Terça-feira, 24 de Outubro de 2006

DO BLOG A ALDRABA - O MUSEU DO CHOCALHO EM ALCÁÇOVAS

O Museu do Chocalho em Alcáçovas No concelho de Viana do Alentejo, na lindíssima vila de Alcáçovas, um artesão chocalheiro, apaixonado pelo seu ofício, foi fazendo da oficina um museu.

“Chamo-me João Chibeles Penetra, tenho 75 anos, e nasci em Alcáçovas em…”, assim começa o mestre a sua apresentação e a do museu que criou na própria oficina, para que fique testemunho de uma “arte” que um dia poderá ser devorada pela globalização. “As pessoas vinham visitar a minha colecção de chocalhos e eu, inda bem não, ouvia dizer: há um segredo para fazer um chocalho. E eu um dia deitei-me e veio-me à ideia de mostrar, da primeira fase até à última, como se faz o chocalho, para as pessoas verem que não há segredo nenhum. É preciso aprender-se como se aprende outro ofício qualquer(...)”

 

Pela devida ordem, que por ali não se usa nem nunca se usou a produção em série, automática e anónima, cada chocalho, grande - manga, sem serra, castelhano - ou pequeno – chocalho, campanilha, picadeiro, chocalhinho – tem um percurso próprio, um som exclusivo, como que uma identidade única.

 

Riscar e talhar a folha de ferro – “Eu explico. A gente não vai fazer dois chocalhos, ou cinco chocalhos ou seis chocalhos e dizer assim vou fazer estes chocalhos e saem com aquele som, não senhor, não somos capazes, nem ninguém sabe. A gente calcula a folha que vai aplicar a determinado tamanho de chocalho e põe-lhe o metal, mais ou menos, nuns e noutros; isto não tem peso nem medida, e um calculo da gente, da grande experiência que tem, pode num pôr um bocadinho mais noutro um bocadinho menos, quando está a talhar com a tesoura, não é com aquela medida exacta, e a olho, e portanto, pode cortar mais, pode cortar menos, e quando está a fabricá-lo, a molda-lo, pode-se fechar ou abrir mais a boca, conforme o talhe que se tire e aí oscila logo o som. Para tirar um dúzia de chocalhos com o mesmo som tenho que fazer cem para tirar esses doze com o som mais ou menos igual (…).”

Enrolar, pôr o céu e a asa - "Depois começa-se a moldar - chama-lhe a gente enrolar o chocalho - com o martelo, na bigorna; faz esta composição, dobrou, chama-lhe a gente meter os cantos, que é para fazer a orelha do chocalho onde segura a asa para pendurar, p'ra meter a coleira e segurar ao pescoço do animal. A seguir abre-se um buraco que é para meter o céu, onde se pendura o badalo para fazer tocar o chocalho - a gente corta umas tiras da própria chapa ao tamanho do chocalho que está a fazer. À ponta faz-lhe as pestanas. (…)O nome céu já vem de muito atrás. Uma das vezes vou a uma feira, à feira de Garvão, e há um moiral que olha p'ra mim e diz-me assim: Ó amigo, você sabe qual é o mestre que trabalha mais alto que todos? E pá, eu nunca tinha ouvido isso e disse: não sei, não senhor. Então você não sabe ? Pois claro que não. É o chocalheiro, porque trabalha por cima do céu (do céu do chocalho), quando está a pôr a asa. Portanto o céu está aqui e agora põe-se a asa aqui por cima. (…)” Por as marcas – "A seguir é que se põem as marcas de fabricante ou de casas agrícolas. Esta marca que está aqui é minha, esta outra era do meu pai (…)”

 

 

E ainda: Embarrar. Soldar ou cobrear. Rebolar. Dar água. Temperar ou afinar. Por o badalo – embadalar.

