Sábado, 27 de Janeiro de 2007

Energias alternativas

O INE publicou algumas das conclusões do estudo feito sobre a evolução dos gases de efeito de estufa e dos compostos que provocam  acidificação.

Para além dos pormenores técnicos ressaltam algumas conclusões que convém reter:

- As emissões de gases de efeito de estufa, nomeadamente o bióxido de carbono aumentam de ano para ano desde 1995, mas há uma alteração importante nas origens destas emissões, a indústria transformadora deixou de ser o principal emissor, revelando aumentos de produtividade, enquanto que as "famílias" pesam cada vez mais no aumento da gravidade deste problema, nacional e mundial.

- Os países desenvolvidos sendo os grandes poluidores tentam travar o crescimento continuo do consumo de combustíveis fósseis e começam (só agora) a procurar a sério energias alternativas.

Se pensarmos que a maior parte dos países estão ainda em fases de desenvolvimento incipientes ou intermédias, o problema torna-se assustador, brutal. Países como a China e a Índia , mais alguns outros mais pequenos na mesma zona da Ásia, com cerca de 50% da população do mundo vão consumir cada vez mais energia. Imaginemos que estes países saltavam de repente para níveis de consumo semelhantes aos da Europa, já para não falar dos EUA. Onde é que iriam encontrar os combustíveis necessários?

Nesta ordem de ideias Portugal , como os outros países europeus, começam (finalmente?) a pensar a sério nas alternativas energéticas, renováveis e não (ou menos) poluentes.

O nosso Governo acabou de anunciar que vai acelerar a participação dessas fontes de energia alternativas no consumo total de energia nos próximos anos. E elege como prioritárias a hídrica e a eólica.

Muito bem, só é pena é que esta decisão (?) venha tão tarde, mas enfim, vale mais agora do que nunca. Mas preparemo-nos para grandes discussões, necessárias, mas que não deverão eternizar-se o que seria catastrófico. A grande questão que se vai discutir é a de pesar os prós e os contras de construir mais barragens nos nossos rios, nomeadamente em regiões de grandes riquezas naturais e até arqueológicas, e também de construir mais torres eólicas em zonas também protegidas ou a proteger.

O dilema é conhecido, o difícil é compatibilizar "interesses" e necessidades. Procuremos minimizar os prejuízos e, tanto quanto possível, procurar algumas compensações. Por exemplo ao fazer uma barragem num rio muito poluído (normalmente mais a jusante ), compensar as perdas ambientais provocadas pela barragem e consequente albufeira com decisões e acções para assegurar a limpeza desse rio, assegurando a despoluição das suas águas até à foz.

Vamos ver e estar atentos.

AC

publicado por alcacovas às 11:29
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5 comentários:
De Moinante a 27 de Janeiro de 2007 às 16:09
Ora aqui está , mais um excelente blog , que eu desconhecia :Bonitas palavras , e de uma força interior , que nos dá gosto ler , sentir , imaginar ...Sim voltarei ...Um óptimo fim de semana .
Convido-te a visitar o meu "ferrolho "
De O Conquistador a 28 de Janeiro de 2007 às 17:09
Amigo, o nosso governo está agora preocupado com as alterações climatéricas devido ao aquecimento global e assim impõe que os portugueses comprem carros menos poluentes, lâmpadas que não desperdissem muita energia, ou seja, como é que nós vamos comprar estes produtos se eles são caros e nós não temos dinheiro suficiente para adquiri-los. Acho quem devia dar o maior exemplo é o Estado Central.
Um abraço
De alcacovas a 28 de Janeiro de 2007 às 19:07
Para Conquistador tem um espírito muito derrotista homem! Um carro não direi, mas as lâmpadas até já se vão encontrando baratas. E tendo em conta que com algumas até se poupa 10 vezes mais na conta da luz, se calhar o investimento é bem aplicado e já não teria que se queixar do dinheiro..

Esta questão das energias renováveis anda sempre na baila, sobretudo porque falamos, falamos e pouco fazemos. Vamos construindo alguns parques eólicos, construindo barragens, comprando alguns equipamentos para a energia das ondas e marés (muito recentemente), e vamos fazendo algumas campanhas (suaves) para ir alertando as pessoas para a poupança. Nunca conseguimos cumprir com metas para com a União Europeia e, já não sei bem como, andam sempre a perdoar-nos esses atrasos (ainda não perceberam que essa é a base do nosso laxismo!).
Não temos a cultura do aproveitamento energético natural, é um facto, e uma mudança neste campo é sempre muito complicada. Não há amigo nenhum meu estrangeiro que não repare nisso assim que cá chega e que me diga logo que não compreende, por exemplo, como é que tendo o nosso país uma das taxas de insolação anual das maiores da Europa, não a aproveitamos com painéis solares; e tendo o nosso país uma linha de costa imensa, com o atlântico agitado a banhar-nos, não aproveitamos quase nada a energia das ondas e marés. Somos preguiçosos e, no fundo, não pensamos no nosso próprio bem estar, ou então vivemos à espera que alguém pense por nós..

Penso que o insucesso que temos vindo a ter até aqui em matéria de aproveitamento de energias renováveis se deve acima de tudo à falta de compreensão em geral (ou teimosia em não compreender) dos seus benefícios. Somos tradicionais (para o bem e para o mal) e preferimos continuar a engordar os senhores donos dos combustíveis fósseis e a emagrecer a Terra, sobreexplorando os seus recursos e poluindo-a.
Não tentamos ir mais além e nem parecemos interessados em tentar traçar uma estratégia que conjugue aproveitamento sustentável dos recursos naturais e desenvolvimento. Seria uma opção muito inteligente, mas que se calhar também iria incomodar muita gente. Então, a pouco e pouco vamos fazendo alguma coisa, se não até começa a parecer mal..

Agora aumentando a escala…tem razão André, deveremos temer o crescimento de países como a China e Índia, mas esses pelo menos mostram-se mais amigos de Kyoto; já os EUA, mantêm-se orgulhosamente como os mais poluidores do mundo e parece que contra eles ninguém nada pode...
O problema do Dióxido de Carbono é já considerado um dos maiores do século XXI para o qual devemos traçar soluções rápidas. Esperemos que o governo pense realmente no problema, e que não tente apenas cumprir com estatísticas.
Abraço,
B.Borges
De alcacovas a 29 de Janeiro de 2007 às 16:49
Caro Bruno,
Gostei de ler e não podia concordar mais. Está muita coisa em jogo e nós não sabemos, ou não temos sabido, aproveitar os trunfos que temos.
E uma nota, a terminar, nem a China, nem a ìndia,mesmo tendo subscrito o Protocolo de Kyoto, podem ou não querem cumprir certas regras.
Só a China poderá ultrapassar os EUA em emissões de bióxido de carbono dentro de 2 ou 3 anos.
Claro que argumentam com a sua popilação e portanto em termos de emissões per capita. E a India vai no mesmo caminho.
O problema está em reduzir as emissões dos países mais desenvolvidos e convencer os emergentes a não seguirem o mesmo caminho daqueles.
Isto implicaria uma espécie de salto tecnológico e social para países com a China e outros.
Será possível?
De alcacovas a 29 de Janeiro de 2007 às 20:53
Impossível não deve ser, mas difícil com certeza. Se outras grandes potências económicas já há muito restabelecidas não dão o exemplo e teimam em não respeitar directivas internacionais, muito menos os que agora querem crescer à força o farão. A menos que queiram fazer um esforço extra para crescer a fazer a diferença. Era bom, mas difícil de acontecer.
Abraço, B.Borges

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André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

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