Domingo, 28 de Janeiro de 2007

O Atum em vias de extinção!

Nos últimos dias tem-se ouvido falar de mais uma espécie animal em vias de extinção: o atum vermelho (Thunnus thynnus). Um comunicado da World Wild Fund for Nature - WWF (Fundo Mundial para a Natureza), que vem no seguimento de um estudo realizado por cientistas da Califórnia, veio alertar o mundo para a sobrepesca e o rápido declínio desta espécie. Ao que parece, estes cientistas andaram a seguir o rasto de umas centenas de atuns para estudar o seu ciclo natural de reprodução e conseguiram descobrir que nalgumas áreas as reservas de ovas tinham diminuído cerca de 90%; e concluíram que esta rápida delapidação da espécie é o resultado da pesca abusiva, muitas vezes ilegal, e de técnicas de pesca bastante agressivas para o ambiente marinho (como são as pescas de arrastão). Trata-se de um problema a nível mundial e há áreas mais afectadas que outras. No Mar Mediterrâneo, por exemplo, prevê-se o desaparecimento do atum em menos de um ano caso a captura continue ao ritmo a que se tem vindo a registar. E desta vez reforçam que não se tratam de previsões exageradas ou dramáticas.

Uma chatice isto das espécies acabarem…
E daí não viria mal ao mundo dos Homens, mas pesa o facto de esta ser uma espécie bastante apreciada e, por isso, com um valor comercial elevado, que envolve muita gente na sua comercialização. O mesmo acontece com o bacalhau, do qual também se ouviu falar da sua extinção ainda antes do Natal (se bem se lembram).
Não sei muito bem se estes estudos são recentes ou não, ou se tiveram “alguns problemas” em sair cá para fora mais cedo, mas já há mais de dois anos que se ouvia falar que o atum e o bacalhau estavam em vias de extinção. Para sair só agora a notícia é porque o caso está mesmo mal parado.

É cada vez mais frequente ouvirmos falar de espécies que se extinguem ou que estão prestes a extinguir. Estaremos nós mais atentos a estes fenómenos ou estarão eles a ser mais frequentes que nunca?
Parece até que a elevada frequência com que ouvimos notícias destas as começam a tornar banais e, a pouco e pouco, nos vai tornando menos sensíveis a estas questões. Quer dizer, isto da sensibilidade tem muito que se lhe diga. Quando nos toca a nós a “sensibilidade” dispara! Se bem me lembro, quando o Lince Ibérico se extinguiu em Portugal, também há coisa de dois anos (ou pelo menos foi aí que foi anunciado), não houve grande mediatismo em volta disso, e pouco ou nada foi feito para resolver o assunto (se é que ainda haveria alguma coisa a fazer na altura). Mas se se trata de uma espécie que faz parte da nossa alimentação, como são o atum e o bacalhau, aí o caso muda de figura. Até já os governos se reúnem para debater o assunto (o governo japonês em especial)..mas ainda bem que assim é!

Bom, uma coisa é certa: as extinções sempre existiram, e é algo que faz parte da evolução da Terra, mas a verdade é que a rapidez a que este fenómeno acontece nos dias de hoje é de tal ordem elevada que há até quem diga (o secretariado da Convenção de Diversidade Biológica, da ONU) que estamos a assistir à maior extinção de espécies desde o desaparecimento dos dinossauros! Torna-se cada vez mais difícil a convivência harmoniosa entre espécies no planeta porque a raça humana continua a aumentar. Cada vez menos damos espaço e oportunidade a outras espécies para conviverem connosco.
A perda da biodiversidade no mundo é um dos temas debatidos na actualidade, mas ainda são poucos os que se tentam bater com a questão. Andamos todos muito ocupados, é verdade, mas a continuarmos com toda esta desresponsabilização pelo problema incorremos no sério risco de perdermos a diversidade natural que tanto nos apraz. E quando nos dermos conta disso mesmo, poderá talvez ser um pouco tarde. Não consigo conceber um mundo sem diversidade… Seria demasiado monótono e desinteressante..

Mas voltando ao atum…consumam menos atum! Ajudem-no a viver mais tempo e pensem que gostariam de o continuar a comer por muitos e muitos anos e não sigam o conselho que há dias um locutor de rádio teve a infelicidade de dar: “o atum deverá passar a ser espécie protegida. Portanto comam o que puderem enquanto podem!”. Enfim...
A preservação da espécie não implica necessariamente o seu desaparecimento dos supermercados, mas sim uma diminuição da sua captura em determinadas áreas onde ela se reproduz, com vista ao desenrolar normal do seu ciclo reprodutivo e ao posterior aumento de pescado nas áreas em volta.
Por isso, a preservação do atum não passa só pelo o que os governos pensam fazer em relação a isso, mas também um pouco pela atitude de cada um de nós. Uma diminuição do consumo do atum poderá permitir que muitos mais se reproduzam e que a pouco e pouco comecem de novo a aumentar e consigam assim perpetuar da sua existência. E quem fala do atum fala de muitas outras espécies.