Para terminar, um fecho, fecho de coleira, esta feita à medida aproximada do cachaço ou cabeçorra do animal. “Depois veio a cágueda que é de madeira, que é aí que eu digo que há cáguedas muito bem feitas, cáguedas arrendadas a bico de navalha, feitas pêlos moirais, que nesse tempo quando andavam nos burros e nas éguas tinham tempo para fazer isso tudo e agora é um bocado de pau e pronto! Faziam-nos com raízes de azinheira, que é uma madeira branda antes de ver o Sol, mas depois de trabalhada e de seca é ferro. Foi o próprio vaqueiro que me explicou isto tudo (…)”

 

 

O que aqui se transcreve, é em parte feito a partir do estudo e recolha etnográfica de José Monarca Pinheiro. Mas as palavras, puras e autênticas, repetidas sem enfado nem monotonia ao longo de anos de labor ou na orgulhosa mostra dos variadíssimos exemplares de chocalhos e mangas, são as mesmas que ouvimos do Sr. João Chibeles Penetra, “o Mestre que trabalha por cima do céu”. MPA

Ver  em: http://aaldraba.blogspot.com/2005_03_01_aaldraba_archive.html

Editado por António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 17:20
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Liberdade da imprensa

Índice mundial de liberdade da imprensa da RSF

 

divulgou hoje, 20 de Outubro, o seu índice mundial de liberdade de imprensa, no qual é visível uma tendência de agravamento das pontuações dos países ocidentais, inclusive Portugal, o que denota condições mais difíceis para o exercício do jornalismo.

 

Embora os primeiros lugares da tabela sejam ocupados por países do Norte da Europa, mais abaixo há casos preocupantes, como a França, que desceu 11 posições e está agora no 30º posto, em grande parte devido a buscas em redacções, interrogatórios a jornalistas e a introdução de novas ofensas de imprensa na lei, ou ainda a Espanha (40º) ou a Itália (42º).

 

 

Quanto a Portugal, ocupa o 23º lugar e é o 17º entre os 25 países da União Europeia. Este posto representa uma subida de dois lugares em relação a 2004 devido à descida de outros países, mas a pontuação portuguesa piorou relativamente ao ano passado, facto a que não será alheia a condenação judicial de Manso Preto, a 10 de Dezembro de 2004, por defender o sigilo profissional.

O ataque ao direito de protecção das fontes foi também a razão que levou o Canadá a descer duas posições, ocupando agora o 21º lugar, enquanto a prisão de Judith Miller e as movimentações legais para minar a privacidade das fontes nos Estados Unidos valeram a este país uma queda de 22 lugares até ao 44º posto.

Os Estados Unidos têm ainda direito a uma segunda presença na listagem, no 137º posto, em virtude da sua actuação no Iraque, país que ocupa o 157º lugar do índice, à frente de Vietname, China, Nepal, Cuba, Líbia, Birmânia, Irão, Turcomenistão, Eritreia e da Coreia do Norte, última classificada.

Entre os países de língua oficial portuguesa, todos subiram ou mantiveram as suas posições no índice: Cabo Verde é 29º, Moçambique 49º, Timor-Leste 58º, o Brasil 63º, a Guiné-Bissau 71ª e Angola 76ª. São Tomé e Príncipe não consta do índice elaborado pela RSF.

 

 

Portugal tem uma boa posição. Sinal de democracia, que devemos preservar, melhorar e honrar. Chamo também a atenção para a posição da Coreia do Norte e doutros países com regimes semelhantes.

A nossa democracia tem, sem dúvida, muitos defeitos, mas é o melhor, como sistema, que se arranja.

AC

publicado por alcacovas às 11:17
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Segunda-feira, 23 de Outubro de 2006

O SCA e o futebol

Esta semana a nossa equipa sénior descansou.

Em vez de pensar no resultado dei-me a pensar no nosso SCA, no futebol, ou melhor nos diversos "futebois" que temos.

No profissional, no amador e no "meias-tintas".

No profissional, como todos sabemos, o dinheiro comanda, quer às claras, quer às escuras.

Tudo se paga, tudo se compra. Os clubes, os jogadores, os árbitros, os dirigentes.

