Sábado, 17 de Dezembro de 2005

Presidenciais, BE

Muito se tem falado daquilo que os candidatos à Presidência dizem ou não dizem.
Entre os cinco pretendentes julgo que um se destaca pela sua capacidade e habilidade de argumentação, pela inteligência e conhecimento revelados em cada assunto que aborda.
Estou, como devem imaginar, a falar do Doutor Francisco Louçã.
Não sou adepto do BE, não perfilho a sua ideologia (?), sofri com os desmandos, com a sobranceria, com a prepotência dos antecessores do BE durante o PREC.
Não é possível esquecer, mas é-me possível aceitar hoje o BE, tentar compreender as suas razões, discutir com eles democraticamente, admitir que eles são democratas como eu.
Mas aqui surge a minha primeira grande questão. O que é a democracia para o BE?
Em 1974/75 eles não aceitavam a chamada democracia dos paises ricos, a democracia como nós a entendemos.
Qual é o conceito de democracia do Dr. FL?
Em 1974/75 eles não aceitavam os outros partidos, o mundo deles só aceitava o partido único.
E agora?
Em 1974/75 eles não aceitavam a economia privada, toda a economia era estatal.
E hoje como é que entendem a economia?
Estes são apenas alguns exemplos. Mas a questão que ponho é esta: o que é que o Dr. FL e o seu partido BE pensam em termos ideológicos? Quais são os grandes objectivos do BE para a sociedade portuguesa?
O Dr. FL fala e bem, mas não revela nada.
Ouve-se o Dr. FL e, por vezes, até nos parece ouvir um representante do centro esquerda ou mesmo centro direita, sobretudo quando nos fala de economia.
O que ouvimos é de um homem ponderado, moderado, democrata, europeista, etc.
De esquerda, admito, mas que esquerda?
O Dr. FL falou num dos debates sobre a nova esquerda que ele estaria a construir.
O que é isso ?
Uma nova via? Uma reforma? Um novo conceito?
Estará o BE à direita do PC?
Eu compreendo o PC, sei o que pretendem o PS, o PSD e o PP.
Sei com quem estou a lutar ou a apoiar, posso concordar ou criticar, mas sei qual o campo em que eles se movem.
Quanto ao BE tudo o que eu pensava deste partido parece deslocado ou falso quando ouço o Dr. FL.
O Dr. FL poderá ser um grande político, pode ter ideias miraculosas para o nosso futuro, mas não consigo ver nada, já não vejo o "BE" do PREC, nem sei o que é hoje o BE.
O Dr. FL pode ser ou não ser isto ou aquilo, mas uma coisa é certa: ele é o melhor ilusionista da política portuguesa.
Ele não faz política, faz mágicas. Diz uma coisa, que para cada um de nós tem um significado diderente. e que parece satisfazer a todos, faz-nos ver o que queremos ver.
Força-nos, habilmente, a interpretar cada palavra pelo sentido que mais nos agrada.
É um feiticeiro cujos actos mágicos nos surgem como realidades indiscutíveis.
Pelo menos até "acordarmos" do torpor em que fomos envolvidos.
O Dr. FL ou é um salvador da pátria ou um ditador cruel disfarçado de "avôsinho"?
É, simultâneamente, tentador e assustador.
Que nos anda a enganar ou a iludir não tenho dúvidas. Mas o que é que ele realmente pretende?
Espero que um dia ele nos diga, mas que não seja no dia (hipotético) da sua subida ao poder, o que é que realmente pensa.
AC
publicado por alcacovas às 15:18
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2 comentários:
De Anónimo a 21 de Dezembro de 2005 às 19:02
Caro RV,

No seu comentário elogia o FL, o que eu tambem fiz, mas com uma grande reserva:
Não sei o que é que ele pretende, o que é que ele é, em termos políticos e partidários.
Por vezes comparo a dialéctica do FL a uma espécie de amor platónico, diria mesmo duplamente platónico.
Isto é platónico na origem, o que ele diz e defende, e platónico no destino, a nossa sociedade, o nosso país.
Parece-me um feiticeiro a falar de mágica num país fantasmagórico.
Mas o importante para mim é que não sei quem é o FL, em termos ideológicos, não sei que espécie de sociedade, de sistema, ele defende para Portugal.
E daí a minha crítica: não confio nele, penso que de alguma forma nos está a enganar.
E isso é perigoso.
Olhemos um pouco para a História da Europa nos últimos 100 anos e não nos faltarão exemplos de grandes (e sombrias) personagens que arrastaram milhões para empreendimentos catastróficos.
Temos o direito e o dever de pedir aos nossos políticos que sejam mais "honestos" intelectualmente, mais esclarecedores. Bem sabemos que por tradição ou formação a maioria dos políticos são hábeis dissimuladores, génios a ocultar os seus pensamentos atrás de um discurso hipnotizador.
E nesta arte o FL é um mestre genial.
AC
Andre Correia
(http://zxzx)
(mailto:raco93@yahoo.ie)
De Anónimo a 21 de Dezembro de 2005 às 15:50
Foi um grande prazer que vi hoje publicado no “Diário de Notícias” este mesmo artigo.
Para ser sincero em parte concordo com o seu artigo, pois o FL construiu um partido a imagem dele e tem-se servido, desse mesmo partido para projectar as suas ideias e a sua imagem sendo hoje um dos políticos mais carismáticos da política portuguesa. Quanto ao período de 74/75 não posso fala, pois falaria em desconhecimento de causa, pois embora conheça a Historia de Portugal nessa altura, eu não senti na pele os acontecimentos.
Mas voltando a falar em relação ao FL, muito embora não partilhe suas ideias e ideologia política tenho que admitir que ele conseguiu fazer algo verdadeiramente histórico e inovador na política portuguesa, pois aproveitou o vazio político que existia entre o PC e PS e ai se situou indo buscar votos e apoios a esses dois partidos de esquerda. Mas não se ficou por aqui, em pouco tempo começou a ficar a frente do CDS-PP nas urnas e recentemente esta a “pisar os calos” ao PC, que era distanciadamente o terceiro maior partido português. Por estes motivos considero o FL alguém verdadeiramente genial que usando apenas a sua pessoa e o seu génio político consegue construir um partido e mantê-lo nas luzes da ribalta.
rmgv
</a>
(mailto:)

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André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

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