Quinta-feira, 12 de Agosto de 2010

FESTAS DE SÃO GERALDO 2010

 

Editado por António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 18:43
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Sapo Unha Negra de Alcáçovas

 

Retirado do www.luisquinta.net

 

Editado por António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 18:37
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Viana do Alentejo: Incêndio em Vale Nogueira dominado ao fim de oito horas

 

O incêndio na Herdade de Vale Nogueira no concelho de Viana do Alentejo foi o fogo que mais preocupou os bombeiros durante o dia de ontem no distrito de Évora.
De acordo com o CDOS, o incêndio, que consumiu eucaliptos, sobreiros e pasto, deflagrou às 16:45 de ontem e só foi dominado já passava da 01:00 da manhã de hoje.
No combate às chamas, estiveram envolvidos 57 bombeiros, apoiados por 19 viaturas.
Neste momento, o fogo ainda se encontra em fase de rescaldo e prevenção.

 

Retirado http://www.dianafm.com

 

Editado por António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 18:31
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Breve retrospectiva da Província Dominicana Portuguesa

Honra-se a Província Dominicana de Portugal de ter por seu primeiro religioso um companheiro do próprio S. Domingos, Fr. Soeiro Gomes, uma personagem ilustre e sacerdote virtuoso e sábio. Chefiou o grupo de religiosos que veio para a Península Ibérica e logo tratou de estabelecer a nova Ordem na sua Pátria. Em 1217 já estava em Portugal como Provincial de toda a Espanha. O valor pessoal e a santidade deste e de outros varões ilustres, como o Beato Fr. Gil de Santarém – mais conhecido por S. Frei Gil –, explicam a magnífica aceitação que a Ordem de S. Domingos teve em Portugal. Lembremos que, ainda no século XIII, século da fundação da Ordem, foram construídos os conventos de S. Domingos de Santarém (1218), S. Domingos de Coimbra (1227), S. Domingos do Porto (1238), S. Domingos de Lisboa (1241), Nossa Senhora dos Mártires de Elvas (1267), Nossa Senhora das Neves de Guimarães (1270) e S. Domingos de Évora (1286).

E o número de conventos foi crescendo sempre. Recordemos, no século XIV, o celebérrimo convento de Santa Maria da Vitória (1388), por todos conhecido ainda hoje por Mosteiro da Batalha, e o convento de S. Domingos de Benfica (1399), primeiro da Observância. Vieram depois, no século XV, os conventos de Nossa Senhora da Misericórdia de Aveiro (1423), Nossa Senhora da Piedade de Azeitão (1435), Nossa Senhora da Consolação de Abrantes (1472) e Nossa Senhora da Luz de Pedrógão (1476).

No século XVI fundaram-se mais os seguintes dez conventos em Portugal continental: Nossa Senhora da Serra de Almeirim (1501), S. Domingos de Vila Real (1524), Colégio Universitário de S. Tomás de Coimbra (1539), S. Gonçalo de Amarante (1540), Nossa Senhora da Esperança de Alcáçovas (1541), S. André de Ancede (1559), S. António de Montemor-o-Novo (1559), Santa Cruz de Viana (1561), S. Sebastião de Setúbal (1563) e S. Paulo de Almada (1569).

No século XVIII a Ordem Dominicana ainda experimentou algum florescimento, mas não pôde evitar os efeitos nefastos da decadência geral do país e do ambiente social hostil, com o regalismo político. Todavia, neste século, até à extinção em 1834, ainda se fundaram mais dois conventos, em 1721: o de Nossa Senhora das Neves, em Montejunto, e o de S. Martinho de Mancelos. Com este convento terminou a expansão da Ordem Dominicana em Portugal. Eram ao todo 26 conventos. Por volta de 1750 (84 anos antes da extinção das Ordens religiosas no nosso país), os religiosos dominicanos eram cerca de 693.

 

MISSÕES

A Ordem de S. Domingos nasceu do ideal de cruzada emanado da alma do seu fundador. Ele próprio aspirava a missionar entre infiéis e, com essa intenção, chegou a pedir dispensa do governo da Ordem. Embora não tivesse podido concretizar esse seu veemente anseio, muitas vezes arriscou a vida na sua missionação entre hereges. Todavia, a semente missionária lançada por ele no coração dos seus filhos germinou, cresceu e produziu abundantíssimos e belíssimos frutos.