B. Borges

publicado por alcacovas às 11:05
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5 comentários:
De anónimo a 29 de Janeiro de 2007 às 14:27
De facto, a extinção das espécies só nos assusta quando toca a nós. O teu artigo é excelente e chama a atenção para um problema que mais tarde ao mais cedo vai chegar às nossas mesas, seja pela falta do bacalhau seja pela falta do atum. Enquanto se gerir stocks e não populações naturais as políticas de pesca estão condenadas ao fracasso. Isto pode ser catastrófico para nós, uma vez que Portugal está no top 5 mundial de consumidores de peixe, ficando apenas atrás de alguns países asiáticos. Só gostava de fazer uma pequena precisão. Oficialmente o Lince Ibérico ainda não está extinto em Portugal. O seu estatuto, segundo o novo Livro Vermelho dos Vertebrados, é de Criticamente em Perigo (os espanhóis continuam a lutar contra a extinção desta espécie, nomeadamente em áreas junto à fronteira portuguesa...).
De alcacovas a 29 de Janeiro de 2007 às 14:55
Obrigado pelo seu comentário. Gostei muito de ler. mas em relação ao Lince ele de facto está extinto..esses livros muitas vezes embelezam um pouco as coisas ou então têm alguma lacuna na informação por não haver rastreio no campo. O lince estaria criticamente em perigo de há 50 anos para cá. Infelizmente acabou mesmo. Há coisa de 2/3 anos apenas se conseguia observar apenas 1 em território português, que é o mesmo que extinto. Não sei se porventura têm andado a introduzir mais indivíduos no nosso território para o recuperar. Em Espanha sim tem sido desenvolvido um enorme esforço em se preservar a espécie. Do que sei, eles contam ainda com 60-70 indivíduos.
Se calhar estou a ser injusto com quem tem lutado pela preservação do Lince em Portugal, porque também sei que ainda se lutou por isso. Mas de facto não tivemos muitos resultados. O problema deve mesmo passar pela falta de apoio do estado e da falta de vontade dos cidadãos em geral.
B.Borges
De alcacovas a 29 de Janeiro de 2007 às 16:28
Interesso-me profundamente por estes assuntos, que nos dizem respeito a todos e de muitas maneiras.
A extinção de espécies não é um fenómeno dos nossos dias. Ao longo da vida da Terra, ao longo de muitas centenas de milhões de anos se extinguiram espécies e foram substituidas por outras, mas o que se passa nos nossos tempos é diferente (?), é uma espécie, o Homem, que está, directa e indirectamente, a destruir tudo à sua volta, espécies animais e vegetais.
E, se egoisticamente destruimos para proveito imediato, estamos a pôr em causa o futuro. E o nosso instinto de persevação da (nossa) espécie deveria prevalecer, mas parece estar a apagar-se.
Não seremos capazes de fazer alguns pequenos sacrifícios para proteger o que temos de bom?
No caso do lince o BB tem razão, a espécie está extinta em Portugal e quase em Espanha, onde estão a fazer um grande esforço para salvar o lince. Julgo que existe um acordo com Espanha que nos permitirá receber alguns linces, um casal ou dois? E a partir desses "progenitores" voltarmos a ter uma população de linces.`
É uma luta muito difícil, quase impossível, pois o "inimigo" é muito poderoso: nós próprios.
Aproveito para lembrar outra luta pela salvação de uma espécie que está em perigo, a águia de Bonnelli.
A população restante desta águia está praticamente localizada em Espanha e em Portugal (uma pequena parte, mas ainda passível de recuperação).
E é uma Associação sediada em Évora, o CEAI, que obteve o apoio a uma candidatura para estudo e recuparação da águia de Bonnelli, que vai empreender a luta pela salvação desta esécie no nosso País. E é no Alentejo que se encontram as melhores condições naturais(habitat) para esta águia.
Gostaria que apoiassemos este projecto, que vissemos a águia de Bonelli como um símbolo desta terra, um símbolo raro, de liberdade, coragem e beleza.
AC
De anónimo a 29 de Janeiro de 2007 às 16:32
A minha leitura práctica é também de que a espécie está extinta. Não queria com a correcção minimizar a questão mas sim chamar a atenção para o que se faz do outro lado da fronteira. Os poucos registos da espécie em Portugal são muito provavelmente de animais provenientes de Espanha o que a impede de considerar oficialmente extinta. Como nós pouco ou nada fazemos para alterar esta situação resta esperar que o programa espanhol de reintrodução do lince ibérico tenha o mesmo sucesso que teve o da cabra-montês. Se hoje temos esta espécie no parque nacional do Gerês aos espanhóis o devemos depois de extinta a cabra do Gerês.

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