Terça-feira, 26 de Setembro de 2006

***

O governo encomendou um estudo a um grupo liderado por Luís Fábrica, que é responsável pela Faculdade de Direito da Universidade Católica. E muito embora os números e os dados sejam assustadores, não são novidade para ninguém.

O peso do estado na nossa economia é excessivo, ou não fosse o estado a organização que em Portugal emprega mais pessoas. Logo aqui existe um sinal de preocupação. Porque é que o estado tem 737.774 funcionários e é tão ineficiente? É lógico que os funcionários públicos não são todos uma cambada de incompetentes, existe no funcionalismo público pessoas extremamente competentes e que merecem bem o ordenado que recebem. Mas pelo estado dos nossos serviços, tanto a nível central, como a nível local podemos concluir que estes são uma espécie em vias de extinção.

Mas falemos do relatório da equipa de Luís Fábrica. Um dos dados que mais me chamou a atenção e que mostra bem que algo está mal e que as coisas tem de mudar é o facto de os funcionários públicos absorverem 60% da totalidade dos impostos cobrados em Portugal. Enquanto que na Irlanda as despesas com funcionários públicos em percentagem das receitas de impostos é de 38,7% e na nossa vizinha Espanha, agora apontada como modelo a seguir por Portugal, é de cerca de 42%.

Mas o que pareceu chocar mesmo os senhores funcionários públicos foi o facto de o seu “tacho” deixar de ser para o resto da vida. Pois é meus caros acabou as longas tardes a jogar solitário, a ler revistas cor-de-rosa, etc., etc.

Se a proposta for aceite ou trabalham e desempenham bem as funções para as quais são pagos ou rua!

O novo sistema tende aproximar-se do sector privado e já não era sem tempo. Porque ninguém compreende, o porquê de que pelo o simples facto de ser funcionário do estado se tenha regras e regalias que nenhum trabalhador tem em nenhuma empresa.

A comissão faz nove propostas que a meu ver vão de todo ao encontro com as necessidades orçamentais do nosso país:

·         é indispensável e urgente suster o crescimento de efectivos e, se possível, reduzir o número de trabalhadores.

·         o esforço de redução de efectivos deve ser especialmente ponderado quanto ao pessoal auxiliar.

·         Concentrar actuação em sectores decisivos pela sua dimensão, como são a Educação e a Saúde.

·         Considerar que a redução do número de funcionários não implicará a redução de despesas se estes forem substituídos por contratação de serviços a empresas privadas. (mas eficiência dos serviços prestados iria aumentar com toda a certeza).

·         Actuar sobre os mecanismos que induzem aumentos automáticos (promoções e progressões) e o desenvolvimento da gestão por desempenho.

·         Introduzir de tectos orçamentais para aumentos salariais e para gastos com suplementos remuneratórios.

·         Aproximar as condições de trabalho ao sector privado (horários, faltas, férias).

·         Reduzir drasticamente o número de carreiras introduzindo a obrigatoriedade de fundamentação objectiva para a sua existência.

·         Criar a possibilidade de cessação de vínculos para os funcionários públicos por mau desempenho e reorganização de serviços.

 

 

Ainda há bem pouco tempo um grupo de empresários, economistas, gestores e políticos se reuniram no convento do Beato e defenderam uma redução em cerca de 200 mil funcionários públicos. Não podia estar mais de acordo.

rmgv

publicado por alcacovas às 21:54
| comentar
4 comentários:
De FilhodeAlcaçovenses a 27 de Setembro de 2006 às 10:11
Pois. O ataque continua aos trabalhadores... essa "cambada de incopetentes", como lhe chama.
Certo que as coisas não estão boas, não é atacando os trabalhadores que as coisas se resolvem. Talvez se o Socrates gastasse menos em telemovel (noticia do CM), talvez se não renovassem a frota de automoveis, jantaradas e almoçaradas... se poupasse alguma coisa.
Esse grupinho de luxo que se reuniu no convento do Beato, há muitos anos que tentam acabar com o que ainda sobra.
Trabalhadores, maladrangem, tem que trabalhar muito e ganhar pouco. Pagar taxas moderadoras e descontar para uma segurança social privada!!!
Ou então para o desemprego (de preferência sem direito a subsidio).
200 mil trabalhadores para a rua! Já viu a dimensão disso? Ou o RMGV tem uma empresa privada que aceite, pelo menos, alguns desses trabalhadores?
O 25 de Abril ficou atravessado na goela de muitos... mas esquecem que é o trabalho e o esforço dos trabalhadores que lhe dão os astronómicos lucros nas suas empresas!
Faça favor...
De David Garcia a 30 de Setembro de 2006 às 17:11
É obviamente um exagero falar numa redução de 200 mil funcionários públicos. Como dizia João César das Neves a propósito disso, o compromisso Portugal compromete-se cada vez menos. Inicialmente o principal objectivo daquele grupo de empresários era comprometer-se com medidas que estão ao seu alcance e passou a fazer aquilo que qualquer alminha faz que é dizer o que é que o governo devia fazer... ora, propostas destas é o que não falta e a única diferença é que ali são ditas por pessoas mais ou menos notáveis, sendo que os menos notáveis são cada vez mais. É pena que o Compromisso Portugal esteja a perder a sua função primordial... resta-nos esperar que para o ano se corrija este "pequeno" pormenor, sob pena da existência deixar de fazer sentido.

DJGARCIA
De rmgv a 1 de Outubro de 2006 às 18:13
Meu caro David, podemos discordar nos números que foram apresentados pelo Compromisso Portugal. Mas numa coisa penso que estamos de acordo, o nosso estado está demasiado “gordo” e têm que ser tomadas medidas urgentes para impedir que o monstro continue a crescer. Sob pena disso condenar não só as gerações futuras mas o próprio Portugal. Como deves ter reparado grande parte do artigo é dedicada a falar sobre as propostas da equipa de Luís Fabrica, para uma função pública menos pesada mas mais eficiente. Era sobre esses pontos que gostava de ouvir a tua opinião!
Um abraço
De David Garcia a 5 de Outubro de 2006 às 12:42
Sinceramente e com todo o respeito que o trabalho dos intervenientes merece, acho que as propostas não trazem nada de novo, embora, 'grosso modo', esteja de acordo com elas... No entanto, não queria deixar de frisar que há intervalo enorme entre "uma redução em cerca de 200 mil funcionários públicos" com a qual tu não poderias estar mais de acordo e a proposta da comissão de "suster o crescimento de efectivos e, se possível, reduzir o número de trabalhadores". Não sei com qual é que não podias estás mais de acordo, mas aproximo-me sem duvida muito mais da segunda. Caso contrário não sei onde é que estarias a pensar "desencantar" o dinheiro para despedir 200 mil funcionários... o aumento da divida publica, dada a situação perigosa em que nos encontramos, não me parece boa solução e a alienação das reservas de ouro do Banco de Portugal idem. Assim sendo não sei como poderia ser paga essa medida radical, mas estou disponível para ouvir o que quer tenhas a propor relativamente a isso.

DJGARCIA

Comentar post

Publicado por:

André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

Posts recentes

_

***

“Alcáçovas Vila Global”

Inauguração da obra de Re...

Recordação do nosso Blog:...

Há 6 anos atrás começou a...

Vitória

Um brinde à Arte Chocalhe...

O Fabrico de Chocalhos já...

Mostra de Doçaria de Alcá...

Arquivos

Fevereiro 2019

Outubro 2016

Agosto 2016

Fevereiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Blogs

Visitas a partir de 5/3/2006

Pesquisar neste blog