Quinta-feira, 13 de Julho de 2006

TRATADO DAS ALCÁÇOVAS

Tem sido apresentado durante esta semana, no Canal História na TV Cabo, um programa sobre o Tratado de Tordesilhas. Naturalmente, o Tratado das Alcáçovas é várias vezes referido.

 

É explicada toda a evolução na passagem de um tratado para o outro, como tudo foi negociado entre as Cortes (neste caso entre D. João II de Portugal e os Reis Católicos de Espanha - Rainha Isabel a Católica e D. Fernando de Aragão).

 

O Documentário é apresentado de uma forma muito interessante, onde intervêm historiadores portugueses e espanhóis.

 

É muito importante conhecer bem o tratado das Alcáçovas. Porque para além de ser um dos primeiros tratados de paz da humanidade, é um reflexo da evolução de Portugal naquele período tão importante na nossa história.

 

Infelizmente está muito mal tratado nas nossas cartilhas escolares, normalmente apenas aparece citado num tímido parágrafo.

 

Por outro lado, a este importante Tratado está associado o Paço dos Henriques. Temos a sorte de este se encontrar situado em Alcáçovas. No entanto, continua num estado de degenerescência bastante avançado, se fosse em Espanha isso não acontecia de certeza. Veja-se o que se passa em Tordesilhas. Através da Internet conseguimos ficar com uma ideia (Património edificado totalmente recuperado, festas medievais para os turistas, eventos diversos relacionados com a história, etc).

 

Atrás das paredes daquele Palácio foram urdidas grandes estratégias relacionadas com a epopeia dos descobrimentos e muitos segredos ainda se encontram por revelar. Só espero que um tal famigerado projecto desenvolvido pelas forças vivas do concelho e freguesia (Câmara Municipal de Viana do Alentejo, Junta de Freguesia das Alcáçovas, Associação Terras Dentro e Associação dos Amigos das Alcáçovas), onde tive a oportunidade de participar, não cai no esquecimento dalgum gabinete dos serviços públicos.

 

Nesse trabalho ficou bem claro que havia um entendimento sobre o que Alcáçovas quer para o funcionamento desse monumento (a discussão foi aberta à população).

 

Resta efectivamente pressionar para que a sua recuperação venha a ser uma realidade.

 

António Costa da Silva

 

Alcáçovas, 12 Julho de 2006

publicado por alcacovas às 16:11
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2 comentários:
De João Pereira a 14 de Julho de 2006 às 10:40
Amigo FABI
Sinceramente não gosto muito dos espanhóis. No entanto, tenho que lhe tirar o chapéu quando se fala de espirito de iniciativa e investimento.
Veja-se, por exemplo o que está a acontecer com o Alqueva, investimento reivindicado pelo nosso país há várias décadas como estruturante para o desenvolvimento do Alentejo que se esperava viesse aumentar a sua capacidade agrícola através de uma complexa rede de canais de irrigação.
Pois bem, estes objectivos prioritários estão a ser desenvolvidos pelos espanhóis através da compra de terrenos em Portugal ou aproveitando a água da barragem para fazer regadios em Espanha.
Parece que a estratégia do Governo Português é apostar no turismo, ou seja, alimentar os lobies da construção cívil com a construção de equipamentos hoteleiros que óbviamente vão poluir a bacia da barragem e destruir uma paisagem cuja beleza e mais valia reside na sua originalidade.
Teremos por isso grandes mamarrachos idênticos aos do Algarve e de outras zonas turísticas em todo o mundo, esperando de barriga untada ao sol que os turistas nos visitem.
Esquecemo-nos por exemplo que o fenómeno turístico tem altos e baixos, tem modas. O interesse nos destinos turísticos muda com frequência.
Enquanto nós esperamos turistas no Alqueva, os espanhóis aproveitam as reais capacidades da barragem e fazem agricultura de uma forma sustentada.
Como povo, sempre fomos vocacionados para "expedientes" como escolher o caminho mais fácil das coisas, investir hoje para receber amanhã, etc.. Já na época da assinatura do Tratado( Descobrimentos), quando devido à nossa localização geográfica fomos a segunda potência mundial, com as riquezas que íamos buscar à India e a África, não soubemos rentabilizar essa situação priveligiada. Nessa altura, o que de facto acontecia era que funcionávamos apenas como intermediários, ou seja, traziamos a matéria prima para a Europa (sedas, espaciarias etc.) que vendiamos para os países do centro e do Norte da Europa que, por sua vez, procediam á transformação dessas matérias primas(desenvolvendo a industria e o comércio) que depois nos vendiam por preços elevadissimos.
Passámos depois a viver de expedientes de escravatura de África para o Brasil, trazendo daí o ouro que conferia grande opulência aos ricos e poderosos do reino (quanto a desenvolvimento interno "nicles").
Com a independência do Brasil na segunda década do século XIX, virámo-nos para a colonização de África, processo do qual também não retirámos mais valias e que se revelaria um desatre com a Revolução de Abril.
Por último, veio a CEE e os fundos comunitários que temos esbanjado de forma desatrosa sem o devido aproveitamento para um desenvolvimento sustentado do país. Veja-se a realidade e os indicadores actuais que apontam para uma sociedade desequilibrada com a perda de poder de compra da classe média, uma classe pobre elevada e a riqueza concentrada em meia dúzia de "famílias poderosas". Por muito que nos custe, isto cheira a terceiro mundo.
Acrescento apenas mais uma preocupação. O que vamos fazer quando cair a última gota dos fundos comunitários? Quem nos acode? Teremos a sorte de aparecer qualquer outro expediente?
Temos sido um povo aventureiro e até à data temos sobrevivido. vamos confiar na nossa boa estrela e talvez na Senhora de Fátima.
Amigo FABI, desculpa aproveitar o teu comentário (muito oportuno) que também partilho, visto que considero que o Paço dos Henriques em Espanha seria um importante factor de desenvolvimento e riqueza para a localidade onde estivesse situado, para "desabafar" as minhas preocupações actuais pelo rumo que o país está a seguir.
Sabes que tudo isto funciona em cadeia e por simpatia. como podemos, por isso, exigir que os governantes olhem e acudam ao nosso património cultural, salvando imóveis de valor histórico elevado como é o Paço dos Henriques, se o desnorte da governação é tão grande que coloca em risco a organização do nosso sistema social, pilar imprescíndível à continuidade e fortalecimento do regíme democrático.
Sou português com muito orgulho, mas estou muito pessimista quanto ao futuro.
Como vou hoje de férias, despeço-me por alguns dias deste espaço e de todos os que de alguma forma participam na sua dinamização.
Um abraço
João Pereira
De Anónimo a 5 de Maio de 2012 às 15:45
se nao gostas de espanhois guarda as tuas o piniões para ti.

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André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

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