Paga-se, às claras, legalmente e não só.

É o futebol espectáculo, de maior ou menor qualidade. Mas, de certo modo, vai ou paga quem quer.

O que pedimos é ver bom futebol, ver ganhar a nossa equipa. Apreciamos o bom profissional, que entra a horas, não falta e faz sempre o seu melhor.

Depois temos o futebol amador, a 100%, como no SCA. Aqui joga-se pelo prazer da prática, pelo companheirismo. Cada um faz o que pode, com maior ou menor empenho. Lembro-me dos meus tempos de praticante, sempre amador (muitas vezes ajudava a pagar as despesas da equipa). Eu ia por gosto, adorava, ficava triste quando não podia jogar. Joguei rugby, universitário, campeonatos de Lisboa e de Portugal e futebol universitário.

Jogava por puro prazer, convivia com os meus companheiros, éramos amigos. Por vezes jogávamos bem e ganhávamos ou perdíamos, outras vezes jogávamos mal.

Tudo suportávamos e seguíamos em frente. Só uma ou duas coisas nos entristeciam: os espectadores, quando do nosso clube, ou os nossos dirigentes.

Com os dirigentes, discutíamos se fosse caso para isso, mas felizmente os que conheci foram quase sempre impecáveis, afinal eles também eram amadores como nós. Já os espectadores, se eram dos nossos, deram-nos alguns desgostos, raros, felizmente.

A maioria entendia que todos estávamos ali, a jogar ou a ver, para nos divertirmos e não para "exigir".

Por fim temos os "meias-tintas", que não são nem profissionais, nem amadores. São mais uma espécie nascida para encher alguns "egos" ou para tentar ser mais do que os outros, fingindo, enganando.

Até sem más intenções. Mas, como quase sempre as "meias-tintas" são um produto de segunda classe, quer perante os profissionais, quer perante os amadores.

Espero que o nosso SCA nunca abandone o seu amadorismo, guarde-o com convicção e faça o melhor possível.

AC 

publicado por alcacovas às 14:46
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Coreia do Norte

Felizmente vivemos num país onde podemos expressar, por escrito ou pela palavra, tudo o que pensamos.

Assim venho manifestar a minha "tristeza" pelas manifestações da apreço do PCP ao regime da CN

Independentemente das políticas pró e contra blocos deste e daquele lado, não vejo que uma ditadura feroz, que mais parece uma monarquia absoluta do pior estilo do que um regime comunista.

Será que na CN se praticam os ideais do comunismo'

Se como o nosso PC diz, ou parece dizer, que apoia o regime comunista da CN, então fico "assustado" e surpreendido.

Felizmente que já algumas vozes de comunistas ilustres se fizeram ouvir criticando a atitude do PC.

AC 

publicado por alcacovas às 13:29
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Records

Mais um record a propósito do falecimento do homem mais pequeno do Mundo.

Nelson de la Rosa, da Republica Dominicana, morreu com 39 anos.

Tinha 54 cm de altura.

 

AC

publicado por alcacovas às 13:25
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Domingo, 22 de Outubro de 2006

AINDA BEM QUE É DOMINGO...

Da janela vejo gotas grossas de um tempo melancólico, num mesmo dia em que o tempo também é menor. Um dia assim torna-se mais lento.

 

Dá prazer ver a natureza com a sua potência a invadir todo o espaço. Por vezes mete medo, e ainda assim nada nos desperta. Uma espécie de melania atmosférica mal nos deixa sair de casa, até não é nada mau.

 

Em poucos meses vimos Alcáçovas transformar-se duma nívea paisagem para uma luz abrasadora, agora, a negrura encontrou a sua era. Espera-nos São Martinho para voltarmos a ter verão. Enfim, nunca estamos satisfeitos!

 

As ribeiras e as barragens devem estar belas, os pastos preparam-se para brotar novas e frescas plantas, muitos seres vivos vão banquetear-se neste período. Afinal, vale mesmo a pena.

