Sábado, 9 de Julho de 2011

Alentejo – Uma década a perder população.

Os resultados preliminares dos Censos 2011 em comparação com os Censos 2001 são alarmantes. Em apenas uma década o Alentejo perde cerca de 25.000 habitantes, ou seja, perde 4,39% da sua população. Este é, sem dúvida alguma, o principal problema da região Alentejo.

 

A região Alentejo representa sensivelmente 1/3 do território português e tem apenas cerca de 5% da população portuguesa. Apesar de muitos investimentos desenvolvidos (todos eles importantes), não tem sido possível atrair novas pessoas para este território, nem mesmo, fixar as suas gentes.

 

Esta situação agrava-se brutalmente quando analisamos os resultados dos concelhos e localidades de menor dimensão, e ainda mais, quando analisamos os concelhos do interior da região. Significa isto que, apesar da região não conseguir travar esta “sangria” populacional, torna-se cada vez mais difícil resolver este problema. É um ciclo vicioso: os mais jovens, a população em idade activa e os que têm iniciativa e força vão-se embora, deixando na região os seus parentes de idade mais avançada. A região perde fortemente com isto.

 

Falar da “fuga” dos jovens, sobretudo dos mais qualificados, para outros países é muito grave, mas torna-se mas dramático quando estes saem de regiões pobres como o Alentejo. Quando são concelhos como Mourão ou Alandroal a perderem pessoas deste grupo populacional, significa que dificilmente os vão ter de volta. Esta situação acentua fortemente o perigo de desertificação humana, nomeadamente em zonas em que a densidade demográfica já é muito baixa.

 

Efectivamente, este não é um problema novo, mas tem vindo a agravar-se sistematicamente. Significa, também, que as soluções propostas ao longo dos últimos anos não geraram os frutos desejados e esperados.

 

Na minha modesta perspectiva (e de muitas outras pessoas) este é o principal problema da região Alentejo. Então coloca-se a questão de como resolvê-lo.

 

Reconhecendo que a região apresenta uma série de vantagens comparativas em relação a outras regiões, e que tem também bons equipamentos e que oferece excelentes condições de vida para quem cá vive, então há que saber tirar proveito desses factores.

De facto, o paradigma tem que ser alterado. Torna-se urgente e obrigatório a necessidade das políticas de investimento do desenvolvimento se focarem em torno duma estratégia de competitividade.

 

Essa estratégia de competitividade significa impulsionar, através de eficientes e eficazes intervenções públicas, sejam financeiras ou administrativas, os actores e agentes económicos e sociais de forma que estes produzam a riqueza económica, de conhecimento e competência, e de valor ambiental.

 

È na potenciação destas características e nos produtos regionais de elevada qualidade, que deve assentar a estratégia de desenvolvimento regional. Para além dum sector agrícola que deve ser revigorado, temos um sector agro-industrial também bastante competitivo. Destacam-se os sectores: vitivinícola, olivícola, frutícola, corticeiro, pecuário, enchidos, queijos, entre muitos outros. Como um dos motores da economia alentejana encontramos alguns destes sectores da actividade Agro-Industrial cuja afirmação nos mercados nacionais e internacionais se têm mostrado bastante interessante.

 

O Alentejo está também associado a outros sectores bastante dinâmicos, nomeadamente no desenvolvimento de projectos turísticos de grande dimensão e de outros com cariz mais rural. A forte evolução nesta área é bastante importante nas dinâmicas criadas ao nível dos sectores da restauração, comércio e artesanato. As actividades do Turismo, muitas vezes consideradas intrinsecamente relacionadas com o Sector Agro-alimentar, podem revelar também um potencial de crescimento económico para a Região

 

Para além destes sectores destacam-se outros com forte implementação na região, nomeadamente o sector da extracção de pedra e o sector extractivo mineiro. O sector das energias renováveis tem revelado uma dinâmica muito interessante. É outro sector a apostar.

 

Hoje em dia, a região tem se saber tirar proveito dos investimentos públicos já realizados, transformá-los em potenciais de desenvolvimento e que possam ser verdadeiras vantagens comparativas. Estes equipamentos devem estar fortemente vocacionados para a atracção de investimentos de iniciativa privada, capaz de gerar riqueza. Uma das melhores formas de não deixar sair as pessoas e de atrair novos residentes é criar emprego.

 

Efectivamente a região tem muitas potencialidades, quase todas elas estudadas e também reconhecidas pelo mercado. Por isso, há que aproveitar definitivamente dessas vantagens e torná-las úteis para as pessoas.

 

Efectivamente existem muitas outras áreas em que a região tem grande potencial, mas o mais importante é a capacidade de interligar todas estas áreas e fazer com que o Alentejo inverta este ciclo de perda das suas gentes.

 

António Costa da Silva

 

 

Publicado no de 2011-07-07

publicado por alcacovas às 15:00
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