Quarta-feira, 2 de Março de 2011

O mais novo chocalheiro do país promete não deixar "morrer" ofício – Alcaçovenses em Estremoz

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O mais novo chocalheiro do país, que trabalha com o tio numa oficina em Estremoz, garante a continuidade da arte de fabricar chocalhos e da tradição da família Sim Sim, num ofício quase em vias de extinção.

Na oficina, a funcionar há mais de 100 anos, trabalham António Augusto Sim Sim, 63 anos, um dos mais antigos artesãos do Alentejo a fabricar chocalhos, e o sobrinho, Rui Sim Sim Gonçalves, 35 anos, considerado o artesão mais novo do país nesta área.

Em Estremoz, o segredo de fabricar chocalhos, usados pelos animais nas pastagens, tem permanecido na posse desta família e tem vindo a ser transmitido de geração em geração, com tio e sobrinho a darem seguimento à profissão na única oficina da cidade que se dedica a esta atividade.

Com mais de 50 anos de ofício, António Augusto explicou à Agência Lusa que começou a fazer chocalhos quando tinha 12 anos, depois de ter feito a antiga quarta classe, trabalhando com o pai, Joaquim Augusto, e o avô, Rodrigo José, com quem aprendeu a arte, na mesma oficina da qual é hoje o proprietário e onde ainda exerce a profissão.

O artesão, que herdou dos seus familiares o saber resultante de uma longa experiência, adiantou que vende os chocalhos num seu estabelecimento comercial, na oficina, em feiras tradicionais e de artesanato e ainda em alguns certames de Espanha, contando como principais clientes as empresas agrícolas do Alentejo.

“As casas agrícolas utilizam cada vez menos os chocalhos, um objeto que dura muitos anos. Por isso, a profissão está em vias de extinção”, lamentou.

Tentando contrariar esta tendência, o sobrinho, Rui Gonçalves, assegurou à Lusa que pretende dar seguimento a um ofício que começou a aprender com o seu avô, Joaquim Augusto, quando ainda andava na escola e tinha apenas sete anos, ganhando desde então o gosto pela arte.

Depois de ter exercido outras atividades, Rui dedica-se desde há seis anos a fazer chocalhos, beneficiando também do saber e da experiência do tio, com quem ganhou novos conhecimentos do ofício.

“Gosto desta arte”, garantiu Rui Gonçalves, mas reconheceu que tem “duas paixões”: o fabrico de chocalhos e o audiovisual, dedicando-se também a participar em eventos nesta segunda atividade.

Rui Gonçalves salientou que “o fabrico de chocalhos na oficina da família continua a processar-se hoje do mesmo modo que há 100 anos".

A única alteração introduzida foi o forno a gás, que serve para soldar os chocalhos, atingindo uma temperatura de cerca de mil graus”, explicou.

O artesão referiu que o forno a gás veio substituir a forja que funcionava com carvão de pedra.

A terra dos chocalhos, no Alentejo, é a vila de Alcáçovas, no concelho de Viana do Alentejo, e na origem da oficina de Estremoz esteve Rodrigo José Sim Sim, natural de Alcáçovas, avô e bisavô dos dois homens em atividade.

Nesta oficina, situada no número um do Terreiro do Loureiro, no bairro de Santiago, em Estremoz, existe para venda um vasto conjunto de chocalhos de vários tamanhos.

O chocalho é usado pelos animais nas pastagens, com o fim de se conhecer a sua localização, mas a sua utilização está a cair em desuso devido ao sistema utilizado pelos ganadeiros de limitar as zonas destinadas à pastagem com cercas aramadas.

Contudo, a venda para fins decorativos constitui uma das alternativas do negócio.

Feito em folha de ferro, o chocalho, quando está a ser produzido passa várias vezes pela mão do artesão, sendo constituído por várias peças: o corpo, o céu, a asa, os batentes e o badalo.

Os chocalhos têm várias denominações, conforme o tamanho, que pode ir desde os dois aos 50 centímetros, a forma, o timbre ou a utilização.

@SAPO c/Lusa

 

Editado por António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 19:39
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2 comentários:
De Chocalhos Pardalinho a 5 de Março de 2011 às 18:32
Assunto: V notícia datada de 2 de Março, sobre "o mais novo chocalheiro do País"
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Assunto: V notícia datada de 2 de Março, sobre "o mais novo chocalheiro do País" <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>Exmos</A> Srs <BR><BR>Acerca da notícia publicada, apraz-nos esclarecer que em Alcáçovas, na empresa Chocalhos Pardalinho, existe um Mestre Chocalheiro de 29 anos de idade, portanto mais novo do que o Sr Sim Sim, a quem conhecemos, e que nos dá a satisfação de ser um dos nossos melhores clientes. <BR><BR>Reconhecemos o contributo da empresa de Estremoz na divulgação deste produto tradicional, e manifestamos a confiança de que, no que aos Chocalhos Pardalinho diz respeito, e aos seus fundadores, Guilherme Maia e Francisco Cardoso, os seguidores da Família Maia, de Mestres Chocalheiros das Alcáçovas, esta não será uma arte para extinguir. <BR><BR>Na verdade, é uma Arte em Desenvolvimento, como o prova o investimento em curso pela Chocalhos Pardalinho, de uma nova unidade de produção, com a criação de 2 novos postos de trabalho, totalizando 4, que visa responder com maior eficiência, mantendo o cariz artesanal do produto, aos novos pedidos de Clientes de Portugal, Espanha, França e Itália. <BR><BR>Esta nova Unidade situada na Zona Industrial das Alcáçovas terá a sua Inauguração, para a qual temos os prazer de convidar a Lusa, no evento que decorrerá no próximo dia 26 de Março de 2011, pelas 15.30 horas. <BR><BR>Sem outro assunto de momento, e na expectativa de contar com a V estimada presença, <BR><BR>Apresentamos os Nossos Melhores Cumprimentos <BR><BR>Francisco Cardoso e Guilherme Maia <BR><BR>Gerentes <BR><BR>Chocalhos Pardalinho <BR>
De alcacovas a 5 de Março de 2011 às 19:53
A notícia vinha na Agência Lusa.
Achei curiosa e de certa forma associada ás ALcáçovas.
Abraço
António Costa da Silva

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Publicado por:

André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

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