 

Este tempo ainda vai durar uns dias…

 

 

 

António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 22:20
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Sábado, 21 de Outubro de 2006

PAUL CÉZANNE

Mardi Gras Art Print by Paul Cezanne Pines and Rocks, c.1897 Art Print by Paul Cezanne

Faz 100 anos que morreu o impressionista Paul Cézanne.

Editado por António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 16:29
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Memória presente...

Retirado do http://pitecos.blogs.sapo.pt/

Editado por António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 16:13
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UM CONSELHO DE LEITURA

O Último Cabalista de Lisboa
de Richard Zimler

Editora: Livros Quetzal - Sociedade de Editores Livreiros

 

Deste livro já tinha apresentado uma história



Sinopse: Um humilde pastor persa do século XIII, Beremiz Samir, exímio no exercício da arte de calcular, é o protagonista deste livro. O enredo ambienta-se no exotismo do Médio Oriente, mesclando aspectos da cultura islâmica, da herança grega e de outras grandes culturas com curiosidades da matemática e reflete com fascinante realismo o clima filosófico, religioso e social da época. No universo narrativo são integrados curiosos problemas e enigmas matemáticos e lógicos, aparentemente complicados mas sempre iluminados pela simplicidade dos raciocínios que lhes proporcionam solução, desvendados por Beremiz, o personagem com habilidade e raciocínio lógico. A acção termina com a tomada de Bagdad pelos mongóis, no ano de 1258 da nossa era, marco histórico que assinala o fim da hegemonia árabe no Médio Oriente.


O leitor aprende a matemática pela história, e a história pela matemática.

Editado por António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 12:51
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NOITE DE FADOS NO SCA

Durante os próximos dias vai encontrar os cartazes referentes à noite de fados, que vai ser realizada no dia 4 de Novembro, no Salão Multiusos so SCA.

 

Os bilhetes poderão ser adquiridos nas instalações do clube (bar) e através dos próprios atletas, treinador,  massagista e directores.

 

TRATE DE MARCAR O SEU LIGAR, ANTES QUE OS BILHETES ACABEM.

 

A Direcção

António Costa da Silva

 

publicado por alcacovas às 12:40
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CAMPEONATO DE ESCOLAS E INFANTIS

Resultados dos campeonatos de Escolas e Infantis.

 

Os nossos Infantis jogaram fora frente ao Juventude e perderam por 8-2.

 

Quanto à Escolas perderam frente ao Redondo por 10-4.

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FAIR PLAY no final do jogo.

 

Aspectos mais importantes:

 

Negativos:

 

 - Má primeira parte das duas equipas: ambas as equipas estavam a perder por 6-0 ao intervalo;

- Três autogolos sofridos pelos infantis. Coisas que acontecem.

 

Positivos:

 

 - Duas excelentes segunda partes: os infantis conseguiram o 2-2 e as escolas 4-4.

 

Realço um dado que me parece interessante. O Redondo tem um jovem atleta nas suas Escolas, de nome Fábio Miguel, do qual tenho a convicção que irá ser uma vedeta do Futebol.

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Este atleta tem uma forte habilidade e grande inteligência táctica. Para além de uma técnica individual já bastante desenvolvida, tem uma visão de jogo fora do normal para a sua idade.

 

Deixo o registo, porque daqui a alguns anos vamos vê-lo a jogar num clube da primeira divisão nacional.

 

A Direcção.

 

António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 12:34
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Sexta-feira, 20 de Outubro de 2006

Para onde vai a blogosfera?

A reitoria da Universidade do Porto recebeu o 3.º Encontro Nacional sobre Weblogs. Em análise esteve um dos mais populares fenómenos da Internet.

 

rmgv

publicado por alcacovas às 23:19
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"Encontrado bebé abandonado à porta da câmara"

"Infelizmente, abandonar bebés deixou de ser novidade. Pois é. Calhou que um deles foi deixado à porta da Câmara Municipal, ao amanhecer. Ao tomar conhecimento do facto, o Sr. Presidente emitiu a seguinte ordem interna:

De: Presidente
Para: Sr. Director dos Recursos Humanos
Acusamos a recepção de um recém-nascido de origem desconhecida.
Formem uma comissão para investigar:
a) se o recém nascido é produto interno desta autarquia;
b) se algum funcionário está envolvido no assunto.

