Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

Dá que pensar (I)

 

ETAR´s – Viana do Alentejo

 

No âmbito do Conteúdo Funcional do Técnico de Saúde Ambiental, Decreto-Lei 117/95, de 30 de Maio, na área da protecção sanitária básica e luta contra meios e agentes de transmissão de doenças, realizou-se uma visita técnica de observação de várias ETAR´s em funcionamento no Concelho de Viana do Alentejo e Alvito,  procurando aprofundar conhecimentos em relação aos sistemas e equipamentos de tratamento utilizados, bem como conhecer a qualidade final dessas águas residuais para posteriores descargas no meio hídrico.

 

Numa localidade encontrámos duas ETAR´S, uma localizada a Sul e outra localizada a Norte. 

A ETAR localizada a Sul é a mais recente, data de 2009, sendo uma ETAR compacta com funcionamento através de um Reactor Biológico(IMAGEM1). 

Estas águas residuais sofrem inicialmente um processo de remoção dos sólidos grosseiros, a gradagem,  na chamada Obra de Entrada.  

A remoção dos sólidos grosseiros tem adiversas finalidades de onde destaco a Protecção de dispositivos de transporte e tratamento a jusante,  a eliminação de sólidos grosseiros nos meios receptores, o aumento da eficiência de tratamento do sistema, pela eliminação inicial de matéria orgânica.

 

Após a passagem pela obra de entrada, as águas residuais entram no reactor biológico onde é realizado um tratamento com injecção de oxigénio através de 3 bombas (processo mecânico).  O reactor biológico tem três zonas, uma anaeróbia destinada à remoção de fósforo, uma zona aeróbia (com arejamento), para a oxidação da matéria orgânica e ainda uma zona anóxica (isenta de arejamento), sendo estas últimas zonas essenciais ao desenvolvimento de mecanismos de nitrificação/ desnitrificação, necessários à remoção do azoto.

 

De seguida, nos decantadores secundários são removidos os sólidos provenientes do tratamento biológico, obtendo-se um efluente tratado.

Relativamente às lamas acumuladas nos decantadores secundários, uma fracção é recirculada ao tratamento biológico e as outras são retiradas para um leito/tanque de secagem.

 

Sendo uma ETAR recente não deixa de apresentar grandes deficiências no tratamento do efluente que lá chega necessário a tratar. Um dos principais factos para esta afirmação surge pelo sentido em que não em alturas de elevada pluviosidade, a ETAR tem dificuldades para efectuar o tratamento total, ocorrendo, desta forma, descarga directa no meio hídrico. Pode dever-se essencialmente a um mau dimensionamento e estudo inicial da ETAR.

Por outro lado,  nesta localidade existe uma fábrica de massa de pimentão que em períodos de laboração(principalmente de Agosto a Outubro), causa grandes problemas através das suas descargas de águas residuais sem qualquer tratamento prévio.

 

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IMAGEM 1- ETAR Compacta- Tratamento através de Reactor Biológico

 

 

A ETAR, localizada a Norte da localidade é mais antiga e tem o seu tratamento por lagunagem(IMAGEM 2), apresentando 3 lagoas que realizam o tratamento necessário antes da descarga em meio hídrico.

Podemos definir o processo de lagunagem como um tratamento biológico de águas residuais baseado num desenvolvimento simbiótico de algas e bactérias à custa da degradação da matéria orgânica.

Este sistema de tratamento de baixa tecnologia constitue vantajosas alternativas aos sistemas mais tradicionais, sobretudo quando estão em jogo águas residuais de pequenos aglomerados populacionais de regiões rurais. 

 

No entanto tem alguma Sensibilidade às baixas temperaturas, necessita de grandes superfícies de terrenopara a sua implementação e é uma possivel causa de desenvolvimento de maus cheiros.

As empresas gestoras de água e as populações em geral, tem muitas vezes dificuldade em dar credibilidade a estas ETARs ecológicas. Para tal tem contribuído o insucesso de alguns destes sistemas, frequentemente devido a erros de concepção/construção e dimensionamento. 

 

 

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 IMAGEM 2- Lagoa no processo de tratamento por lagunagem

 

 

Por fim visitámos numa outra localidade uma ETAR em que o tratamento é realizado por leitos percolados. 

O moderno tanque de percolação consiste num leito permeável ao qual aderem consórcios de microrganismos, e através do qual o efluente a tratar é percolado.


Os leitos filtrantes(IMAGEM 4) podem ser muito diversos, sendo os mais correntes: cascalho, pedra calcária, tijolo partido, materiais plásticos diversos.

Após a gradagem inicial, as águas residuais seguem para um tanque(IMAGEM 3), composto por duas zonas: na zona central é realizada uma decantação das lamas e, ao redor é realizada uma digestão anaeróbia da matéria orgânica, sendo realizada uma nova gradagem improvisada à saída do tanque para o leito percolador, devido aos detritos ainda existentes e que não foram bem gradados.

 

As lamas resultantes deste processo são direccionadas para leitos/tanques de secagem para sofrer desidratação, sendo a água tratada descarregada em meio hídrico.

 

 

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IMAGEM 3- Tanque composto por duas zonas distintas

 

 

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IMAGEM 4- Leitos Filtrantes

 

Após esta visita posso concluir que existem inumeras deficiências no normal funcionamento das ETAR´S.

Os processos, por vezes, não são cumpridos na sua totalidade, grande parte do efluente não é tratado devido a um mau dimensionamento incicial da ETAR, e também pelo facto de os equipamentos se encontrarem bastante degradados, afectando, desta forma, o seu normal funcionamento.

Assim, grande parte do efluente não tratado, composto de uma grande carga de matéria orgânica, irá directamente para o meio hidrico, que devia, nos tempos actuais ser cada vez mais um assunto a debater e  motivo de grande atenção, evitando que continue a ser um risco de Saúde Pública!!!

 

Retirado do http://estagiocurricular.blogs.sapo.pt/

 

Editado por António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 18:21
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Publicado por:

André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

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