Terça-feira, 31 de Outubro de 2006

Os dias estão mais curtos

                
Enquanto o sol continua a sua marcha em direcção ao hemisfério sul, para dar um luminoso e quente Verão aos que vivem de “cabeça para baixo”, nós por cá vamos tendo os dias cada vez mais curtos e a pouco e pouco também mais frios. Estamos a caminhar para o Inverno e este é o ciclo natural do tempo.
Mas, não contente com o encurtar natural das horas de luz diárias, alguém se lembrou que poderíamos ainda mexer nos relógios e tirar mais uma hora de luz ao dia. Bom, tirar não é bem o termo, é mais passar uma hora de luz da tarde, que muito me apraz, para a manhã, para as horas em que grande parte de nós ainda está a dormir. Enfim, escolhas…eu cá prefiro ter uma tarde maior e uma manhã mais curta…mas também não se trata de uma escolha… prefira eu ou não uma tarde mais longa a verdade é que não tenho hipótese de optar. Alguém se lembrou de optar por todos nós. Existe uma lei, que vem no seguimento de uma directiva comunitária, que nos diz que a hora legal em Portugal continental (Decreto-Lei nº. 17/96, de 8 de Março) e na Região Autónoma da Madeira (Decreto Legislativo Regional nº. 6/96/M, de 25 de Junho) “coincide com o tempo universal coordenado (UTC) no período compreendido entre a 1 hora UTC do último Domingo de Outubro e a 1 hora UTC do último Domingo de Março seguinte (hora de Inverno)” e com o “UTC aumentado de sessenta minutos no período compreendido entre a 1 hora UTC do último Domingo de Março e a 1 hora UTC do último domingo de Outubro (hora de Verão)”. Significa isto que durante o Inverno vivemos com a hora correspondente ao tempo universal coordenado (dado pela distância ao meridiano de Greenwich) e no Verão vivemos com uma hora adiantada a esse mesmo tempo. Para que assim seja, no último Domingo de Março devemos adiantar os nossos relógios sessenta minutos à 1 hora UTC e no último Domingo de Outubro devemos atrasá-los sessenta minutos à 1 hora UTC. Já nos Açores, as coisas são um pouco diferentes; a distância que possuem ao meridiano de Greenwich confere-lhes 1 hora de diferença do continente, mas mesmo assim os procedimentos de alterações das horas são idênticas, só que com uma hora de diferença.
 
Tudo muito bem! Mas já agora, para quê tudo isto? Não estaríamos bem apenas com as horas correspondentes ao UTC?
A que propósito vem esta lei? Porque é que temos que atrasar ou adiantar os relógios? Afinal, para quê toda esta barafunda que nos troca as voltas e que durante os primeiros dias após a mudança nos deixa sempre confusos, sem horas certas e a apanhar valentes cagaços cada vez que olhamos para um relógio que ainda se mantém na hora antiga?
 
Muitas explicações surgem por aí, mas a versão oficial, dos que mandam nisto tudo, é que não querem que as pessoas acordem antes do sol nascer (e isto é mais aplicável aos países localizados a maiores latitudes, mais a norte, onde as horas de sol são mais escassas). Por questões económicas, mais de setenta países por todo o mundo se vêm obrigados a fazer esta alteração para andar ao ritmo da economia dos outros países, talvez os ditos mais influentes (que por sua vez, curiosamente, localizam-se em geral a maiores latitudes). Portugal é um bom exemplo disso, como andamos sempre na cauda da UE, não temos outro remédio senão seguir o resto do comboio.
 
Esta questão gera sempre muita controvérsia por todo o mundo. As pessoas vêm-se obrigadas a alterar o seu ritmo biológico e isso causa bastante transtorno, principalmente às crianças e aos idosos, que não têm tanta apetência para alterações deste tipo. Mas não acontece só com as pessoas; alguns animais que vivem em cativeiro também sofrem com a mudança, principalmente os que são usados na indústria alimentar, como a dos lacticínios, que vêm também os horários de “trabalho” a serem alterados de um dia para o outro. Não é fácil dizer a uma vaca que tem que ter o leite pronto uma hora mais cedo só porque o governo se lembrou de mudar a hora…
Há ainda uns ingleses, donos de um museu de relógios de cuco, que ficam doidos de cada vez que a hora muda. Podem imaginar o que é mudar a hora a mais de 500 relógios na sua grande parte antigos, cujos engenhos são de difícil manejo.
 
Enfim…
Mudou-se a hora e as únicas vantagens que vejo são só mesmo ter mais uma hora para dormir no dia da mudança e o facto de não ter de esperar mais uma hora pelo magnífico pôr-do-sol que se pode assistir nas Alcáçovas..
 
  
Este foi pôr-do-sol, no passado domingo, dia da mudança de hora. Esta fotografia foi tirada um pouco antes das18h.
 
Alguém tem mais alguma explicação para a mudança da hora? Alguém vê mais alguma vantagem para além destas?
 
B. Borges
publicado por alcacovas às 13:59
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4 comentários:
De AP a 31 de Outubro de 2006 às 19:14
Tenho... dormes mais uma hora quando muda para o horario de inverno e menos uma hora no horario de verão :P
Ainda se lembram quando durante uns 2 anos nao mudamos a hora n verão e tinhamos sol até às 22h?
Numa das vezes que tive em Copenhaga foi no inicio de Julho... o sol não se põe... fica sempre uma claridade...
De alcacovas a 31 de Outubro de 2006 às 19:25
Caro Bruno,
Estava à espera de um escrito menos "profundo". Na realidade não consigo topar resposta para este tratamento das horas. Talvez seja algo estimulante. Alteram-se as rotinas, estimula-se o ânimo.
Acabo mesmo por descobrir que se mudarmos a hora de 3 em 3 meses ficaremos mais dinâmicos do que os nórdicos.
Mudemos, com convicção e persistência.
Como há tanta coisa que gostariamos ver mudada, mas nada podemos fazer, deixem-nos pelo menos com a mudança da hora.
Um abraço
AC
De alcacovas a 31 de Outubro de 2006 às 20:59
Meu Caro,
Infelizmente tenho dificuldades em ver grandes vantagens com este horário de inverno. Prefiro a luz à penumbra.
Em Badajoz é uma hora mais tarde, ou seja, anoitece mais tarde. Nuestros Hermanos até nisto ficam a ganhar.
Um Abraço
António Costa da Silva
De Rafagd a 31 de Dezembro de 2007 às 16:13
Pode ser um pouco tarde demais, mas aqui no Brasil, a principal razão é colocar o horário de trabalho inteiro durante o dia, e poupar 1h de luz artificial...

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André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

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