Após um mês de investigação, a comissão enviou ao director a seguinte mensagem:

De: Comissão de Investigação
Para: Sr. Presidente

Após quatro semanas de intensa investigação concluímos que o bebé NÃO PODE SER PRODUTO DESTA AUTARQUIA, pelos seguintes motivos:

  1. Com os baixos salários pagos aos funcionários, aqui nada se faz com prazer e amor;
  2. Nesta autarquia há muitos anos que duas pessoas não colaboraram tão estreitamente entre si;
  3. Aqui nada se faz com pés e cabeça;
  4. Na nossa autarquia não é possível fazer nada que fique concluído em menos de um ano."

Roubado ao Mais Évora http://maisevora.blogspot.com/

Editado por António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 21:38
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Sugestões de Leitura

 

 

   

 

rmgv

publicado por alcacovas às 21:38
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LIÇÃO Nº 1

Dois funcionários e o respectivo chefe de uma empresa saem para almoçar e na rua encontram uma antiga lâmpada a óleo. Esfregam a lâmpada e, de dentro dela, sai um génio que diz:

- Eu só posso conceder três desejos, e como tal, concederei um a cada um de vocês.
- Eu primeiro, eu primeiro! - grita um dos funcionários.
- Eu quero estar nas Bahamas dirigindo um barco, sem ter nenhuma preocupação na vida!

Pufff!!! e ele se foi.

O outro funcionário apressa-se a fazer o seu pedido:" Eu quero estar nas Caraíbas, com o amor da minha vida e um fornecimento interminável de margueritas!"

Pufff!!! e ele se foi.

- Agora tu, diz o génio para o chefe.
- Eu quero aqueles dois de volta ao escritório logo depois do almoço!

Moral da História: Deixa sempre o teu chefe falar primeiro

 

Retirado ao Obvious

 

Editado por António Costa da Silva

 

publicado por alcacovas às 21:21
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FOTOGRAFIAS DA NATIONAL GEOGRAPHIC

Ganges River, Varanasi, India, 1996
Photograph by Steve McCurry
 
 
Perpignan, France, 1998
Photograph by Penny De Los Santos
 
 
Djado, Niger, 1997
Photograph by George Steinmetz
 
 
Baalbek, Lebanon, Date Unknown
Photograph by George F. Mobley
 
 
Baghmati River, Kathmandu, Nepal, 1986
Photograph by James P. Blair
 
 
Mount Edziza Provincial Park, Canada, 2005
Photograph by Kevin Burke
 
Editado por António Costa da Silva
 
 
publicado por alcacovas às 21:07
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CARTA ABERTA AO ENGENHEIRO JOSÉ SÓCRATES

Esta é a terceira carta que lhe dirijo. As duas primeiras motivadas por um convite que formulou mas não honrou, ficaram descortesmente sem resposta.

A forma escolhida para a presente é obviamente retórica e assenta NUM DIREITO QUE O SENHOR AINDA NÃO ELIMINOU: o de manifestar publicamente indignação perante a mentira e as opções injustas e erradas da governação.


Por acção e omissão, o Senhor deu uma boa achega à ideia, que ultimamente ganhou forma na sociedade portuguesa, segundo a qual os funcionários públicos seriam os responsáveis primeiros pelo descalabro das contas do Estado e pelos malefícios da nossa economia. Sendo a administração pública a própria imagem do Estado junto do cidadão comum, é quase masoquista o seu comportamento.


Desminta, se puder, o que passo a afirmar:


1.º Do Statics in Focus n.º 41/2004, produzido pelo departamento oficial de estatísticas da União Europeia, retira-se que a despesa portuguesa com os salários e benefícios sociais dos funcionários públicos é inferior à mesma despesa média dos restantes países da Zona Euro.