A época mais brilhante da Ordem Dominicana em Portugal foi, sem dúvida, o século XVI, sobretudo pela extraordinária acção missionária levada a cabo em África e no Oriente. Naquelas longínquas paragens, a actividade missionária e cultural dos dominicanos esteve sempre em estreita dependência da situação religiosa da metrópole. Por isso, também neste século os filhos de S. Domingos levaram longe os fulgores da cultura cristã e das ciências divinas

 

1. África – Expulsos os Mouros do solo português, alargaram os dominicanos a sua acção pastoral a além-mar, mal Portugal iniciou a grandiosa gesta ultramarina. Acompanharam os conquistadores de Ceuta e dali passaram a Tânger onde, em 1546, fundaram um convento. E rapidamente alargaram a sua pregação às regiões da Guiné e aos Reinos do Gabão, do Congo e da Etiópia. 

     Em 1563 encontravam-se os filhos de S. Domingos em Tete, África Oriental. E em 1579 fundavam um convento na ilha de Moçambique. Nesse mesmo ano passaram a Madagáscar. Pelo tempo fora estabeleceram numerosos centros de irradiação missionária por toda a parte, chegando à foz do rio Zambeze. Em 1585, a pedido do Bispo de Malaca, voluntária e alegremente, partia para as missões uma grande leva de dominicanos. Destes, avultado foi o número dos que selaram com o seu sangue o testemunho da fé que pregavam. Os sulcos abertos no solo africano pela acção missionária dos dominicanos, durante dois séculos e meio consecutivos, foram tão profundos que os seus vestígios ainda hoje se conservam.   

2. Oriente – Também o lendário, encantado e extenso Oriente foi teatro de intenso e frutuoso labor dos missionários dominicanos portugueses. Em 1549 fundaram um convento em Cochim, onde já se encontravam desde 1503, com o grande Afonso de Albuquerque. Daqui se conclui que trinta e nove anos antes do grande missionário S. Francisco Xavier chegar à Índia, já por lá "faziam cristandade" os dominicanos.

Continuaram a acompanhar as armadas e fundaram a Congregação de Santa Cruz das Índias, em 1548. O convento principal era o de S. Domingos de Goa, mas o rápido crescimento do número de pretendentes a ingressar na Ordem levou a abrir, em Pangim, o Colégio de S. Tomás, que desempenhou importantíssimo papel na cultura daquela região oriental.

Seria necessário escrever livros e livros para historiar o ingente labor missionário dos dominicanos portugueses no Oriente, bem como para mencionar o número de casas e conventos ali por eles criados. Recordemos apenas que, em 1556 entraram na China, sendo o principal missionário Fr. Gaspar da Cruz, o célebre autor do Tratado das Coisas da China e de Ormuz, primeiro sinólogo europeu. Nesse mesmo ano de 1556, começam os dominicanos a cristianizar Timor, considerado a jóia das missões portuguesas no Oriente. Foi seu primeiro apóstolo Fr. António Taveira. Ali foi profunda a acção missionária dos dominicanos, dando alguns deles, através do martírio, o supremo testemunho da fé que pregavam, como sucedeu, por exemplo, com Fr. Duarte Travaços, Fr. Gaspar Evangelista, Fr. João Baptista e Fr. Simão da Madre de Deus.

A par do testemunho de sangue, não faltou o testemunho de vida santa. Por aquelas paragens do Extremo Oriente, deixaram grande fama de santidade Fr. António da Cruz, Fr. Rafael da Veiga, Fr. João da Costa, Fr. Belchior Dantas, Fr. Simão das Chagas, bem como o Irmão cooperador Fr. Aleixo e muitos outros.

"O estatuto missionário dominicano de 1580 representa o mais antigo e mais completo documento jurídico do século na Ásia" (De Witte).

