Quinta-feira, 15 de Abril de 2010

As privatizações, bandeira da esquerda

Num artigo recente de Baptista - Bastos, no DN, pode ler-se o seguinte:

 

Se Sócrates quer privatizar quase tudo, Passos quer privatizar o restante. Aos poucos o Estado dissolver-se-á, a política será um anacronismo, os gestores tomarão conta de tudo e os escassos resquícios de democracia serão definitivamente apagados.”

Em poucas palavras ficamos esclarecidos. Na realidade, tudo o que é dito no artigo do Sr. B-B explica, em poucas palavras, o que a esquerda combate, o que repudia e o que defende.

Respeito, mas não concordo. E, julgo, que a história recente nos vem mostrando o quanto o Sr. B-B está errado ou, se não está errado, ainda não conseguiu demonstrar que os caminhos que ele defende são a solução dos nossos problemas.

Se privatizar é mau e precede a morte da democracia e nacionalizar é a solução para o nosso desenvolvimento social e económico porque é que:

Os estados que seguiram o caminho apontado pelo Sr. BB nunca conseguiram nem prosperidade, nem igualdade, nem democracia e foram caindo uns atrás dos outros?

Porque é que alguns dos poucos estados que ainda se chamam repúblicas socialistas estão a mudar no sentido oposto ao defendido pelo Sr. B-B?

Porque é que nessas repúblicas socialistas não há liberdade (e sem liberdade não há democracia)?

Para mim (e não estou só) o caminho não é o apontado pelo Sr. BB, por muito que estejamos descontentes.

O Estado não desaparecerá e até ficará mais forte se fizerem as privatizações anunciadas e muitas mais por anunciar. Bem pelo contrário, o Estado ficará muito mais forte moralmente e politicamente.

A promiscuidade entre o Estado (e os políticos) e outros poderes, sobretudo económicos, propicia mais corrupção, mais partidarismo (negativo), mais injustiça e enfraquece a democracia.

Um Estado que não tenha que gerir ou participar em companhias de aviação, de energias, de construção, de águas. Que não tenha que gerir empresas de comunicações, escolas ou hospitais, que não esteja permanentemente manietado, aprisionado, por funções que lhe retiram tempo, recursos e independência.

A confusão de funções no Estado é geradora de ineficiências, de injustiças, de prepotências. Um Estado que regulamenta o que depois vai gerir e depois vai julgar e castigar não funciona, não pode funcionar, nem bem, nem justamente. E, gradualmente, vai minando a democracia.

O Estado que tudo centraliza não pode ser justo nem imparcial, porque é senhor de todas as suas acções. E o poder absoluto tudo destrói, mais tarde ou mais cedo. E neste Estado os políticos deixam de ser necessários pois passarão a ser seus funcionários ou, o que dá no mesmo, serão os portadores e guardiões da ideologia dominante.

Um Estado leve, não comprometido com o “dinheiro” nem com o “poder” absoluto, terá que ter e promover verdadeiros políticos, livres e criadores, sempre atentos aos caminhos trilhados e dedicados ao debate, à discussão e à crítica das ideias e das práticas.

Um Estado que tudo detêm e tudo controla acaba sempre em ditadura, de esquerda ou de direita. O que não faz muita diferença.

Como se costuma dizer no meio é que está a virtude.

Liberalismo (liberdade) controlado. Conservadorismo sem excessos e sempre aberto a novas ideias.

Conservar o que nos serve bem, mas sempre aberto a novas ideias. Dar liberdade a todos os actores sociais, liberdade responsável, mas também indispensável.

Por vezes penso que uma das causas da queda do Estado Soviético foi a sua incapacidade para liberalizar a sociedade.

 

 

publicado por alcacovas às 22:09
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Publicado por:

André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

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