Terça-feira, 5 de Novembro de 2013

Recordar

Por João Paulo Godinho

A Seleção Nacional estreou-se em Mundiais em 1966 e a sua participação permanece como a mais gloriosa de sempre, com um notável 3º lugar. Os seus 17 golos na prova são agora recordados no 17º capítulo desta rubrica.

Nota 17 para a estreia de Portugal em 1966

Em 1966, a televisão a preto e branco dava conta de uma seleção de futebol que batia o pé aos melhores e fazia história jogo após jogo. Essa seleção desconhecida para o mundo era Portugal, comandada no Mundial por um Bola de Ouro chamado Eusébio.

O Campeonato do Mundo disputado em Inglaterra, considerada a pátria do futebol, apresentou uma “geração de ouro” do futebol português, construída sobre os êxitos europeus de Benfica (1961 e 1962) e Sporting (1965). Sob o cognome “Magriços”, Portugal ganhou o respeito do futebol mundial, ao terminar a prova no último lugar do pódio. Foram seis jogos repletos de emoção e 17 golos que marcaram a aventura lusitana.

Como a maioria das histórias, esta também começa pelo início. Foi no dia 13 de julho, em Old Trafford, o recinto que hoje nos habituámos a conhecer como o “Teatro dos Sonhos”, que Portugal começou a sonhar alto na prova. Perante a poderosa seleção húngara, a equipa das quinas venceu por 3-1, com golos de José Augusto (2) e Torres. O extremo do Benfica inaugurou o marcador logo no primeiro minuto e voltaria a dar vantagem à seleção aos 67’, apenas sete minutos depois do empate magiar. A conclusão desta estreia ficou guardada para o minuto 90, por Torres.

Três dias depois foi a vez da Bulgária. No mesmo estádio de Manchester, a equipa treinada pelo brasileiro Otto Glória aplicou uma vez mais a “chapa 3” e saiu vencedora por 3-0. A um primeiro autogolo de Vutsov (17’) seguiram-se os tentos de Eusébio (38’) e Torres (81’). O ‘Pantera Negra’, como seria batizado semanas mais tarde, iniciara assim a sua lenda ao segundo jogo e só pararia de marcar no jogo de despedida.

O arranque de sonho no grupo C do Mundial seria finalmente posto à prova com o campeão do Mundo, o Brasil. A viagem de Manchester para Liverpool, a cidade que deu a conhecer os Beatles, foi inspiradora para uma vitória memorável por 3-1. Vicente “secou” Pelé no ataque brasileiro e Simões e Eusébio (2) construíram os golos do triunfo. O avançado do Benfica começava a chamar as atenções na prova, mas guardaria o melhor para o jogo seguinte, nos quartos de final.

Do outro lado estava a misteriosa Coreia do Norte, protagonista de um dos maiores escândalos de sempre, após a vitória sobre a Itália na fase de grupos. E ao primeiro escândalo parecia seguir-se outro: com 25 minutos de jogo, os norte-coreanos já venciam por 3-0 e punham os jogadores portugueses a discutir entre si. Porém, Eusébio quis reescrever a história do jogo e iniciou a reviravolta ainda antes do intervalo. Quatro golos mais tarde do craque lusitano, a que se somou ainda outro de José Augusto, confirmaram uma recuperação memorável por 5-3 e a passagem às meias-finais do Mundial.

Depois de quatro jogos de festa chegou finalmente o jogo mais triste da campanha dos “Magriços”. Contra a anfitriã Inglaterra, o jogo começou a ser perdido ainda antes do apito inicial. Portugal foi obrigado a deixar Liverpool na véspera da meia-final para ir jogar a Wembley, em Londres, e no jogo foi aniquilado pela inspiração de Bobby Charlton. O internacional inglês apontou os dois golos do triunfo (2-1) inglês, de pouco valendo o tento de Eusébio nos derradeiros minutos. Portugal passava ao lado do sonho da final e o país guardava na memória a imagem de Eusébio em lágrimas.

Como todas as histórias têm de ter um fim, a Seleção encarregou-se de oferecer um “final feliz” aos portugueses. No desafio de atribuição do 3º e 4º lugar, Portugal venceu a cotada União Soviética por 2-1, com golos do inevitável Eusébio e do “Bom gigante” Torres. E assim a seleção regressou a casa com a medalha de bronze ao peito.

Para a história ficou uma epopeia de 17 golos históricos em Portugal. A produção dos “Magriços” foi distribuída pelo Bota de Ouro Eusébio (9 golos), José Augusto e Torres (3 golos), Simões (1 golo) e um autogolo do búlgaro Vutsov. O registo – com uma média próxima dos 3 golos/jogo - perdura como o melhor de sempre de Portugal em Mundiais. Podia ter sido uma prestação perfeita, mas se fosse preciso atribuir uma classificação valeria pelo menos… 17 valores.

AC

publicado por alcacovas às 12:15
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Publicado por:

André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

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