Segunda-feira, 31 de Outubro de 2005

Passado, Presente e Futuro

Muito se pode escrever, ou dizer sobre o futuro próximo de Portugal. Agora com o tema presidenciais na ordem do dia, não faltam opiniões e comentários dos “ditos” profissionais da crítica.
A verdade é que nós portugueses temos uma enorme tendência para nos agarrar a algo como se isso fosse a salvação de todos os nossos problemas (a luz ao fundo do túnel), essa luz em Fevereiro chamava-se José Sócrates e agora chama-se Cavaco Silva. Talvez seja esse o motivo que nos leva a ficar descontentes com uma grande facilidade pois pensamos que estas pessoas onde ser a reencarnação do Dom Sebastião, mas passado muito pouco tempo já estamos com as ruas cheias de “coitadinhos” que perderam direitos adquiridos, que como eles dizem “demoram 30 anos a ser conquistados”. Isto aconteceu com governo Sócrates e vai acontecer com o presidente Aníbal, pois os lutadores pela liberdade não se irão conformar com um presidente activo e passado muito pouco tempo teremos as rádios, os jornais as televisões cheias dos “ditos” profissionais da crítica a dizer que cavaco está a utilizar os poderes para transformar a nossa democracia no sistema presidencialista.
Isto irá acontecer tantas vezes como aquelas em que o Zé-povinho ponha a sua confiança de recuperação do nosso Portugal num determinado político, e não faça antes o contrario olhando sim qualquer político com a desconfiança que lhe é devida, depositando as mais reduzidas esperanças no desempenho de cada um. Pois o nosso país é o espelho do que foram 30 anos de políticos que foram vistos como verdadeiros salvadores da pátria e nós que ainda estamos vivos podemos provar o quanto de salvadores eles tiveram.
O nosso país continuam a ser dos menos desenvolvidos da União Europeia e isto não é tudo por culpa do Salazar, o nosso país continua a ser um dos países com a maior taxa de analfabetos da União Europeia e isto não é tudo por culpa do Salazar, o nosso país continua a ser um dos países com maior taxa de fuga ao fisco da União Europeia e isso não é tudo por culpa do Salazar.
Quando me refiro ao Salazar não é pelo facto de concordar com o que ele fez é sim pelo facto de que para muitos a culpa do atraso do nosso país era da ditadura e agora que passaram 31 anos da queda do regime o nosso país continua a estar na cauda, será ainda isto por culpa de Salazar?
O que está em causa é a necessidade enorme que o nosso país tem de pessoas não só competentes mas também com um enorme amor a nossa pátria, pois se não forem os portugueses a construirum Portugal melhor então quem será?

P.S: quando me refiro a políticos refiro-me a todos eles sem qualquer excepção desde presidentes de juntas, passando por presidentes de Câmara até aos mais altos cargos da nação, incluindo toda a escumalha que os rodeia pois o serviços que estes prestam a democracia esta passava muito bem sem eles.

rmgv
publicado por alcacovas às 15:00
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Terça-feira, 25 de Outubro de 2005

Poemas de Fernando Pessoa (IV)




Olhando o mar, sonho sem ter de quê

Olhando o mar, sonho sem ter de quê.
Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
Mas de se nada ver quanto a alma sonha!
De que me servem a verdade e a fé?

Ver claro! Quantos, que fatais erramos,
Em ruas ou em estradas ou sob ramos,
Temos esta certeza e sempre e em tudo
Sonhamos e sonhamos e sonhamos.

As árvores longínquas da floresta
Parecem, por longínquas, estar em festa.
Quanto acontece porque se não vê!
Mas do que há pouco ou não há o mesmo resta.

Se tive amores? Já não sei se os tive.
Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
E a vida morre enquanto o ser revive.

Colhes rosas? Que colhes, se hão-de ser
Motivos coloridos de morrer?
Mas colhe rosas. Porque não colhê-las
Se te agrada e tudo é deixar de o haver?