 2.º Outra publicação da Comissão Europeia, L?L?Emploi en Europe 2003, permite comparar a percentagem dos empregados do Estado em relação à totalidade dos empregados de cada país da Europa dos 12. E o que vemos?

Que em média nessa Europa 25,6 por cento dos empregados são empregados do Estado, enquanto em Portugal essa percentagem é de apenas 18 por cento. Ou seja, a mais baixa dos 12 países, com excepção da Espanha.


As ricas Dinamarca e Suécia têm quase o dobro, respectivamente 32 e 32,6 por cento. Se fosse directa a relação entre o peso da administração pública e o défice, como estaria o défice destes dois países?

3º. Um dos slogans mais usados é do peso das despesas da saúde. A insuspeita OCDE diz que na Europa dos 15 o gasto médio por habitante é de 1458. Em Portugal esse gasto é . 758. Todos os restantes países, com excepção da Grécia, gastam mais que nós. A França 2730, a Austria 2139, a Irlanda 1688, a Finlândia 1539, a Dinamarca 1799, etc.


Com o anterior não pretendo dizer que a administração pública é um poço de  virtudes. Não é. Presta serviços que não justificam o dinheiro que consome. Particularmente na saúde, na educação e na justiça. É um santuário de burocracia, de ineficiência e de ineficácia. Mas infelizmente os mesmos paradigmas são transferíveis para o sector privado. Donde a questão não reside no maniqueísmo em que o Senhor e o seu ministro das Finanças caíram, lançando um perigoso anátema sobre o funcionalismo público. A questão reside em corrigir o que está mal, seja público, seja privado. A questão reside em fazer escolhas acertadas. O Senhor optou pelas piores. De entre muitas razões que o espaço não permite, deixe-me que lhe aponte duas:


1.º Sobre o sistema de reformas dos funcionários públicos têm-se dito barbaridades. Como é sabido, a taxa social sobre os salários cifra-se em 34,75 por cento (11 por cento pagos pelo trabalhador, 23,75 por cento pagos pelo patrão ).



           OS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS PAGAM OS SEUS 11 POR CENTO.


Mas O SEU PATRÃO ESTADO NÃO ENTREGA MENSALMENTE À CAIXA GERAL DE APOSENTAÇÕES, COMO LHE COMPETIA E EXIGE AOS DEMAIS EMPREGADORES, os seus 23,75 por cento. E é assim que as "transferências" orçamentais assumem perante a opinião pública não esclarecida o odioso de serem formas de sugar os dinheiros públicos.


Por outro lado, todos os funcionários públicos que entraram ao serviço em  Setembro de 1993 já verão a sua reforma ser calculada segundo os critérios aplicados aos restantes portugueses. Estamos a falar de quase metade dos activos. E o sistema estabilizará nessa base em pouco mais de uma década.


Mas o seu pior erro, Senhor Engenheiro, foi ter escolhido para artífice das iniquidades que subjazem á sua política o ministro Campos e Cunha, que não teve pruridos políticos, morais ou éticos por acumular aos seus 7.000 Euros de salário, os 8.000 de uma reforma conseguida aos 49 anos de idade e com 6 anos de serviço. E com a agravante de a obscena decisão legal que a suporta ter origem numa proposta de um colégio de que o próprio fazia parte.


2.º Quando escolheu aumentar os impostos, viu o défice e ignorou a economia. Foi ao arrepio do que se passa na Europa. A Finlândia dos seus encantos, baixou-os em 4 pontos percentuais, a Suécia em 3,3 e a Alemanha em 3,2.


3º Por outro lado, fala em austeridade de cátedra, e é apologista juntamente com o presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, da implosão de uma torre ( Prédio Coutinho ) onde vivem mais de 300 pessoas.

Quanto vão custar essas indemnizações, mais a indemnização milionária que pede o arquitecto que a construiu, além do derrube em si?