 

 

EXTINÇÃO DAS ORDENS RELIGIOSAS EM PORTUGAL

A partir de meados do século XVIII, acentua-se a decadência em todos os sectores da Igreja no mundo, e a Europa não constituiu excepção. Em Portugal a Igreja começou a sentir os deletérios efeitos da perseguição, primeiro veladamente e, depois, cínica e claramente: por decreto de 19 de Agosto de 1833, todos os religiosos foram desligados da obediência aos seus Superiores Maiores e estes foram todos depostos; D. José e D. Maria I alcançaram da Santa Sé faculdade para suprimir alguns conventos, quer de frades quer de freiras.

Finalmente, como é do conhecimento geral, por decreto do ministro Joaquim António de Aguiar, datado de 28 de Maio de 1834, foram extintos todos os conventos e casas de religiosos de todo o Reino. Por este triste e nefando decreto, todos os bens das Ordens Religiosas foram usurpados pelo Estado, e os milhares de religiosos, expulsos compulsiva e violentamente, iniciaram a sua peregrinação de miséria, de fome e de morte.

 

RESTAURAÇÃO DA PROVÍNCIA PORTUGUESA

«As portas do Inferno não prevalecerão contra ela» (Mt 16, 18). Dissemos que em 1834, em Portugal, foram extintas todas as casas religiosas. Mas, diz-se, "não há regra sem excepção"; ora, também neste caso – talvez pela valiosa intercessão de S. Domingos! – este ditado se confirma. Com efeito, apesar de declarada a extinção de todas as casas religiosas em Portugal em 1834, a Ordem Dominicana manteve-se sempre viva no nosso país. Porquê? Porque "amor com amor se paga".

No final do século XVI, o apóstata e criminoso Henrique VIII, rei de Inglaterra, empreendeu cruel e devastadora perseguição contra os católicos, atingindo particularmente a cristianíssima Irlanda, súbdita do Trono Britânico. Os católicos irlandeses viram-se forçados a refugiar-se em vários países, entre eles Portugal. Os dominicanos irlandeses bateram à porta dos dominicanos portugueses que os acolheram fraternalmente. Para que os seus Irmãos irlandeses pudessem instalar-se em casa própria, os dominicanos portugueses do convento de S. Domingos de Benfica ofereceram-lhes um terreno nos arredores, onde eles abriram a primeira residência em Portugal. Decorridos alguns anos, instalaram-se definitivamente em Lisboa, no convento do Corpo Santo, muito próximo do Cais do Sodré. Aquela Comunidade de dominicanos refugiados exerceu, até aos nossos dias, extraordinária actividade apostólica e manteve as fraternidades da Ordem Terceira de S. Domingos e as Confrarias próprias da Ordem.

Foi este o único convento – Corpo Santo – que sobreviveu à expulsão dos religiosos em 1834. Como foi possível?, perguntarão, talvez. Dado que a Irlanda é um país súbdito da Inglaterra, ao serem declaradas extintas em Portugal as casas religiosas, a Comunidade do convento do Corpo Santo arvorou a bandeira inglesa. Desta forma, as autoridades portuguesas não ousaram perturbar a vida daqueles religiosos dominicanos que, como veremos de seguida, foram os instrumentos providenciais do início da restauração da Província dominicana portuguesa. 

Um religioso do Corpo Santo, o P.e Fr. Hickey, por 1893, convidou o jovem sacerdote português P.e Manuel Frutuoso, já Irmão Terceiro dominicano, a ingressar na Ordem de S. Domingos, a fim de iniciar a restauração da defunta Província dominicana portuguesa. O P.e Frutuoso atendeu, pronta e zelosamente, a "chamada" do Senhor e, em 18 de Outubro de 1893, começou a sua "missão": vestiu o hábito dominicano e adoptou o nome de Domingos, nome do fundador da Ordem, para manifestar, por certo, a sua firme e resoluta decisão de prosseguir a obra do grande santo do século XIII. Estava lançada a pequenina semente que, como nos diz Jesus, crescendo, se fez árvore (cf. Mt 13, 32).

