Sábado, 7 de Maio de 2011

Um País Surrealista.

No mesmo dia que o Primeiro-Ministro português vem fazer a festa da negociação da dívida do Estado português com a troika, sabemos que as obras do TGV já arrancaram há alguns meses. É estranho, como é que um País que não tem dinheiro, que paga juros de uma forma exorbitante, consegue fazer obras faraónicas, sem garantias da sua viabilidade económica e financeira. Como alguém dizia “os Romanos devem estar loucos”.

 

Máquinas escavadoras, camiões de transporte de terras e um grande fosso a ser aberto numa encosta para permitir a chegada do TGV. As obras decorrem a alta velocidade entre o Parque das Nações e a Estação de Braço de Prata, bem como por boa parte da Linha do Norte em Lisboa e da Linha de Cintura, até ao Areeiro, anunciava a SIC.

 

Há algo de surrealista no meio disto tudo. Um País onde o Primeiro-Ministro vem falar dum futuro melhor para os portugueses, onde as coisas não parecem ser assim tão más, consegue continuar a desgovernar alegremente Portugal. Custa-me entender isto!

 

Um País que foi levado praticamente à banca rota por este Governo, até parece que acabou de ser salvo. Nada de mais errado nisto tudo. Será que as pessoas acreditam no lhes foi comunicado?

 

Apesar do dourar da pílula, os tempos vão ser duros para os portugueses. Os dados do FMI, UE e BCP, colocam Portugal em recessão durante mais 2 anos (-2% ao ano). Recessão significa desemprego. Significa que vamos atingir valores inimagináveis há alguns anos atrás. Estamos a falar de pessoas e não da redução de uma despesa qualquer. Muito cuidado!

 

É claro que ninguém vai falar disto!

 

Há pouco tempo tínhamos um Primeiro-Ministro que dizia que não governava com o FMI, que não necessitávamos de apoio do FMI, que as medidas do PEC 4 eram suficientes. Agora temos o mesmo chefe de Governo a dizer que afinal isto é a melhor coisa do mundo. Chama-se a isto o quê?

 

Todos lhe diziam qual o caminho, mas nunca o quis seguir. Forçou-nos a pagar juros (desde há muito tempo) dificílimos de pagar, seguiu em frente para o precipício. Forçou-nos a pedir empréstimos a entidades altamente duvidosas, mas não quis saber. Chegámos ao inevitável, negociar o melhor possível com um credor que vai estar dentro da nossa governação. É essa a nova realidade.

 

É claro que a máquina da propaganda, artificial, de plástico e manuseadora dos textos em teleponto, não vai deixar de criar inúmeras ilusões. Esta nova técnica de venda da banha da cobra, até pode resultar temporariamente, mas não vai durar para sempre.

 

Espero que a lucidez esteja na cabeça dos portugueses, que não se tentem pelos inúmeros passes de mágica que vão passar pela sua frente. Espero que os portugueses castiguem definitivamente quem nos trouxe para esta triste situação.

 

E na verdade, quem nos trouxe para esta triste e grave situação tem um rosto, chama-se José Sócrates, ainda Primeiro-Ministro de Portugal.

 

Publicado no  de 2011-05-05

 

António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 16:27
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