4º Por que não defende V. Exa a mesma implosão de uma outra torre, na Covilhã ( ver ' Correio da Manhã ' de 17/10/2005 ) , em tempos defendida pela Câmara, e que agora já não vai abaixo? Será porque o autor do projecto é o Arquitecto Fernando Pinto de Sousa, por acaso pai do Senhor Engenheiro, Primeiro Ministro deste país?

Por que não optou por cobrar os 3,2 mil milhões de Euros que as empresas privadas devem à Segurança Social ?

Por que não pôs em prática um plano para fazer a execução das dívidas fiscais pendentes nos tribunais Tributários e que somam 20 mil milhões de Euros ?

Por que não actuou do lado dos benefícios fiscais que em 2004 significaram 1.000 milhões de Euros ?

Por que não modificou o quadro legal que permite aos bancos, que duplicaram lucros em época recessiva, pagar apenas 13 por cento de impostos ?

Por que não renovou a famigerada Reserva Fiscal de Investimento que permitiu à PT não pagar impostos pelos prejuízos que teve no Brasil, o que, por junto, representará cerca de 6.500 milhões de Euros de receita perdida ?

A Verdade e a Coragem foram atributos que Vossa Excelência invocou para se diferenciar dos seus opositores.


QUANDO SUBIU OS IMPOSTOS, QUE PERANTE MILHÕES DE PORTUGUESES GARANTIU QUE NÃO SUBIRIA, FICÁMOS TODOS ESCLARECIDOS SOBRE A SUA VERDADE.


QUANDO ELEGEU OS DESEMPREGADOS , OS REFORMADOS E OS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS COMO PRINCIPAIS INSTRUMENTOS DE COMBATE AO DÉFICE, PERCEBEMOS DE QUE TEOR É A SUA CORAGEM.


               Santana Castilho (Professor Ensino Superior)

 

Editado por António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 18:42
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O CEAI procura um técnico

Conservação das Populações Arborícolas de Águia de Bonelli em Portugal

Projecto LIFE-Natureza - LIFE06 NAT/P/000194

 

Vaga para Assistente Técnico

 

Funções a desempenhar

§    Selecção, negociação e celebração de contratos de compra e venda de árvores importantes para a espécie alvo, em colaboração com as associações de produtores florestais parceiras e a assessoria jurídica do projecto.

§    Negociação e celebração de contratos de gestão, em colaboração com as associações de produtores florestais parceiras e a assessoria jurídica do projecto.

§    Apoio técnico a proprietários, gestores florestais e cinegéticos, em colaboração com as associações de produtores florestais parceiras, relativamente à gestão florestal e cinegética, visando a conciliação entre estas e a conservação da Águia de Bonelli e seus habitats; e à informação, candidatura e utilização de instrumentos comunitários relevantes para o projecto.

§    Colaborar na elaboração do Manual de Boas Práticas Florestais e Cinegéticas das áreas de ZPE abrangidas pelo projecto.

§    Colaborar no controlo e vigilância, no terreno, das áreas de maior sensibilidade para a Águia de Bonelli, com vista à prevenção de ameaças directas e impactos negativos sobre o seu habitat.

 

Perfil do candidato

§    Formação universitária em ciências agrárias ou sociais e/ou larga experiência no contacto com proprietários e gestores do meio rural, de preferência no âmbito de projectos de cariz ambiental.

§    Boa capacidade de comunicação em ambientes sócio-culturais do meio rural, previlegiando-se experiência nas áreas de realização do projecto (Alentejo e serras algarvias).

§    Conhecimentos de gestão florestal e cinegética e familiaridade com a correspondente problemática ambiental e económica.

§    Boa capacidade de trabalho de campo em condições de terreno difíceis e por períodos prolongados.

§    Valoriza-se experiência de participação em projectos de conservação da fauna ameaçada.

 

Outros requisito:

§    Carta de condução e experiência de condução de veículos todo-o-terreno em áreas acidentadas.

§    Disponibilidade a partir de 13 de Novembro de 2006.

