Quarta-feira, 16 de Março de 2011

O Ziguezaguear das Finanças Públicas

Há poucas semanas foi anunciado com pompa e circunstância uma redução do défice das contas públicas em 58,6%, fixando-se em 281,8 milhões no mês de Janeiro. Como é evidente estávamos a falar de períodos homólogos.

 

Naquele momento achei muito estranho aquele anúncio, ainda por cima logo em Janeiro. Provavelmente estava a acontecer algo de extraordinário no nosso País e não me estava a aperceber!

 

È claro! Houve logo quem me questionasse sobre os “brilhantes” resultados apresentados. Apenas fiz um pequeno comentário: vamos esperar meia dúzia de dias para confirmar que os resultados devem ser totalmente ao contrário e que poderia haver algo escondido naquela informação. Para ser realista, estava plenamente convencido que até poderiam existir algumas justificações pontuais para aquela questão (aumento das vendas dos carros em finais de 2011 devido à alteração do IVA, compras de Natal, etc), mas era uma perda de tempo estar a explicar o que não podia ser explicado.

 

Ainda assim, pareceu-me estranho, alguns responsáveis políticos tentarem justificar aqueles dados. Uns referiam que aqueles valores foram realizados à custa dos trabalhadores, outros que era devido ao aumento de impostos e de receitas extraordinárias, outros devido às custas da destruição da classe média.....Perda de tempo tentar justificar o que não pode ser justificado.

 

Não é necessário ser Zandinga para adivinhar o que se passaria de seguida. Tudo foi claramente explicado e afinal só mesmo a Alice vive no País das Maravilhas.

 

Recentemente, foi anunciado pelo Governo Português (antes da visita à Chanceler Merkel) que poderão ser necessárias medidas restritivas extraordinárias, caso não se estejam a atingir os valores estimados do défice e das contas públicas. Algumas leituras podem ser feitas sobre este anúncio: Por um lado, existe uma grande incerteza por parte do Estado Português em atingir as metas económicas e financeiras propostas no Orçamento de Estado para 2011. Por outro, pretenderam enviar um “recado” para a Sra. Merkel e União Europeia, dando a entender que Portugal está a fazer um esforço enorme para cumprir os referidos objectivos, mas necessita urgentemente de uma ajuda financeira muito forte.

 

Todas estas informações são paradoxais. Aparentemente, o Governo português quer mostrar que está a conseguir obter resultados “muito positivos” no que respeita às contas públicas (apesar de já ter sido demonstrado que não é isso que está acontecer). Ao mesmo tempo, os nossos governantes conseguem desmentir-se a si próprios, dando a conhecer a impossibilidade de se cumprir as metas propostas. De outra forma, até podem conseguir atingir as metas, mas terão que “rasgar” imediatamente um orçamento de Estado que apenas tem dois meses de vida.

 

Estas apresentações “exploratórias e experimentais” significam que os portugueses vão ter que “apertar ainda mais o cinto”, mas com uma agravante, estas informações contraditórias nada ajudam a estabilizar os mercados financeiros. Quem financia este País vai acreditar no quê? O aumento da desconfiança é uma certeza!

 

Então o que é que vai acontecer? Com mais medidas restritivas, vamos ter menos rendimento disponível, logo menos consumo. Como vai haver menos consumo, vamos ter menos investimento. Menos investimento significa menos emprego. Pior não pode ser.

 

Significa precisamente que estamos a fazer tudo ao contrário, ou seja, somos conduzidos para um beco sem saída, onde apenas vai perdurar uma recessão sem limites.

 

Depois!? Só um milagre nos salvará!

 

António Costa da Silva

 

Publicado no do dia 10/03/2011

publicado por alcacovas às 23:49
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