Seria necessário demasiado tempo e espaço para descrevermos os trabalhos, as dificuldades, as vicissitudes que foi preciso enfrentar e ultrapassar até que "a sementinha crescesse e se fizesse árvore", isto é, até que chegasse o dia 11 de Março de 1962, dia em que, em Fátima, foi restaurada, oficial e solenemente, a Província dominicana de Portugal, com o singular privilégio da presença do próprio Mestre Geral da Ordem, Revmo. Padre Miguel Browne, à data Cardeal preconizado, também ele membro da Província dominicana da Irlanda.

Na verdade – repetimos –, "amor com amor se paga": os dominicanos irlandeses pagaram com amor o amor com que os dominicanos portugueses, cerca de três séculos antes, os acolheram, de braços abertos, em hora tão dolorosa para a martirizada Irlanda católica.

Actualmente (2006), formam a Província Dominicana de Portugal três conventos: o de Nossa Senhora do Rosário, em Fátima; o de Cristo Rei, no Porto; e o de S. Domingos, em Lisboa.

Além destes três conventos, faz parte da Província o Vicariato de Angola com três Comunidades: a de S. Domingos, em Wako Kungo; a de S. Tomás de Aquino, em Luanda, e a de S. Alberto Magno, próximo da Capital angolana.

Fr. Domingos N. Martins, o.

 

http://dominicanos.pmeevolution.com/index.asp?art=6500

 

Editado por António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 18:24
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Quarta-feira, 11 de Agosto de 2010

SCA já tem site

Sport Club Alcaçovense

 

Futebol 11 Seniores

 

Plantel 2010/11

 

Guarda-Redes: Marco e Rui Mendes (ex. Alcacerense)

Defesas: Gansinho, Nelson Miranda, Nuno Maurício, Mochila, Pedro Gomes (ex. Outeiro), Fonseca
Médios: Guerreiro, Nelson Ribeiro, Salsinha, Luís Eira, David Nunes (ex. Sto. António), João Marques
Avançados: Antero, Vitor Patalouco (ex. Sp. Viana), Sérgio Carica (ex. Giesteira), Miguel Candeias (ex. Juniores Juventude Évora), Luís Chibito (ex. futsal Juventde de Évora).

 

http://www.wix.com/alcacovense/wwwwixcomalcacovense

 

Editado por António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 20:10
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Terça-feira, 10 de Agosto de 2010

Um Olhar Sobre Alcáçovas

Alentejo Relevante

 

 

 

Pelo Tempo Fora

 

 

Outono no Alentejo

 

 

O Trabalho Dignifica

 

 

A Velocidade Estonteante do Alentejo Selvagem

 

 

Prisioneiros do Tempo

 

 

Fotos de António Simões em www.olhares.aeiou.pt

 

Editado por António Costa da Silva

 

publicado por alcacovas às 20:26
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Mercedes Blasco

 

Amar Por Amar

 

Não quis nunca saber se aquele que eu amava

era sincero ou não, se era nobre ou plebeu.

Amava-o porque sim, e se não me adorava

e sabia fingi-lo, que mais queria eu?

 

Era a dita suprema de julgar-me querida,

fazer-me pequenina junto a um peito forte

que me cingisse a si, quase a tirar-me a vida

e, se eu morresse assim, bendita fosse a morte.

 

Nunca busquei sondar o recanto das almas,

onde o cachoar, almas tranquilas, calmas,

o mesmo rumo levam e vão dar ao mar.

 

Bendito ou falso, tem o beijo igual sabor,

meu peito nunca amou em troca doutro amor.

Unicamente amei… pelo prazer de amar!

 

Alcaçovas, Alentejo, Portugal, 1870 - 1961

(faz uma notinha menor, na primeira página, do

índice. Cadastra ela em M, em Portugal)

 

Retirado do http://www.jornaldepoesia.jor.br/

 

Editado por António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 20:17
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O forte timbre de Virgílio Maia

 

O forte timbre de Virgílio Maia

 

Timbre é um livro nobre, insígnia da poderosa força de um poeta a marcar-nos com seu ferro e sinal.

