenho aquela voz característica, com convicção mas ainda clerical e guardando sempre um fundo de pronúncia beirã.» Durante 40 anos, António de Oliveira Salazar comandou os destinos de Portugal. Mais de três décadas após a sua morte, o seu nome continua a suscitar polémica. Defendido por uns, acusado por outros, idolatrado ou odiado, símbolo de uma época de ouro recordada com saudade ou da estagnação e do «atraso português»?»


rmgv
publicado por alcacovas às 22:55
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2 comentários:
De Ana Isabel Água-Morna Braga de Carvalho a 21 de Agosto de 2007 às 15:27
Penso que um dos principais méritos do Professor António de oliveira Salazar foi a tentativa de nos tornar uma nação Patriótica.

«Decididamente, decisivamente, pela Nação, por nós e …até por eles».

«A Nação é para nós sobretudo uma entidade moral».

«Tudo pela Nação, nada contra a Nação».

«Quem não é patriota não pode ser considerado português».

Não percebo também porquê falar-se em estagnação, havia educação, havia cultura também havia era trabalho para todos e condicionantes à liberdade. Mas não teriam essas condicionantes uma certa razão de ser? Afinal o Comunismo que o Estado Novo tentou combater foi o Comunismo que depois da Revolução de Abril se veio a instaurar e penso que ficou comprovado que não funcionava lá muito bem porque se tivesse funcionado hoje seríamos o quê? Uma mini-URSS , uma mini-Cuba ou uma mini-China ? Portanto penso que não se pode tirar toda a razão ao Estado Novo, possivelmente os métodos instaurados para combater a “oposição” não eram os mais correctos, possivelmente não se devia mandar pessoas para fritar no Tarrafal só porque tinham opiniões “diferentes” mas também há que admitir que essas opiniões eram melhor não serem levadas a cabo.
De qualquer das maneiras acho que o regime foi mas longe do que alguém chegou até hoje na defesa do Estado e acho que isso devia ser o principal factor a realçar quando se fala do Estado Novo. Considero mais importante a implementação do espírito Patriótico do que todo a riqueza económica que essa época proporcionou. Hoje em dia considera-se que a época entre 1933 e 1974 foi caracterizada por “estagnação” e “atraso”, eu considero-a caracterizada principalmente por identidade Nacional e orgulho Português. Muitos não concordam com os princípios que vigoravam na altura, será que é com isto que concordam: “O escritor José Saramago afirmou a um diário português que «Portugal acabará por integrar-se em Espanha». A ideia da «união ibérica» é recorrente e, nos últimos tempos, já havia sido trazida à discussão pelo descuidado ministro Lino, também ele adepto de transformar a mais velha nação da Europa em mera província espanhola.”????
Podemos ter ganho algumas coisas com a Revolução mas acho também que perdemos algumas importantes. Os princípios vigorantes nessa época não eram todos de desaproveitar mas nós tentamos esquecê-los mesmo por muito bons que fossem. Com a graça de Deus era impensável que alguém durante o Estado Novo viesse dizer o que acabei de referir que o nosso Prémio Nobel da Literatura disse. Mas não, hoje temos liberdade para o dizer mas podíamos ter compensado essa liberdade com por exemplo ensinar o hino aos pequenos e não nos lembrar-mos só dele durante os campeonatos de futebol, também podíamos ter compensado essa liberdade com o facto de não nos enrolar-mos com bandeiras de Portugal também durante os ditos campeonatos de futebol porque afinal a Bandeira é um Símbolo Nacional.
Há tanta coisa que falta neste País então porque odiar quem tentou fazer algumas delas?
De alcacovas a 22 de Agosto de 2007 às 01:42
Quando comprei este livro a minha principal intenção era conhecer a opinião de alguém que tivesse outro ponto de vista político/económico/social do que foi o salazarismo. Mas também conhecer melhor uma figura tão controversa como foi Salazar. A leitura deste livro proporcionou-me sem dúvida ambas.
No entanto gostaria de fazer algumas considerações ao teu comentário:

1- Quando Salazar chegou ao poder, pôs em prática muitas reformas económico-financeiras, como a diminuição abrupta das despesas do país e a instituição de inúmeras taxas e impostos, desta forma Salazar consegui equilibrar as finanças, o que muitos portugueses consideram um milagre e utilizam para defender a enorme capacidade de Salazar enquanto governante.
2- De facto construíram-se muitas escolas, mas a população era analfabeta. Segundo os dados do INE, na década de 70, 25,7% da população era analfabeta. Em 2001 «apenas» 9,0% dos portugueses eram analfabetos. Logo como dizes e bem, havia educação e cultura, estava era disponível a muito poucos.
3- O trabalho não faltava, mas a mão-de-obra era miseravelmente paga e os direitos sociais dos trabalhadores rurais assalariados, operários eram muito poucos e os que existiam eram completamente controlados pelo Estado.
4- Ainda bem que o golpe militar do 25 de Novembro pôs fim as pretensões de Álvaro Cunhal de instituir um regime comunista no nosso país, subsidiado pela URSS. Os líderes comunistas como Lenine, Estaline, etc. mataram milhões de pessoas e oprimiram e condenaram nações inteiras ao atraso e à miséria. O comunismo não defende a igualdade, defende a miséria.
5- Quando à identidade nacional concordo contigo, hoje à muito pouca identidade nacional e a bandeira portuguesa foi banalizada de uma forma que nunca deveria ser permitido. É importante que qualquer português saiba o nosso hino, no entanto penso que é mais importante que se comece a promover junto dos mais pequenos princípios como os de voluntariado, civismo, solidariedade, etc.
6- Saramago é um excelente escritor, mas deve entender que só é mesmo excelente a escrever livros. Eu leio os livros de Saramago e acredita que gosto mesmo muito de os ler, no entanto a sua opinião política para mim vale zero. Quanto a Mário Lino penso que o seu desempenho enquanto ministro diz tudo. Acredito e por isso irei lutar sempre que Portugal se deve manter independente. Uma nação soberana. Contudo penso que só temos a ganhar em manter uma boa relação política/comercial/económica com Espanha. Pela sua dimensão enquanto mercado e aproveitando sinergias que possam ser geradas pela proximidade
7- O Estado Novo foi um regime que surgiu numa época e num contexto muito próprio. Dirigido pelo um homem que sem sobras de dúvidas era muito inteligente, mas que era um ditador. Como ditador cometeu excessos, condenou o país a uma guerra, que por muito patriótica que tenha sido, estava perdida desde do seu início. No entanto também não tinha outra alternativa se não avançar para a guerra.
8- No concordo com qualquer regime ditatorial, seja ele de esquerda ou de direita. Por isso já mais poderia algum dia concordar com o regime de António de Oliveira Salazar.


Ricardo Vinagre

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André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

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