Sábado, 5 de Fevereiro de 2011

A Face Oculta do Desemprego

De acordo com o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) estão inscritos na categoria de desempregados, nos Centros de Emprego do Continente e Regiões Autónomas, cerca de 600.000 pessoas.

 

Também, segundo outro organismo oficial, o Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de desempregados há muito que passou a barreira das 600 mil pessoas, sendo este o valor mais alto desde que há registo, Estes números per si são altamente preocupantes, isto porque indicam que cerca de 11% da população activa portuguesa se encontra sem emprego. Estamos a falar de dados oficiais apresentados por 2 organismos da administração central.

 

Estes números são mais dramáticos sobretudo porque incidem muito expressivamente na população jovem em idade activa (menos de 25 anos) e nos desempregados de longa duração. Significa que para além da falta de expectativas, vai aumentando um clima de medo, de desconfiança e descrença no futuro. Os que ainda têm força e iniciativa são forçados a sair do País. É este o cenário com que nos vamos confrontando cada vez mais.

 

Na verdade, estes números não reflectem a realidade do desemprego português, o que torna esta situação mais angustiante e preocupante. São milhares de desempregados que não contam para os números do desemprego. Existem milhares de pessoas a frequentar acções de formação pagas pelo Fundo Social Europeu (FSE), através do Programa Operacional do Potencial Humano (POPH). São milhares e milhares de pessoas a frequentar acções de longa duração para completarem os 9º e 12º anos de escolaridade. São muitos os desempregados a frequentar inúmeros programas financiados por este fundo comunitário. Estatisticamente estas pessoas não contam oficialmente como desempregados.

 

Apesar de frequentemente se mostrar orgulhosamente a forte execução deste Programa Operacional (POPH), não é menos verdade que existe uma permanente tentativa de “ocultação” da quantidade de pessoas envolvidas neste programa. Dizem-nos quanto é que foi gasto, mas a habilidosa máquina da propaganda que nós conhecemos muito bem, raramente nos diz quantas são as pessoas desempregadas que se encontram a beneficiar do programa em causa. Não contam para o desemprego, é verdade. Mas estamos a falar de desempregados, também é verdade.

 

Uma das últimas técnicas ou estratégia utilizada para a eliminação de inscritos como desempregados nos Centros de Emprego é a do cansaço. É solicitado de uma forma insistente e persistente às pessoas que se encontram desempregadas, que se desloquem aos Centros de Empregos ou respectivas delegações para comprovarem a sua situação perante o emprego. Nas primeiras visitas as pessoas ainda comparecem, isto porque ainda têm algumas expectativas quanto a eventuais ofertas de emprego. Depois, começa a ser uma repetição da entrevista anterior, as pessoas deslocam-se e não se passa nada, a não ser para comprovarem que ainda estão desempregadas.

 

É claro, perante este cenário em que nada acontece, as pessoas fartam-se de gastar dinheiro nestas inúteis deslocações e aborrecem-se. Aborrecem-se e não voltam mais. Como deixam de comparecer nos Centros de Emprego, então são retirados dos números oficiais e passam a deixar de contar como desempregados (estatísticos).

 

Significa que os dados oficiais são apenas números. São números insensíveis de uma enorme realidade cada vez maior. Combater este flagelo do desemprego deve ser a nossa maior prioridade. Varrer o desemprego para debaixo do tapete, é esconder uma situação emergente que tem que forçosamente ser resolvida. Temos que resolver urgentemente este problema.

 

Se não for assim, vamos pagar cara a nossa indiferença.

 

 

Publicado no  de 03-02-2011



 

António Costa da Silva

publicado por alcacovas às 12:36
| comentar
1 comentário:
De Anónimo a 6 de Fevereiro de 2011 às 20:25
E quantos desses são falsos desempregados?
Continua a analisar os números da forma que mais lhe convém!

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Publicado por:

André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

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