Sexta-feira, 10 de Agosto de 2007

Aqui Tão Perto (IV)

Castelo de Alvito - Pousada de Alvito

 

Castelo de Alvito

 

O primeiro título de barão em Portugal foi concedido por D. Afonso V, em 1475, a D. João da Silveira, regedor das justiças, chanceler-mor, escrivão da Puridade e vedor da Fazenda do rei, por diversas vezes encarregado de embaixadas juntos de cortes entrangeiras e combatente activo nas tomadas de Tânger e Arzila.

 

Por tal valimento, o rei permitiu ao barão que erguesse um castelo em Alvito, mas haveria de ser o seu filho primogénito, D. Diogo Lobo da Silveira, a iniciar a construção do castelo, reinava já D. João li, conforme ainda hoje se pode ler numa lápide que encima a entrada da fortificação.

 

Existiam em Portugal muitas residências fortificadas e não menos edifícios religiosos, mas não castelos, que por princípio só ao rei pertenciam, pelo menos em termos legais. E, no entanto, o castelo de Alvito seria residência privada, para mais num período de fortíssimo centralismo do poder real como foi o de D. João II (considerado por muitos como o mais importante monarca português), intransigente lutador contra o poderio até aí crescente dos nobres.

 

Teve, portanto, o castelo de Alvito pouca importância em termos puramente militares, não havendo sequer notícia de qualquer movimento bélico. Recebeu, isso sim, numerosos reis e rainhas, como o próprio Príncipe Perfeito, D. Manuel I, D. João III, D. Pedro V, D. Luís e D. Carlos. D. Catarina, mulher de D. João III, foi mesmo mãe neste castelo daquele que, se não tivesse morrido precocemente (com apenas seis anos), teria sido rei de Portugal. Chamava-se Manuel e foi jurado rei em Évora.

 

Como os restantes filhos de D. João III ou não vingaram ou morreram antes do monarca, o trono acabou ocupado por D. Sebastião, filho do nono e último filho do rei. Sabe-se como terminou a vida do Desejado e do problema que causou ao país o seu desaparecimento, também ele precoce. Tivera o príncipe D. Manuel uma vida mais prolongada e talvez os Filipes nunca governassem Portugal...

 

Muitos anos antes, no tempo de D. Afonso III, o seu chanceler-mor, Estêvão Anes, recebeu poder para construir um castelo em Alvito. Existiu, portanto, uma fortificação nesta terra alentejana no século XIII, mas desconhecem-se em absoluto datas, importância e arquitectura.

 

Dois séculos decorridos, ergueu-se finalmente a estrutura palatina que ainda perdura, de planta rectangular com três torreões circulares e um, o da Fonte, de muros rectos e remate semicircular. A noroeste plantou-se a torre de menagem, de sólidas paredes e janelas gradeadas. Este conjunto de elementos puramente militares cede claramente ao carácter residencial, com as janelas manuelino-mudéjares de dupla arcada de ferradura em tijoleira, num sistema de grande valor decorativo.

 

A porta principal foi em tempos servida por ponte levadiça que dava acesso à praça de armas, enquanto do lado sul uma escadaria leva à imponente Sala dos Veados. Destaque também para os aposentos das torres e dos corpos rectangulares, bem como para a capela.

Assaltado pelos liberais em 1834, o castelo entrou em agonia até à intervenção da Fundação da Casa de Bragança, que o cedeu, a título precário, para dar lugar a uma pousada que tomou muito simplesmente o nome de Pousada do Castelo de Alvito.

 

 

Pousada do Castelo de Alvito

 

 

Partindo da recuperação de um peculiar Castelo do séc. XV, nasceu a Pousada de Alvito que presta homenagem à cultura da região, tanto pelo ambiente que proporciona aos seus clientes, bem como pela linha de oferta tradicional de pratos e vinhos regionais que apresenta. Destaque para o jardim, com rega à nora em talha de superfície, projectado no rigor do que eram os espaços agrícolas e de fruição dos castelos medievais.

 

Retirado de   e  

 

Editado por António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 13:13
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Publicado por:

André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

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