Segunda-feira, 21 de Agosto de 2006

ERMIDA DE SÃO GERALDO

Ermida de S. Geraldo De Alcáçovas

"Igreja construída pelos devotos locais em 1599, a Ermida de S. Geraldo serve nesta rota para explicar em maior pormenor a criação e recuperação dos frescos alentejanos. Isto porque, numa das paredes da capela-mor, se encontra uma instância perfeita para a exemplificação do processo de (re)descoberta : uma fi gura feminina e um prato, que se identificam com Santa Ágata - aquela a quem arrancaram os peitos - e, ao lado, numa espécie de janela, vestígios de uma pintura mais antiga, que ressuscitou quando parte do reboco da campanha mais recente caiu.

Uma pintura, na época áurea do fresco alentejano, começava por ser um cartão ou esboço, depois transposto para quadriculado, para efeitos de diminuição ou aumento do tamanho das figuras. Na maior parte dos casos, o tema era escolhido pelo encomendante, por vezes na base de pequenas gravuras, ou, na sua ausência, de uma conversa com o pintor.

Este tratava de aplicar uma primeira demão de argamassa, chamada "arriccio" (toda a terminologia é italiana), constituída por uma porção de cal por duas de areia, sempre de cima para baixo e da esquerda para a direita. Assim constituía o reboco, sobre o qual aplicava o esquema do desenho em vermelho natural, só para verificar se este se adequava ao espaço preestabelecido, processo tecnicamente designado por "sinopia". Numa segunda fase, a argamassa era preparada em proporções inversas, ou seja, duas de cal por uma de areia, segunda camada chamada "intonaco". Naturalmente, esta nova intervenção cobria o primeiro esboço, implicando um novo desenho, desta feita já com todos os detalhes incluídos.

Este processo de pintar a fresco conheceu variantes - só uma demão em muitas igrejas do Norte, por as superfícies de granito agarrarem melhor o reboco, só uma também em campanhas de sobreposição como no caso desta capela, uma vez que a antiga já funcionava como primeira demão. Foi usado em Portugal até meados do século XX (inclusive por Almada Negreiros), depois tornou-se demasiado complicado, moroso, ou simplesmente ficou fora de moda.

Os mesmos passos, mas dados em sentido inverso, servem actualmente para resgatar os frescos ao esquecimento, com a diferença de os pincéis e espátulas empregues pelos pintores originais serem substituídos pelos bisturis dos recuperadores. A Rota do Fresco do Alentejo propõe-se igualmente revitalizar a ancestral técnica de pintar a fresco e, em breve, vai ser possível aos visitantes praticarem os seus rudimentos."

Retirado de



Rota do Fresco do Alentejo - Segredos debaixo da cal

GUIAS DO LAZER 

Editado por António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 16:48
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