Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2013

China, revolução

 Artigo, traduzido da Net, com o título "China, revolução(Beijing, Reuters)

 

Um grupo de proeminentes académicos chineses alertou, numa corajosa carta aberta, para os riscos de uma violenta revolução no país se o governo não responder à pressão pública e não permitir as reformas políticas, congeladas desde há demasiado tempo.

Os 73 académicos, incluindo especialistas em leis, reformados e advogados reconhecidos de universidades de topo, disseram que as reformas políticas não acompanharam a rápida expansão da economia.

“Se as reformas do sistema urgentemente necessárias pela sociedade chinesa continuam frustradas e estagnadas sem progresso, então a corrupção e insatisfação na sociedade irão eclodir numa crise e a China irá, mais uma vez, perder a oportunidade de uma reforma pacífica e deslisará para a turbulência e o caos de uma revolução violenta,” escreveram eles.

A carta começou a circular na Internet no princípio deste mês, mas as referências "on line" nos media chineses foram removidas.

O governo, que desde 1949 tem sido controlado pelo Partido Comunista, precisa incentivar a democracia e a independência do aparelho judicial como aprofundar as reformas do mercado, como é dito na carta.

He Weifang, um professor de direito na Universidade de Pequim, e um dos signatários, disse è Reuters que acreditava que os pedidos eram muito moderados, mas que agora era tempo de os apresentar ao presidente Hu Jintao que estava a preparar a passagem da chefia do estado para Xi Jimping, que fora escolhido para chefiar o partido em Novembro.

“Nós chegámos a um mais uma vez a um período de mudança da chefia. O povo espera avanços contínuos no que respeita a reforma do sistema político”. Disse ele.

“ O povo chinês, incluindo intelectuais, tem vindo a discutir este assunto por algum tempo, mas pouco aconteceu. Assim penso que temos agora uma oportunidade para o pressionar mais uma vez”.  

Outros signatários, entre eles Zhang Sizhi, advogado de defesa da viúva de Mao Zedong, Jiang Qing, leader do “bando dos quatro” que deteve poder supremo durante a Revolução Cultural, 1966-76. Ela foi condenada à morte, mas com a pena suspensa, em 1981 pela morte de dezenas de milhares durante o período do caos.

Cerca de 65 académicos chineses, advogados e ativistas dos direitos humanos assinaram uma carta similar pedindo aos membros superiores do partido que revelassem os seus ativos financeiros, dizendo que este é o caminho fundamental para o fim da corrupção.

 

Diversos analistas têm vindo a procurar sinais de que os novos leaders chineses possam criar um caminho para a reforma política, quer permitindo a expressão livre na Internet, quer uma experimentação maior com as sementes da democracia ou libertando dissidentes presos.

Mas o partido, que não aceita dissidentes das suas leis e dos valores da estabilidade acima de tudo, tem até agora mostrado poucos sinais de querer desviar-se deste caminho, ainda que Xi tenha tentado um projeto mais aberto e mais “suave” do que o seu predecessor.

No entanto o próprio Xi alertou, logo após ter assumido a chefia do partido, que se a corrupção fosse deixada livre o partido arriscava mais desassossego e o colapso da sua liderança.

A carta afirmava que a democracia, o estado de direito e o respeito pelos direitos humanos eram “uma tendência global que não poderia ser parada”

“ Os últimos 100 anos de história sangrenta e violenta da China – especialmente a lição penosa e trágica da década da Revolução cultural – mostra que quando vamos contra a maré da democracia, dos direitos humanos, do estado de direito e do governo constitucional, o povo irá sofrer e a estabilidade política e social será impossível”, diz a carta.

 

 AC

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por alcacovas às 11:50
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Publicado por:

André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

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