Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2005

Praça de Touros

As corridas de touros são objecto de muita discussão, por vezes acalorada. Em Alcáçovas temos muistos aficionados e também alguns opositores.
Por um lado a tradição, por outro a defesa do animal.
Julgo que há 50 anos atrás havia muito mais entusiasmo com as corridas de touros. Nesse tempo pouco, muito pouco, se falava de direitos dos animais, da crueldade com que se tratavam certos animais, como o touro.
Os tempos vão mudando e hoje a discussão é mais acalorada, mais fundamentada, quer por uns quer por outros.
Aqui na nossa terra há muitas pessoas que gostam de ver uma tourada. Estão no seu direito, ainda que eu preferisse que as touradas não fossem permitidas.
Concordo que este é um tipo de espectáculo com longas tradições locais. Que Alcáçovas é também uma terra de toureiros e de cavaleiros.
Mas para quem não gosta nem pode apoiar este tipo de "entretenimento" há sempre a esperança que as coisas mudem, sobretudo que os mais jovens deixem de ir ver touradas, transferido as suas preferências para outro tipo de actividades.
E assim chego ao assunto que quero focar neste artigo: a construção de uma praça de touros na nossa Vila.
Uma praça que vai ser construida em frente à Escola!
Em boa verdade julgo que tal construção é um erro.
Erro de localização, erro económico e erro conceptual.
Fazer uma praça de touros em frente à Escola, onde estudam e se formam os nossos filhos e os nosso netos não será um mau exemplo?
Não haveria outro local, onde a presença de tal construção e dos espectáculos que nela se irão realizar, não possa ter qualquer espécie de influência (negativa) nas nossas crianças?
Erro económico pois julgo que o investimento a fazer não contribue em nada para o desenvolvimento local. Vai criar empregos? Vai criar mais valias?
Erro conceptual, pois não acredito que o espectáculo das touradas tenha uma base de sustentação a longo prazo.
Vamos discutir o assunto. Digam o que pensam.
AC

publicado por alcacovas às 15:17
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5 comentários:
De Anónimo a 16 de Dezembro de 2005 às 01:32
O comentário mais extenso foi escrito por mim, publiquei-o sem assinar por acidente. Tentei remediar o caso com o artigo “o comentário seguinte foi enviado”, o qual também falhou dado que aparece duas vezes, mas parece que não foi bem interpretado.Francisco Mestre
</a>
(mailto:)
De Anónimo a 15 de Dezembro de 2005 às 22:09
Parece-me que o assunto "praça de touros" despertou algum interesse e comentários (4), que na modéstia do nosso blog, é animador.
Há participação, com críticas e apoios, com sugestões, com ideias.
Gostaria de saber o nome de quem fez o comentário mais extenso. Mostra conhecer o projecto, reconhece os seus pontos fortes e os fracos, defende as suas preferências, justifica-as, sem entrar em polémicas agressivas.
E a propósito digo-lhe que continuo a não gostar de touradas, que defendo o touro como qualquer outro animal, sem cair no exagero (ridículo) de defender que não deviamos matar nenhum animal (seriamos todos vegetarianos), mas penso que devemos tratar o melhor possível e respeitar os animais, mesmo na hora do seu abate.
Seria bom que esta discussão continuasse, aqui neste blog ou na nossa tertúlia.
AC

Andre Correia
</a>
(mailto:raco93@yahoo.ie)
De Anónimo a 14 de Dezembro de 2005 às 16:41
O comentário seguinte foi enviadoFranisco Mestre
</a>
(mailto:)
De Anónimo a 14 de Dezembro de 2005 às 16:37
A defesa dos animais é sempre de ter em conta, mas julgo que deveria primeiro tratar de assuntos relacionados com animais domésticos, tais como cães e gatos abandonados, esses sim provocam verdadeiros problemas, bem como os maus-tratos exercidos sobre os mesmos. Em relação ao touro, podemos dizer que qualquer animal desse tipo, que é criado para a alimentação humana, tem como fim, trágico para alguns, é, e sem rodeios, o matador. Eu interpreto esses “maus-tratos” como uma curva que o animal dá antes de chegar ao destino final. Há ainda a lembrar que estes animais, o touro bravo, se não fosse esta tradição, nem se criavam e correriam mesmo o risco de se extinguir, pois não têm grande rentabilidade em comparação com outras raças bovinas. Iriam acabar como algumas raças de cavalos portugueses, como é o caso do Sorraia, que só não estão extintos porque alguns proprietários têm consciência do seu valor, da sua importância histórica e biológica.
No que respeita ao espectáculo, só o vê quem quer, quem não gosta deverá respeitar o mesmo, bem como aqueles que o apreciam. Numa altura em que vivemos uma crise de valores e de identidade, creio que pensar em extinguir uma tradição desta é um grande erro. Mas mesmo que alguma vez se pense nisso, a tradição está de tal forma enraizada na nossa cultura que será impossível elimina-la. Aliás, devo dizer que neste momento muitos jovens são apreciadores do espectáculo e anseiam mesmo fazer parte dele.
Em relação ao nosso caso particular, devo dizer que não tenho preferência no local da construção da praça de touros, mas creio que o que está escolhido não é o mais indicado, embora sirva, isto porque se efectivamente alguma coisa for construída, o espaço envolvente não está preparado para servir de apoio a uma infra-estrutura destas. Isto porque discordo totalmente no ponto de vista do tipo de construção, penso que se devia construir um pavilhão que se adaptasse ao espectáculo, mas que desse para fazer outras coisas.
Na nossa terra não é sustentável um edifício que seja única e exclusivamente praça de touros. Eu já vi o projecto que está feito e o que se pode dizer é que se podia fazer melhor. Nesse projecto está prevista uma escola de equitação, a ideia não é má, e um conjunto de lojas para arrendar. A escola, se bem gerida, pode dar lucro e digamos que seria um bom meio de promoção da nossa terra, mas não seria o suficiente para manter os custos de manutenção de um edifício destes, em relação às lojas, remeto-me para o artigo escrito neste blog com o título “Alcáçovas e o comércio” bem como para os seus comentários. Creio que quando chegar a altura de decidir devemos olhar para o exemplo de Elvas, que no local da antiga praça de touros, construiu um novo pavilhão, redondo, o qual serve de praça de touros e de salão para grandes espectáculos, tem uma cobertura amovível, que também possibilita espectáculos durante o Inverno, isto pode dizer-se que foi um projecto bem conseguido. Se olharmos para outras terras podemos ver que de forma geral as autarquias se tentam “livrar” das velhinhas praças de touros pois estas têm grandes custos de manutenção que não compensam a realização de um ou dois espectáculos durante todo o ano entregando a sua exploração a privados. É bom pensar a longo prazo, as despesas não vão acabar quando a obra terminar, porque hoje um edifício está novo mas com o passar dos anos e com o uso o panorama começa a mudar e de entre as rosas aprecem os espinhos.

</a>
(mailto:)
De Anónimo a 8 de Dezembro de 2005 às 21:58
caro André concordo totalmente com as suas palavras. gostaria bastante de ouvir aqueles que devendem a construção da praça para ver se alguma vez tinham argumentos tão fortes como o seu (sinceramente penso que não. Um abraçormgv
</a>
(mailto:)

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Publicado por:

André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

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