 

Regime de contratação

Contrato de trabalho por 1 ano, renovável até ao limite de 45 meses.

 

Dossier de candidatura

Os dossiers de candidatura deverão incluir uma carta de motivação, um Curriculum Vitae, cópias de diplomas e estágios e pelo menos 2 cartas de referência. Devem ser enviados por correio com a data limite de entrada de 31 de Outubro 2006, para o CEAI, Rua do Raimundo, 119, Apartado 535, 7002-506 Évora, ou de preferência até 3 de Novembro por e-mail para o endereço bonelli@ceai.pt, referindo o assunto "Candidatura Assistente Técnico".

 
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publicado por alcacovas às 17:18
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Vergonha!!!

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No sentido Estação das Alcáçovas - Alcáçovas , do nosso lado direito, mais precisamente no principio da recta maior deste troço de estrada existe um pequeno desvio para os carros pararem, e aí podemos encontrar esta autentica VERGONHA ao qual os carros de recolha do lixo da Câmara Municipal de Viana do Alentejo teimam em não recolher. Porque ? Não sei. Mas faço aqui o apelo para que esta autentica imundice seja recolhida o mais depressa possível para bem de todos.

P.S.- Esta "mini" lixeira já se encontra naquele local há bastante tempo.

Fotos:Alexandre Santos

Alexandre Santos

in: http://conversastrocadas.blogs.sapo.pt

Decidi publicar aqui estas fotos e o texto do Alexandre pois mostram uma realidade muito triste e que a todos nós diz respeito.

 Faço minhas as palavras do Alexandre e apelo às autoridades competentes para que resolvam este problema o mais rápido possível.

 

rmgv

publicado por alcacovas às 14:21
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Quinta-feira, 19 de Outubro de 2006

AINDA SOBRE A REFERIDA LEI DAS FINANÇAS LOCAIS

A discussão sobre a Lei das Finanças Locais não tem a ver com meras questões de retórica, porque os efeitos práticos provocados pela mesma vão ser catastróficos.

 

Ricardo, deves seguir precisamente o teu próprio conselho, ou seja, deves ler a Lei, estudá-la e reflectir sobre o que dela se extrai e os efeitos que dali derivam. Logo que isso esteja ultrapassado, apresenta então a tua opinião. Provavelmente irás concordar com o texto que escrevi.

 

Sobre as questões abordadas pelo David e pelo Ricardo, nomeadamente no que respeita ao programa e ao outro lado da discussão, mais especificamente à qualidade dos autarcas, não me parece que seja o principal tema. Isso, daria a outro tipo de discussão.

 

Neste caso, não me parece justo transformar a vítima em réu e o réu em vítima. Tal como num post aqui, claramente demonstrado, tem sido essa a especialidade deste Ministro, nomeadamente no que toca às suas “excelentes relações” com o meio jornalístico.

 

Repito, o que para mim é importante é discutir esta Lei. Pelos aspectos que indiquei no post anterior, esta vai ser extremamente penalizadora ao meio rural.

 

Se lhe juntarmos outros ingredientes, então ainda se torna mais dramática. Ao meio rural, pequenas aldeias e essencialmente no interior do País, estamos a retirar cada vez mais instituições e meios que são decisivos para a sua sobrevivência, como por exemplo o encerramento de Maternidades, de Postos e Centros de Saúde, o encerramento de Escolas, o encerramento de postos da GNR, o encerramento dos GAT – Gabinetes de Apoio Técnico, o encerramento das Zonas Agrárias, etc, etc. Com políticas que privilegiam apenas o litoral e os grandes centros urbanos, está provado que são uma má opção. Infelizmente tem sido essa a prática de muitos Governos.

 

Esta Lei, complementada com estas questões e reforçada com falta de políticas que promovam o desenvolvimento rural e o desenvolvimento regional, sobretudo no interior do País, parece-me que, nada de bom trazem para o nosso futuro. Espero estar enganado.

 

 

António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 22:00
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André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

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