Fernando Pessoa

rmgv
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Sábado, 22 de Outubro de 2005

Cavaco e Soares (e Alegre?)!



A questão não é que vai vencer, mas sim quem levará Cavaco Silva à segunda volta. Para bem de todos os portugueses espero que seja Manuel Alegre, que para muitas pessoas não passa de um simples reaccionário, mas que se pode revelar como sendo uma terceira via onde os portugueses de todos os quadrantes políticos podem apostar. Garantindo este sim a estabilidade governativa do nosso país.
A tentativa de muitos de "passar" Alegre para segundo plano será julgada tanto na campanha como nas urnas. Pois Alegre é um resistente, um lutador que mesmo dentro do seu "Quadrado" não se encontra sozinho. Pelo facto de existirem tal como ele muitos portugueses que não se conforma e que lutarão a seu lado por um Portugal melhor. Livre dos culpados do estado actual das coisas, pois o passado não se esquece!

rmgv
publicado por alcacovas às 19:42
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Sexta-feira, 21 de Outubro de 2005

Os candidatos

Com a apresentação da candidatura de Cavaco Silva parece fechado o quadro de candidatos a Presidente da Republica.
Podem ainda ser apresentadas outras candidaturas, mas se o forem não terão grande (ou nenhum) significado.
Dos já presentes permito-me fazer uma espécie de avaliação, por grupos, orientada por "critérios" de valia perante os eleitores.

1º grupo - aqueles candidatos que não têm qualquer possibilidade de vitória, mas podem eventualmente contribuir, até decisivamente para vitória de um dos outros candidatos.
Neste grupo incluo os candidatos do PCP e do BE.
Estes candidatos têm apoios consideráveis, mas batem-se sobretudo por um aproveitamente das suas campanhas para darem enfase aos problemas que os seus partidos consideram prioritários, para atacar o Governo que consideram demasiado liberal (isto é de direita) e para tentar derrotar o candidato da Direita.
Um dos riscos (ou não) que correm é de contribuir para a derrota da Esquerda, com uma resolução na 1º volta.

2ª grupo - os candidatos com maior peso político e, aparentemente, os melhores "recipientes" para os votos da maioria dos eleitores.
Cavaco Silva e Mario Soares são a minha escolha.
O candidato Cavaco Silva vai lutar contra todos, evitando os embates pessoais, fugindo da luta partidária, colocando-se inabalavelmente numa posição "independente", focando constante e persistentemente o interesse nacinal acima de tudo. Vai ser o "candidato" de todos os portugueses.
Já Mario Soares vai ser um candidato tipo "toca todos os instrumentos", o de salvador da democracia durante o PREC, o representante genuíno da esquerda socialista e republicana, o de candidato do PS, mas também o candidato de todos os protugueses.
Hábil, inteligente, experiente...mas algo confuso, oscilando entre a frieza dos comportamentos, alguma incoerência geriátrica e algum distanciamento ou sobranceria para com os "outros".

3º grupo - os candidatos surpresa, que são Manuel Alegre e Mario Soares.
Manuel Alegre pode ser a surpresa positiva, tanto mais quanto maior for a "surpresa" que pode vir de Mário Soares.
Manuel Alegre tem visibilidade e carisma, agora beneficiados pelas atitudes dos seus camaradas, desde o amigo Soares até ao leader socialista Jorge Coelho.
Se Manuel Alegre fizer uma boa campanha, distanciando-se do que está mal e defendendo os seus ideais, mostrando a sua liberdade perante os interesses instalados e colocando-se como um servidor inabalável do que pensa ser melhor para o País.
Se Mário Soares não for capaz de explicar claramente as muitas dúvidas que tem espalhado em intervenções confusas e, até, pouco edificantes, então a surpresa confirma-se.
A surpresa de um anima a do outra mina.

