Segunda-feira, 3 de Maio de 2010

O Estado e o Dinheiro

A democracia definha minada por práticas agressivas e desleixada por falta de empenho cívico.

Democracia que fenece como símbolo e garantia de liberdade. Dois grandes “poderes” vão, nas democracias europeias (e não só), minando e destruindo a liberdade, no seu sentido mais amplo e cívico. Liberdade que julgamos adquirida para sempre e que pensamos ser intocável. Mas, infelizmente, a nossa democracia é, cada vez mais, um símbolo a invocar nos discursos políticos e, cada vez menos, uma prática real nos actos e comportamentos da nossa sociedade.

Os ataques são dissimulados, de efeito lento (mas seguro). Parece-nos que nada está a mudar, mas os sintomas são já visíveis. Um ataque directo à liberdade, à democracia (como uma revolução) seria combatido. Mas uma manobra subtil e continuada pode passar desapercebida até não haver já democracia. Desaparecimento que será, seguramente, ser bem aceite por muitos. Suspeito ou temo que há cada vez mais adeptos das soluções extremas, pessoas que já não acreditam (ou nunca acreditaram) na democracia. Pessoas que perfilham e apoiam formas de centralização e autoritarismo nas mãos de uma elite “esclarecida”. Dois “poderes” perfilam-se, com bandeiras diferentes, mas com um objectivo comum: destruir a democracia e consequentemente acabar com a liberdade.

Esses poderes são o “Estado” e o “Dinheiro”. O “Estado” centralizador, o Estado que tudo domina, que cresce no número de dependentes, na prática do favoritismo, no apoio às clientelas submissas, no aumento e complexidade da burocracia, na supressão gradual das liberdades individuais, na restrição da privacidade, na penalização das críticas e dos descontentes. O “Dinheiro” acumulado por entidades difíceis de definir e, muito menos de controlar, que controlam governos e políticos, imunes à justiça dos homens e indiferentes às moralidades e conceitos da maioria dos (ingénuos) cidadãos. O “Dinheiro” de origens desconhecidas ou apenas suspeitadas. Fortunas inimagináveis, que podem dominar e minar as nossas frágeis democracias. Dinheiros com origens que se podem apontar, mas que o medo inibe denunciarem. Dinheiros gerados, multiplicados, em quantidades obscenas que geram um poder quase absoluto.

A corrupção em todos os sentidos e níveis é uma das grandes ferramentas para minar a democracia. Entre estes dois poderes que aliás convivem bem, a democracia murcha e caminha para a extinção sem quase nos apercebermos. E quando acordarmos poderá já ser tarde.

AC

publicado por alcacovas às 18:08
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Publicado por:

André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

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