Sábado, 26 de Fevereiro de 2011

Notícias tristes numa sociedade empobrecida.

Foi muito badalada na semana passada uma notícia sobre a descoberta do corpo de uma senhora octogenária que se encontrava desaparecida há nove anos que residia na Rinchoa, Sintra.

 

A idosa foi encontrada depois de o apartamento ter sido vendido num leilão das Finanças e a nova proprietária ter entrado pela primeira vez na casa.

 

Na mesma semana, coincidência ou não, foram encontradas mais duas pessoas mortas nas suas residências.

 

Estas notícias são extremamente preocupantes. Na realidade, a existência destas situações demonstram claramente o mau caminho que a nossa sociedade segue. É verdade que em períodos de crise estas situações são mais susceptíveis de acontecer, mas não há nada que o desculpe.

 

Procurar desculpar todos os males com o Estado parece-me que é um erro grave. È inadmissível estas situações acontecerem. Demonstram a indiferença com que os seres humanos se relacionam e se tratam, porque ninguém quer saber do outro. O materialismo absoluto apoderou-se totalmente dos seres humanos, é essa a nossa triste realidade.

 

As famílias são altamente responsáveis pelo abandono dos seus idosos. Os velhos passaram a ser empecilhos nesta sociedade apressada e ansiosa de consumo. Os velhos são tratados como se não existissem. O ensinamento dos mais velhos (mayores, como dizem os espanhóis) já pouco interessa nesta sociedade do conhecimento e da tecnologia. A família na sua plenitude já pouco importa. Importa sim, oferecer tudo aos filhos, custe o que custar. Interessa sim, ter tudo o que nos apetecer, dê por onde der.

 

Vivemos numa sociedade em crise, onde os valores rareiam cada vez mais. Custa-me compreender como é que sociedades com baixos níveis de riqueza conseguem ter um respeito maior pelos mais velhos do que as sociedades mais ricas. Talvez seja por isso mesmo, as sociedades mais abastadas estão a valorizar apenas o que não é essencial.

 

È claro que a violência destas notícias são o despertar duma realidade que todos conhecem perfeitamente, nessa mesma sociedade onde se convive diariamente com a maior das indiferenças. Notícias destas abundam permanentemente nos noticiários, cruzando com o silêncio e sentença das pessoas. Passam em horários nobres, ao mesmo tempo que se levantam os olhares indiferentes da ração diária. É triste mas é mesmo assim.

 

Quem sabe se esta crise financeira serve de despertar para as questões fundamentais da vida. Será que a nossa sociedade tem vontade de mudar?

 

Se não for assim, também teremos o destino marcado: Encontrados pelas Finanças.

 

António Costa da Silva

 

Publicado no do dia 24 de Fevereiro de 2011

publicado por alcacovas às 11:30
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André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

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