Esperemos que a próxima campanha eleitoral seja mais rica e esclarecedora do que as úlltimas sofridas por todos nós.
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Quinta-feira, 20 de Outubro de 2005

Cavaco avança com a sua candidatura

O ex-primeiro-ministro Cavaco Silva anunciou hoje a sua candidatura às eleições presidenciais de 2006, que justificou com um "imperativo de consciência" e para "melhorar o clima de confiança" no país.

"Depois de uma cuidada ponderação, decidi candidatar-me à Presidência da República. Confesso que não foi uma decisão fácil.

Faço-o por um imperativo de consciência", afirmou Cavaco Silva na cerimónia de apresentação da sua candidatura, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

"Estou convencido que, se for eleito, posso contribuir para melhorar o clima de confiança e (...) vencer a situação muito difícil em que o país se encontra", acrescentou.

in lusa

rmgv
publicado por alcacovas às 21:30
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Terça-feira, 18 de Outubro de 2005

Proposta de Orçamento de Estado para 2005

Foi ontem apresentada na Assembleia da República a proposta para o Orçamento de Estado de 2006, como este é um documento muito importante que pode ser for bem aplicado contribuir para a melhoria das condições económicas e sociais portuguesas disponibilizo o saite para que todos possam consultar:

http://www.portugal.gov.pt/NR/rdonlyres/B998078C-5AB1-4B5A-827E-68CC7AF259C5/0/Apresentacao_OE_2006.pdf

rmgv
publicado por alcacovas às 21:41
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Poemas de Fernando Pessoa (III)





Hoje de manhã saí muito cedo

Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre –
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.

Alberto Caeiro

rmgv
publicado por alcacovas às 00:15
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Domingo, 16 de Outubro de 2005

Próxima Tertúlia e Reflexão sobre o Blog

Caros leitores/amigos faço-vos o desafio/convite a sugerirem assuntos para debatermos na próxima Tertúlia e para estarem presentes na mesma, a data ainda não foi definida mas com a devida antecedência serão informados.
Pois a utilidade deste blog e das nossas Tertúlias para a sociedade alcaçovense só será visível se existir da nossa parte (alcaçovenses) uma ampla participação para a construção de uma Alcáçovas melhor.
Conto com todos vós.

rmgv

publicado por alcacovas às 18:25
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Sábado, 15 de Outubro de 2005

Orçamento de Estado

Na próxima segunda-feira será apresentado na assembleia da Republica o Orçamento de Estado para o próximo ano. Contudo não podemos esquecer que este documento será certamente a primeira grande prova que José Sócrates pode dar ao país que o voto que os portugueses lhe deram nas eleições, foi mesmo um voto de confiança e que a maioria absoluta servirá, não para satisfazer os meros interesses partidários mas sim para o bem nacional. O orçamento que deveria ser entregue na sexta-feira passada e foi adiado para o limite legal de entrega do documento que é na segunda-feira, na tentativa que neste orçamento não se verifique o mesmo que no orçamento rectificativo que continha erros.
O ministro das finanças Teixeira dos Santos já fez saber ao país que a redução do défice orçamental de 6.2% para 4.8% será para cumprir, desta vez não como fez Manuela Ferreira Leite disfarçando o verdadeiro défice com receitas extraordinárias vendendo património dos Estado mas sim com uma forte contenção pelo lado da despesa.
Finalmente temos um governo que vê o que os outros nunca viram ou não quiseram ver, que este monstro que é o défice só poderá ser controlado pelo lado da despeça, controlando o Estado a despesas a realizar e retirando (e bem) benefícios a determinadas classes sociais e não pelo lado da receita pois o governo já não tem muito espaço de manobra para um novo aumento dos impostos e como se verificou no passado a consolidação orçamental recorrendo a receitas extraordinárias, mostra uma enorme falta de coragem política e um erro pelo qual todos estamos a pagar no presente.
Com este orçamento e com todas as medidas de grande coragem politica, parece que se avista uma luz ao fundo do túnel, não sendo ainda o momento mais certo para festejar, resta-nos esperar por segunda-feira, e ter fé que será desta que o nosso país entre no rumo certo.