 

Afirma Virgílio Maia que latente no homem existe a velha vontade de deixar escrito. O poeta além de deixar escrito faz jorrar dentro de nossa alma a torrente da oralidade. Ecoam vindo do mundo mítico de seus poemas vozes de antanho, aboios dos encourados do sertão-velho, bralhar de animais de montada, alaridos de invasores tiranos, balbucios de umas primeiras gestas barbatãs, o estilhaçar das fagulhas das labaredas e sóis, balidos tristonhos, o caminhar sereno e fragoroso de todas as águas, os chocalhos de Alcáçovas, os gemidos dos carros-de-bois, embalo de redes e ninhos, assobios agudos, epigramas, endechas e elegias... cantadas pela voz dos sinos, flauta dos ventos domingueiros nas palhas dos canaviais.

 

Embalamo-nos pois, nesses poemas do acalanto de vozes e sons vindos do tempo velho em que o sertão foi mar.

 

Timbre traz-nos um mundo já impreciso, esbatido, silencioso, quase fábula. Ele nos chega clássico pela nobreza de suas palavras, imagens de seus pastoreios, tropéis, suas casas protegidas por paliçadas-muralhas e baldrames de madeira-de-lei, seus bichos de pena e casco, seus oleiros e seus cantadores e taumaturgos a palmilharem ínvias veredas, carrascal e caminhos em cruz.

 

Sua sonoridade traz-nos um zumbido que o tempo faz soar.

 

Livro que nos ilumina os sentidos pela força do poeta-trovador Virgílio Maia, a nos fazer percorrer os antigos caminhos dos sertões-de-dentro que a tantos avassala a alma.

 

 

 

Sesmeiro

 

Sesmeiro fui das largas, longas léguas
medidas pelos passos dos meus bois.



Mal começado o século XVIII,
cheguei
à fina areia do Retiro Grande
e fui
seguindo pelo Jaguaribe acima,
pela ribeira,
do Aracati a Passagem de Pedras,
depois de Russas,
até o povo de São João de Varges,
e com mulher e filhos me instalei.



Em dias de agosto de mil e setecentos e quê
por despacho do Capitão-Mor
me foram dadas,
com os olhos d’água todos, por acréscimo,
as terras do Riacho dos Porcos,
dito Amoré na língua do gentio,



pa. suas criaçõins e pa. Sy
e seus herdeiros accendentes e desendentes,
as quais terras lhe dou e concedo,
com todas as agoas
campos testadas
e Logradouro
e mais úteis q nela houveram...,



qual essas terras donos não houvessem.



Então
– e disso alguém já se queixara a El-Rey –,
era o palmo de gato desbravar
o que em infinitas braças foi pensado.



Mas nas terras do Amoré
meus gados acomodei,
os vacuns e os cavalares,
bem logo fazendo erguer
casa-grande com curral,
plantando naquelas glebas,
vendo que frutificava,
toda a minha geração
que pela vida afora há de levar
olhares e feições dos meus Açores.



Tive notícia quando,
à barra do Sitiá, adusta e bela,
se elevaram os baldrames poderosos
de uma altiva capela dedicada
à Senhora da Conceição,
padroeira também de Portugal.
E o bronze do seu sino propagava
intermináveis ecos da fé,
no verão da paisagem desolada.



Em vão testemunhei e bradei contra
as matanças inúteis perpetradas
pelo Regimento do Jaguaribe
– pobre espada cevada em carne de índio.



Ouvi dizer que o Latinista Maia,
clerigo in menoribus,
declamava A Eneida
no mormaço da tardes ocres
de um então nascente Tabuleiro d'Areia,
quando
ensinava latim aos seus alunos,
enquanto,
médico e boticário,
fazia erguer igrejas e fazendas,
pagando piedosas promessas
a uma quase olvidada
Nossa Senhora das Brotas,
mandando vir imagem
da cidade da Bahia,
posto fosse Capitão de Cavalaria.



Tanger, tangi boiadas incontáveis
pelos caminhos que não existiam,
através de caatingas que estremavam
ao Ocidente com sete-estrelo
ou nessas terras chãs dos tabuleiros,
e épsilon de Escorpião traçava o rumo.



