Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007

Porque ainda tenho dúvidas!

O referendo sobre a IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez) é já no próximo dia 11 de Fevereiro. No entanto eu continuo cheio de dúvidas sobre qual o sentido do meu voto. Como tal apresento algumas das grandes questões que fazem com que eu me sinta nesta indecisão entre o SIM e o NÃO ao aborto.

 

 

 

Porquê votar SIM!

  • Porque penso que a lei actual tem que ser alterada, não se pode mandar para a prisão uma mulher por fazer um aborto. No entanto nenhuma mulher está presa por ter feito um aborto. Dado o facto de todos nós sabermos que se realizam abortos em Portugal, porque é que existe uma lei que ninguém cumprem nem ninguém faz cumprir?
  • Porque o aborto clandestino é um problema de saúde pública, todos os anos muitas mulheres, na sua maioria jovens, chegam as urgências com problemas de saúde que resultam do facto de terem feito abortos de uma forma clandestina. Na maioria das vezes estes abortos são feitos em “locais” sem qualquer tipo de condições sanitárias ou de segurança, resultando em alguns casos na morte da mulher.
  •  O facto de serem as mulheres com menos recursos a serem empurradas para o aborto clandestino, uma vez que quem tem meios financeiros pode com toda a calma contornar a lei do nosso país, para tal basta-lhe passar a fronteira para o outro lado e pagar uma determinada quantia e pronto está o “problema” resolvido. É pois uma questão de equidade social, a despenalização do aborto.
  • Não sejamos ingénuos, realizam-se em Portugal cerca de 20.000 abortos clandestinos todos os anos! Alguém acredita que se a actual lei não for alterada estes vão deixar de existir?
  • Porque acredito que uma mulher que faça um aborto não o faz de ânimo e só o faz em último recurso.

 

 

 

Porquê votar NÃO!

  • O recurso ao aborto é muitas vezes motivado por um conjunto de pressões (sociais, económicas, profissionais, etc.) exercidas sobre a mulher, a liberalização do aborto irá dar ainda mais força a estas pressões. Nesta linha de pensamento o aborto desprotege completamente as mulheres! Existe algumas medidas concretas que protejam as mulheres das pressões para realizarem o aborto? Que eu conheça não!
  • O facto de o aborto já estar contemplando na lei, para situações dramáticas tais como a violação da mulher, existência de má formação do feto que inviabilizem a sua vida futura ou a existência de um perigo de vida real para a mãe, caso leve a gravidez a termo.
  • Porquê a despenalização até as 10 semanas?

“Isto” para mim já é um ser humano! Pois se “isto” for um filho de um familiar ou de um amigo, já é uma criança e todos saltamos de felicidade quando na ecografia o vimos a mexer os pezinhos e as mãozinhas. E afinal ele tem as mesmas 10 semanas que “aquilo” que outros querem matar!

  • A despenalização do aborto pode levar à banalização do mesmo e ao seu aumento. Vamos a números e dados concretos no Reino Unido após a despenalização o número de abortos triplicam, em França antes da despenalização o número de abortos anuais rondava os 60.000 após a despenalização aumentaram para 200.000. (Não aceito o argumento de que este aumento se deve ao facto de não se conseguir estimar correctamente o número de abortos clandestinos!)
  • Segundo o ministro da saúde cada aborto custará ao Estado entre 350€ e 700€. Prevendo-se que os gastos anuais com o aborto estarão entre os 20 e os 30 milhões de euros. No país como Portugal, onde existem listas de espera intermináveis e se verifica um fraco investimento no sistema nacional de saúde, onde parece que nada funciona. Fará sentido canalizar estes montantes para abortos?
  • As opiniões são unânimes, o SNS (Serviço Nacional de Saúde) não tem capacidade para dar resposta a uma media de 20.000 abortos por ano. Dado que uma mulher que quer fazer um aborto não pode ficar em lista de espera, correndo o risco de ser chamada para fazer o aborto quando o filho já tiver dois anos, como é que se resolve o problema das mulheres que não tem meios financeiros para recorrer a uma clínica privada?
  • Onde é que estão salvaguardados os direitos dos homens no meio disto tudo. Um caso pratico: uma mulher engravida e como não deseja ter um filho decide abortar, por outro lado o seu marido/companheiro/namorado que é o pai não concorda e decide que a aquela criança deve nascer. Como a ultima decisão cabe à mulher, ela faz mesmo o aborto e o homem assiste a tudo sem nada poder fazer. No entanto, muito embora não seja ele quem a vai dar à luz, aquele homem era pai de uma criança!

 

 

Este artigo não tenta de forma alguma ser politicamente correcto, tentando agradar aos partidários do não e aos do sim ao mesmo tempo. Pura e simplesmente nele tento colocar questões e dúvidas que fazem com que eu ainda não tenha decidido o meu sentido de voto.

 

 

Ricardo Vinagre

publicado por alcacovas às 03:55
| comentar | ver comentários (3)

Publicado por:

André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

Posts recentes

_

***

“Alcáçovas Vila Global”

Inauguração da obra de Re...

Recordação do nosso Blog:...

Há 6 anos atrás começou a...

Vitória

Um brinde à Arte Chocalhe...

O Fabrico de Chocalhos já...

Mostra de Doçaria de Alcá...

Arquivos

Fevereiro 2019

Outubro 2016

Agosto 2016

Fevereiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Blogs

Visitas a partir de 5/3/2006

Pesquisar neste blog