rmgv
publicado por alcacovas às 13:16
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Quinta-feira, 13 de Outubro de 2005

Empate motiva repetição de eleições em Montoito

É um caso inédito em Portugal. Dois partidos concorrentes à Assembleia de Freguesia de Montoito empataram. O Movimento Independente do Concelho de Redondo (MICRE) obteve 151 votos. O Partido Social Democrata (PSD) obteve 151 votos.

A Comissão Geral de Apuramento bem contou os votos, mas para desespero de todos as contas estavam certas. Como esta situação é omissa na lei eleitoral, a votação terá de ser repetida em data a definir pelo Governo Civil de Évora.

De acordo com a votação de domingo passado, o Partido Socialista (PS) obteve 373 votos e quatro mandatos, a Coligação Democrática Unitária (CDU) 192 votos e dois mandatos. PS e CDU foram as duas forças poíticas mais votadas.

De acordo com a lei eleitoral, contados os votos cada força política elege os seus representantes pelo método de Hondt. Ou seja, no caso da Assembleia de Freguesia de Montoito os nove mandatos seriam distribuídos proporcionalmente pelos quatro concorrentes.

A coincidência de haver duas forças políticas com o mesmo número de votos motivou que o nono mandato não fosse atribuído, porque é impossível aplicar o método de Hondt.

Assim, o Juíz da Comarca de Redondo, após consultar a Comissão Nacional de Eleições, não homologou a votação de domingo passado e determinou que o acto eleitoral seja repetido.

Para a história das coincidências da votação em Montoito fica outro dado. Treze foi o número de votos considerados brancos e nulos.



Terça, 11 de Outubro de 2005 - 20:41

Fonte: N.A. - Jornalista : N.A.

rmgv
publicado por alcacovas às 23:47
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Terça-feira, 11 de Outubro de 2005

Rescaldo Autárquico

Passados dois dias das eleições autárquicas penso que é tempo de uma reflexão mais aprofundada dos resultados do passado dia 9. Irei publicar os resultados eleitorais destas últimas eleições e os resultados das eleições de 2001, espero a vossa opinião para que seja criado um fórum de discussão sobre este assunto.
Deixo algumas perguntas no ar:
Porque é que a população transparecia um grande descontentamento em relação a governação CDU e a mesma equipa de pessoas ganham com uma tão expressiva maioria absoluta?
O motivo do PS ter sofrido uma tão dura derrota?
Ao que se deve o facto de o PSD, mesmo tendo apostado na renovação e tendo um programa eleitoral ambicioso e muito objectivo, não vai além dos 19,1%?
Conto com a vossa opinião e com o vosso contributo na análise destes resultados.

Eleições Autárquicas 2005:

Câmara Municipal

PCP-PEV – 53.24% – 3 mandatos (incluindo o presidente)
PS – 22.86% – 1 mandato
PPD/PSD – 19.10% – 1 mandato

Junta de Freguesia de Alcáçovas

PCP-PEV – 50.23%
PPD/PSD – 32.15%
PS – 14.45%

Eleições Autárquicas 2001:

Câmara Municipal

PCP-PEV – 50.61% – 3 mandatos (incluindo o presidente)
PS – 30.27% - 2 mandatos
PPD/PSD – 14.76% - 0 andatos
CDS-PP – 0.89% - 0 mandatos

Junta de Freguesia de Alcáçovas

PCP-PEV – 53.18%
PS – 22.42%
PPD/PSD – 20.81%
CDS-PP – 1.08%

rmgv
publicado por alcacovas às 20:24
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Poemas de Fernando Pessoa (II)



Lisbon revisited (1926)

Nada me prende a nada.
Quero cinquenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja –
Definidamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.