As mercadorias vindas por mar
se transportavam em carros-de-bois,
que gemiam e chiavam tristemente,
do Aracati ao Icó.
Depois, em lombo de animal,
por ínvias veredas,
às barrancas do São Francisco,
inçadas de oxítonos topônimos tapuios,
donde iam dar
às catas de ouro das Minas Gerais.



Ao Piauí se iam buscar bois
correndo a Estrada Nova das Boiadas,
atravessando os campos de Uriá,
os formosos partidos de mimoso
de Santo Antônio do Quixeramobim
e o boqueirão do Poti,
topando-se, aqui, acolá,
com coloridas tropas de ciganos,
de destino e furor nunca sabidos.



Nas janelas do oitão,
nos parapeitos dos alpendres,
se riscavam,
a tosco lápis de carpinteiro,
marcas de gado
e se escreviam,
em tímidas quadras,
os balbucios
de umas primeiras gestas barbatãs,
inspiradas por espirituosas
talagadas de porto e de aguardente.



Foi quando um dia por aqui chegaram
esmaecidos rumores
de fato acontecido
numa das Capitanias de Baixo,
onde um moço foi
despedaçado a pata de cavalo
para gáudio da Corte
e caluda geral dos pensamentos.



Mais, havia os chocalhos de Alcáçovas,
de imbatível sonoridade,
as bonitas moedas bem cunhadas
em prata na distante Cuiabá,
que só por segura encomenda
tiniam por estas bandas.



Vi quando chegaram
as galinhas d’angola,
os porquinhos-da-índia,
rebatizados de preás-do-reino,
avivando
o sonho fazendeiro dos meninos
e alucinando
o faro astuto das cadelas prenhas.



Soube, por ouvir dizer,
dos pavorosos crimes praticados
nas disputas de estremas ou de alcovas,
dentre as famílias ditas poderosas, ricas de gerações,
mas espiritualmente tão estéreis.



Sesmeiro fui e mais relembraria,
dessas eras,
que no final, de data, me tocaram
tão só as versejadas verdes léguas,
medidas pelo metro do depois.

 

Retirado do http://www.continentemulticultural.com.b

E http://www.revista.agulha.nom.br

 

Editado por António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 20:12
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Segunda-feira, 9 de Agosto de 2010

Fundações: Ninguém sabe quantas existem nem o dinheiro que receberam do Estado

 

Ninguém sabe quantas fundações existem no país, o que fazem ao certo nem que dinheiro recebem do Estado. A Presidência do Conselho de Ministros (PCM) garante que tem o número - apesar de se recusar a dá-lo - mas a própria Inspecção-Geral de Finanças (IGF) e o Centro Português de Fundações (CPF) assumem que desconhecem o número real e o montante dos subsídios concedidos pelos vários ministérios a estas entidades sem fins lucrativos e que, no caso de serem de utilidade pública, gozam de inúmeros benefícios fiscais.

 

In http://www.publico.pt/

 

Editado por António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 19:57
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Pescarias de outros tempos

Citando as Memórias Paroquiais de 1758, no capítulo da freguesia das Alcáçovas da autoria do reitor doutor Pedro António de Carvalho, temos uma ideia da biodiversidade faunística de outrora da ribeira das Alcáçovas. Ora dizia o cito autor o seguinte:

 

«O rio ou ribeira propria desta villa, que fica da parte do Norte, e dista dela meya legoa, tem o seu principio na freguezia de Sam Braz do Regedouro, termo de Evora...tem dez moinhos de moer pam e não tem mais engenho algum. Suas agoas/p.523/ e pescarias são livres, e não tem senhorio algum.

Os peixes que nele se criam são barbos, bordalos, pardelhas e em alguns annos de Inverno se pescam tambem lampreyas...»

 

Sei que na juventude de meu pai ainda se pescavam na cita ribeira pardelhas. E hoje! Ainda existem algumas destas espécies? É uma pena e um perigo a exploração que o homem faz da Natureza e dos seus recursos. Olhando para o passado também podemos observar, em situações concretas o quão gananciosos e descuidados fomos, permitindo a escassez dos recursos e impossibilitando aos vindouros a oportunidade de vivenciar estes relatos, que agora apenas passam pelas memórias das gentes mais antigas...

