Quinta-feira, 19 de Julho de 2012

As Crises

Artigo, da minha autoria, publicado hoje no Diário do Sul

 

"A crise, a grande, tem origem num somatório de crises que
se acumulam de há muitos anos.

Entre outras razões, que procuram explicar as origens
desta situação crítica que hoje nos destrói, há uma que está na base da maioria
dos males que nos afligem.

Não será a mais importante, mas tem que ser vista como
crucial em qualquer projeto de reabilitação da nossa sobrevivência como estado
democrático, da nossa recuperação económica e social.

A corrupção!

A Corrupção, filha do Poder, corrompe todas as
instituições, todos os partidos, toda a sociedade. As lutas pelo poder usam
muitas armas e entre elas uma é decisiva, a corrupção.

A luta política, que deveria ser orientada e dominada
pelos interesses de todos os cidadãos, ao centralizar o poder de decisão, em
maior ou menor grau, busca sempre o Poder dominando as estruturas que governam
a sociedade.

O Poder é, cada vez mais e infelizmente, centrado num
objetivo principal, o controlo do Estado, um Estado cada vez mais dominante.

E, mais perturbador, é vermos que ao longo dos anos todos
os regimes políticos, quando governantes, padeceram, em maior ou menor grau, da
mesma doença.

O Estado legisla, executa, controla, castiga, beneficia.

O Estado está presente em toda a cadeia de atividades que
determinam o progresso ou declínio da nação.

Esta concentração de todos os poderes (ou quase) gera a
corrupção, que por sua vez alimenta os atores “anónimos” da tragédia que nos
assola.

A Corrupção gera-se no Estado, seja no Governo Central ou
nos Governos locais, seja na forma de avatares, leia-se PPP, Institutos, Observatórios,
etc.

A corrupção é essencialmente uma ligação espúria entre o
Poder político, quando Estado, e ao sociedade civil.

Quando se fala em corrupção fala-se em Poder.

Já ouviram falar em corrupção entre entidades civis?

Nunca ouvi.

Na sociedade civil este tipo de crimes são roubos,
desfalques, etc.

A verdadeira corrupção é terreno privado do Poder
político em conluio com entidades privadas. Ou vice-versa.

Mais Estado, mais Poder, mais Corrupção. Do lado das
entidades privadas há que ressalvar outro Poder, crescente, avassalador: o
Poder Financeiro internacional, abrangente, apátrida, omnipotente.

Faço aqui uma pequena pausa para deixar uma pergunta que,
talvez, tenha algo (ou muito) a ver com o que estou expondo.

Sabemos que existem algumas atividades criminosas a nível
mundial que movimentam milhares de milhões, ou milhões de milhões de euros, ou
dólares, etc.

Para onde vai esse monstruoso fluxo de moedas?  

Quem é que controla quem?

Quem é que mexe e manda na Grande Finança
Internacional?                         

Porque é que temos a sensação de que os governantes de
inúmeros países, sobretudo pequenos ou médios, não têm qualquer poder sobre
este poder sem nome nem face?

Assim quanto maior o Estado, melhor. Quanto mais
corrupção melhor. Tudo se torna mais fácil.

A presa mais apetecida é a maior, aquela que concentra em
si mais poderes.

Quanto maior o Estado, quanto maior for a sua presença,
influência, quanto mais amplo for o seu controlo da sociedade civil, melhor
para o caçador.

Uma sociedade mais livre, menos dependente do Estado,
onde os poderes estejam mais diluídos é uma presa mais difícil e menos
apetecível.

Só a democracia plena, se ou quando viável, poderá fazer
frente à corrupção.

Temos já alguns, pequenos exemplos, poucos, mas notáveis."

AC

 

publicado por alcacovas às 17:08
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1 comentário:
De Mundoactual a 27 de Agosto de 2012 às 13:37
Mias um bom exemplo deste Governo CASO RTP

www.mundoactual.zip.net


Afinal António Borges não funcionou em roda livre, nas declarações que emitiu, mas foi mandatado para o efeito pelo "ministro"-zombi da tutela, Miguel Relvas [Leitor não registado] 27 Agosto 2012 - 10:46
PPC, ao insistir em manter o "ministro"-zombi Miguel Relvas está, perante os portugueses, a proceder como o "Aprendiz de Feiticeiro". Poderá desencadear consequências que, depois, já não dominará

Após as afirmações de ontem, no seu programa aos domingos à noite, de Marcelo Rebelo de Sousa, foram descobertos os motivos por que foi o "testa de ferro" António Borges e não o ministro da tutela da RTP - como deveria ter sido e seria natural - a fazer aquelas declarações bombásticas sobre o destino que o Governo anda a cozinhar para a RTP1 (a ser concessionada), RTP2 (a ser extinta), Antena 2 (a ser extinta) e Antena 3 (a ser extinta).

