Sábado, 30 de Julho de 2011

Decisões Difíceis.

É por todos conhecida a situação crítica que o nosso país atravessa. Depois de muito tempo, em que se andou a fingir que tudo estava bem, os portugueses despertaram para parte do problema que têm que, obrigatoriamente, enfrentar. Recordo que, há algum tempo atrás, alguns daqueles que falavam da verdadeira situação da economia e da sociedade portuguesa, eram habilmente apelidados de profetas da desgraça. Agora, as velhas profecias dos Bandarras e dos Velhos do Restelo, são consideradas como afirmações normais, isto, num país (entre outros) que andou a viver muito acima das suas possibilidades.

 

Nunca percebi porque razão não se pretendeu enfrentar a realidade. Pareceu-me, mesmo, que houve um certo laxismo intencional, com o objectivo de se criar uma situação ilusória da realidade. Não foi bom para ninguém. Aliás, ajudou mesmo a agravar a situação.

 

Uma coisa é certa, as pessoas sabem que têm que fazer sacrifícios. Sabem que a situação criada é insustentável. Na prática, os portugueses optaram por saber a verdade, porque só dessa forma conseguem enfrentar a dura realidade. Acabou-se a insistente propaganda que a todos atormentava e incomodava diariamente.

 

Por isso, as decisões até agora tomadas pretendem fazer (e de uma forma exemplar) aquilo que tem que ser feito: respeitar os compromissos internacionais assumidos pelo Estado português, os quais foram sufragados por mais de 85% dos portugueses; tomar medidas difíceis de correcção da situação económica e social com que nos confrontamos. Complementarmente, torna-se fundamental, explicar muito bem aos portugueses o porquê dessas medidas e os efeitos que as mesmas podem ter. É isso que precisamente está ser feito pelo Governo em funções.

 

Há quem diga que a aceitação das medidas até agora tomadas, deve-se ao facto de o Governo se encontrar em estado de graça. Penso que não é essa a razão: Os portugueses querem mesmo é que os problemas sejam resolvidos e que o País volte a entrar na rota do desenvolvimento. Já ninguém dá estados de graça, o que se quer é governos capazes de gerir com eficácia e eficiência todas as situações que obrigatoriamente têm de resolver.

 

Como é natural ninguém gosta de tomar medidas que desagradem às pessoas. Não há nenhuma equipa governativa que tenha prazer em cortar parte do subsídio de natal, ou tenha que aumentar as tarifas dos transportes públicos. Só o fazem porque é extremamente necessário ser feito. As pessoas aceitam (apesar do impacto negativo nos orçamentos familiares), porque sabem que não existem muitas alternativas perante a conjuntura existente.

 

Há quem insista na “tecla” de culpar a União Europeia, ou na conjuntura internacional, pela situação difícil com que nos confrontamos. Não há nada de mais errado nessa afirmação, isto é, se ela for feita como sendo o mal de todos os males. É certo que uma economia pequena como a nossa está claramente condicionada aos contextos globais. Não há dúvida. Mas outra coisa é certa, não há nenhuma economia ou sociedade que resista se não criar mais riqueza do que aquilo que consome. Não é possível gastar mais do que aquilo que se recebe. Portugal, entenda-se o Estado português, as empresas, as instituições financeiras e as famílias têm gasto sucessivamente mais do que aquilo que recebem. E como é evidente, essa é uma situação claramente insustentável. Dessa forma, torna-se urgente mudar este modelo.

 

Estamos numa fase em que se torna cada vez mais importante mostrar toda a realidade, por muito penosa que ela seja. Só assim é que é possível confrontar os problemas. Esta é uma das coisas que portugueses esperam deste Governo. Que não lhes fuja à verdade. È isso que, de uma forma muito corajosa, tem vindo a ser feito.

 

Portugal tem todas as características para vencer as dificuldades existentes. Mas, para isso não basta um Governo competente e sério. Torna-se fundamental a existência de uma convergência de esforços por parte dos portugueses e das suas instituições. Mas, também necessitamos de uma oposição construtiva e responsável.

 

Acredito que é possível.

 

 

António Costa da Silva

 

Publicado no de 2011-07-28

publicado por alcacovas às 12:27
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