 

Frederico Nunes de Carvalho

publicado por alcacovas às 02:19
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Domingo, 8 de Agosto de 2010

Livros

Sinopse

 

Ano de 1187, Hattin (Terra Santa): após derrotar clamorosamente a fina flor do exército cristão, Saladino arrebata aos Francos a Vera Cruz, relíquia das relíquias de toda a Cristandade, o próprio lenho onde Cristo havia sido crucificado e que acompanhava os exércitos ao campo de batalha em todos os combates decisivos.
Morgennes, cavaleiro-monge da ordem dos Hospitalários, nomeado guardião da Vera Cruz, recupera a consciência em Hattin entre um mar de mortos, moribundos e aves de rapina. Capturado e torturado pelos Sarracenos, aceita renegar a sua fé e converter-se ao Islão, para supremo escândalo e desgosto dos seus pares, que o amaldiçoam.
Em busca da própria redenção e da salvação da Jerusalém cristã, ameaçada pelo avanço das tropas de Saladino, Morgennes empreende uma demanda pela Vera Cruz, na esperança de que esta ajude a recuperar o poderio perdido dos Francos.
A aventura, repleta de inimigos e perigos insupeitos, dir-se-ia irremediavelmente votada ao fracasso, mas uma força invisível parece, ao mesmo tempo, guiar, acompanhar e proteger Morgennes. Será ela suficiente para o salvar do Inferno?

 

Ricardo Miguel Vinagre

publicado por alcacovas às 22:56
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Sexta-feira, 6 de Agosto de 2010

FESTAS DE SÃO GERALDO

 

Editado por António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 23:38
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Terça-feira, 3 de Agosto de 2010

Festival Alentejo promete regressar em 2011

 

Um festival perto de nós. Participei nos 3 dias. Espero que volte a ser realizado em 2011.

Preferências:

1 – Peter Murphy;

2 – Waterboys;

3 – CJ Ramone;

4 – Swing Out Sister;

5 – Easyway

6 - Alphaville

É possível ver UB40 nas Festas do Crato (final de Agosto).

A notícia do http://dn.sapo.pt/

A primeira edição do Festival Alentejo - Évora 2010, que terminou domingo com a actuação dos Waterboys, contou com a presença de 'oito a nove mil pessoas', disse hoje o promotor, garantindo que o evento vai regressar em 2011.

Em declarações à Agência Lusa, José Serra, da On Stage, promotora do festival, fez um balanço 'extremamente positivo ao nível das infraestruturas, do agrado das pessoas, e da qualidade dos espectáculos', apesar de ficar 'abaixo das expectativas' em termos de público.

'Ainda não temos bem a ideia do número exacto de público, mas ficou, seguramente, abaixo das nossas expectativas', afirmou, estimando que no total dos três dias do festival 'passaram pelo recinto entre oito a nove mil visitantes', quando eram esperadas cerca de 20 mil pessoas.

O primeiro Festival Alentejo começou sexta-feira com o britânico Peter Murphy como cabeça de cartaz, seguiu-se, no sábado, os alemães Alphaville e terminou, no domingo, com a actuação dos A primeira edição do Festival Alentejo - Évora 2010, que terminou domingo com a actuação dos Waterboys, contou com a presença de "oito a nove mil pessoas", disse hoje o promotor, garantindo que o evento vai regressar em 2011.


'A data para a realização do festival foi marcada em função de outros festivais que já estão implantados no mercado', disse José Serra, admitindo que, 'eventualmente, a data escolhida possa ter sido um dos erros' da organização.

'É uma análise que teremos de fazer para perceber se o problema foi a data', já que foi um fim-de-semana 'de transição para quem ia de férias e para quem vinha de férias', acrescentou.

No entanto, segundo o mesmo responsável, uma nova edição do Festival Alentejo já está prevista para o próximo ano, em local ainda a designar.

'Vamos ter de conversar com os parceiros do projecto e, em conjunto, perceber qual o enquadramento que devemos dar ao festival e que melhoramentos devemos fazer', frisou José Serra, apontando o mês de Junho de 2011 como a data provável para a realização da segunda edição do evento.