Foi devido À EXTREMA GRAVIDADE da declaração do destino que estava (está) envolvido e a ser, insidiosamente, preparado para a RTP1, RTP2, Antena 2 e Antena 3 que o ministro da tutela, que é o mesmo que dizer, o "ministro"-zombi Miguel Relvas, por manifesta cobardia política, encarregou o "testa de ferro" António Borges de abrir caminho a todo este sinistro processo, que será mais um prego no caixão para a já sórdida reputação do, espantosamente, (ainda) minstro Miguel Relvas.

Os portugueses perguntam-se, incrédulos, como é possível Passos Coelho teimar em manter como minstro um indivíduo, ou melhor, um oportunista baixo, rasteiro e soez, a tomar conta de uma pasta, para que, decididamente, não tem a mínima capacidade de gestão, em virtude de ter perdido toda e qualquer credibilidade junto dos portugueses, a tal ponto que tem de recorrer a freteiros, como foi o caso do dito António Borges, para, perante os portugueses, vir trazer uma notícia que atinge as raias do inconcebível, a saber :


1 - FECHAR A RTP2, QUE É AINDA A ÚNICA QUE VAI ESCAPANDO À ONDA DE TELELIXO ALIENANTE COM QUE OS PORTUGUESES SÃO INUNDADOS DIARIAMENTE NOS SEUS LARES ?

2 - FECHAR A ANTENA 2, QUE É O ÚNICO OÁSIS DE CULTURA RADIOFÓNICA EM PORTUGAL, NÂO SÓ PORQUE É A RÁDIO VOCACIONADA PARA A CHAMADA GRANDE MÚSICA, ONDE OS PORTUGUESES PODEM AINDA OUVIR AS OBRAS IMORTAIS DOS GRANDES COMPOSITORES, COMO PARA GRANDES TEMAS DE REAL E VERDADEIRO INTERESSE GERAL QUE POVOAM A SUA PROGRAMAÇÃO ?
SERÁ QUE É UM DOS OBJECTIVOS DESTE GOVERNO APROVEITAR A ONDA ACTUAL, SOB A DESCULPA ESFARRAPADA DA CAPA DA TROIKA, PARA EMBRUTECER E ALIENAR MAIS AINDA OS PORTUGUESES, ACENTUANDO A SUA JÁ GRANDE ILITERACIA, ATRAVÉS DA RETIRADA DAS ÚNICAS FONTES ONDE PODE AINDA IR BEBENDO ALGUMA CULTURA ?

3 - FECHAR A ANTENA 3, QUE É UM CORDÃO UMBILICAL PODEROSO E INDISPENSÁVEL, QUE MANTÉM LIGADOS, ATRAVÉS DE TODO O MUNDO, A DIÁSPORA DOS EMIGRANTES PORTUGUESES AO SEU PORTUGAL E ESPECIALMENTE À LÍNGUA PORTUGUESA, NOMEADAMENTE OS SEUS FILHOS, QUE ASSIM PERDERÃO DEFINITIVAMENTE A LIGAÇÃO À LÍNGUA DE CAMÕES ?


Os portugueses não são apenas máquinas de trabalho.
Têm direito a que sejam respeitados no seu direito inalienável às suas fontes de lazer, mas lazer que não seja sinónimo de alienação ou de manipulação, sendo para isso que pagam os seus impostos, pelo que não são benesses que lhes são oferecidas, mas direitos, na acepção mais estrita, além de que aquilo que é falado para as estações de rádio e televisões públicas nada ou muitíssimo pouco tem a ver com a solução para o défice público.
Com uma ressalva apenas.
A de terem de ser moralizadas, de um modo draconiano, as mordomias proibitivas e vergonhosas a que se dão a si próprios os gestores de topo da Televisão e Rádio públicas, de que é um escabroso exemplo a frota de viaturas de alta gama, à conta do dinheiro do contribuintes, que foi noticiada, assim como muitos ordenados de vários colaboradores e apresentadores, que constituem uma afronta a todos nós, portugueses.

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Publicado por:

André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

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