O primeiro Festival Alentejo - Évora 2010 envolveu um investimento na ordem dos 400 mil euros, segundo o promotor.

Editado por António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 22:38
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Última actualização do dicionário de lingua portuguesa - novas entradas:

Testículo: Texto pequeno
Abismado: Sujeito que caiu de um abismo
Pressupor: Colocar preço em alguma coisa
Biscoito: Fazer sexo duas vezes
Coitado: Pessoa vítima de coito
Padrão: Padre muito alto
Estouro: Boi que sofreu operação de mudança de sexo
Democracia: Sistema de governo do inferno
Barracão: Proíbe a entrada de caninos
Homossexual: Sabão em pó para lavar as partes íntimas
Ministério: Aparelho de som de dimensões muito reduzidas
Detergente: Acto de prender seres humanos
Eficiência: Estudo das propriedades da letra F
Conversão: Conversa prolongada
Halogéneo: Forma de cumprimentar pessoas muito inteligentes
Expedidor: Mendigo que mudou de classe social
Luz solar: Sapato que emite luz por baixo
Cleptomaníaco: Mania por Eric Clapton
Tripulante: Especialista em salto triplo
Contribuir: Ir para algum lugar com vários índios
Aspirado: Carta de baralho completamente maluca
Assaltante: Um 'A' que salta
Determine: Prender a namorada do Mickey Mouse
Ortográfico: Horta feita com letras
Destilado: do lado contrário a esse
Pornográfico: O mesmo que colocar no desenho
Coordenada: Que não tem cor
Presidiário: Aquele que é preso diariamente
Ratificar: Tornar-se um rato
Violentamente: Viu com lentidão

 

Recebido no mail

 

Editado por António Costa da Silva

 

publicado por alcacovas às 22:26
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Segunda-feira, 2 de Agosto de 2010

Mais um...

.

O governo acaba de criar mais um indispensável organismo para desenvolver a economia social.

Tantos conselhos, institutos, empresas parcerias, tantos para tão fracos resultados. Não precisamos de mais estado, precisamos sim de mais e melhores resultados. 

Não é por se encher o estádio de borlistas e amigos que o jogo melhora. 

A notícia:

O Governo  aprovou a criação do Conselho Nacional para a Economia Social, que terá como objectivo apoiar e incentivar a dinamização e o crescimento da economia social

     De acordo com o comunicado do Governo, este instrumento de carácter    consultivo, de avaliação e de acompanhamento de estratégias e propostas políticas, visa a criação de estruturas e de mecanismos específicos para apoiar e incentivar o exercício da actividade económica e o seu desenvolvimento.

De modo a estimular a economia nacional, o Governo já tinha criado a Cooperativa António Sérgio para a Economia Social - Cooperativa de Interesse Público de Responsabilidade Limitada, concretizado o Programa de Estágios Profissionais INOV-Social e aprovado um conjunto de medidas através do Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Economia Social (PADES).

Com este diploma concretiza-se, assim, mais uma medida de reforço do sector social e que pretende ser um estímulo ao desenvolvimento económico e social do país.

 AC

publicado por alcacovas às 12:49
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Domingo, 1 de Agosto de 2010

CHUMBAR!? NEM PENSAR.

 

 

 

Editado por António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 14:46
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Contentores de lixo, ponto verde

Algumas dicas úteis para quem separa os lixos e os despejam nos respectivos contentores, azul, amarelo ou verde.

Por vezes não sabemos bem onde deitar alguns lixos. E até porque muitas coisas que deitamos fora não devem ir para os contentores referidos.

Alguns exemplos de coisas que não devem ser despejadas nos contentores verdes ou azuis ou amarelos, mas sim nos do lixo geral:

Lâmpadas, vidraças, cristal, copos, espelhos...

Frascos de perfume

Guardanapos, lenços de papel, toalhetes e fraldas

Panelas, tachos, borrachas, couros, cassetes.

Para saber mais e melhor contactem "pontoverde.pt"

AC

publicado por alcacovas às 13:10
| comentar | ver comentários (1)

Publicado por:

André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

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