Fecharam-me todas as portas abstractas e necessárias.
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver da rua.
Não há na travessa achada o número da porta que me deram.

Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
Até a vida só desejada me farta – até essa vida...

Compreendo a intervalos desconexos;
Escrevo por lapsos de cansaço;
E um tédio que é até do tédio arroja-me à praia.
Não sei que destino ou futuro compete à minha angústia sem leme;
Não sei que ilhas do sul impossível aguardam-me naufrago;
ou que palmares de literatura me darão ao menos um verso.

Não, não sei isto, nem outra coisa, nem coisa nenhuma...
E, no fundo do meu espírito, onde sonho o que sonhei,
Nos campos últimos da alma, onde memoro sem causa
(E o passado é uma névoa natural de lágrimas falsas),
Nas estradas e atalhos das florestas longínquas
Onde supus o meu ser,
Fogem desmantelados, últimos restos
Da ilusão final,
Os meus exércitos sonhados, derrotados sem ter sido,
As minhas cortes por existir, esfaceladas em Deus.

Outra vez te revejo,
Cidade da minha infância pavorosamente perdida...
Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui...

Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei,
E aqui tornei a voltar, e a voltar.
E aqui de novo tornei a voltar?
Ou somos todos os Eu que estive aqui ou estiveram,
Uma série de contas-entes ligados por um fio-memória,
Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim?

Outra vez te revejo,
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.

Outra vez te revejo – Lisboa e Tejo e tudo –,
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver...

Outra vez te revejo,
Sombra que passa através das sombras, e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rastro de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir...

Outra vez te revejo,
Mas, ai, a mim não me revejo!
Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim –
Um bocado de ti e de mim!...

Álvaro de Campos

rmgv
publicado por alcacovas às 01:23
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Segunda-feira, 10 de Outubro de 2005

Presidenciais

Acabadas as autárquicas preparam-se as "tropas" (políticos, jornalistas, comentadores e adivinhos) para a próxima batalha.
À esquerda alinham já 4 candidatos cheios de carisma, convictos e inabaláveis.
Alguns apresentam curricula de alto gabarito, desde feitos históricos até à feitura de poemas e outros feitos políticos de pasmar.
Mas acabada a brincadeira pela qual peço desculpa antecipada tenho que reconhecer que os 4 candidatos já confirmados são realmente pesos pesados da nossa política.
O Dr. Mário Soares é, com geral acordo, um dos grandes homens da segunda metade do século XX. É pena que venha agora pôr em risco o seu enorme prestígio ao encetar uma luta que nada acrescentará à sua imagem de lutador, de defensor da democracia.
O poeta Manuel Alegre parece-me que vem mais para defender a sua dignidade e amor próprio do que verdadeiramente para conquistar a Presidência.
Os dois leaders dos partidos mais à esquerda vêm por obrigação e devoção para com os seus partidos.
São políticos inteligentes e lutadores que enriquecerão a campanha e aproveitarão para criticar, atacar os seus adversários de hoje e de sempre. Aproveitarão para atacar o PS, directa ou por intermédia pessoa, para atacar o Governo exemplificando como o poderiam fazer se viessem a assumir a Presidência.
E atacarão a direita em geral, o bom e seguro inimigo de estimação.
E falta ainda o 5º candidato. Podem até aperecer mais candidatos, o 6º, o 7º ou o 8º. Mas o 5º é que conta.
Todos nós, o povo miudo e o povo graúdo e, sobretudo, os outros candidatos, o 1º, o 2º, o 3º e o 4º, esperam ansiosamente por ele, o 5º.
Desculpem mais este deslize para a brincadeira.
Realmente todos esperamos pela apresentação da candidatura do Prof. Cavaco Silva.
Um homem que alguns dizem não ser um "político" e portanto não poder ou não dever ser Presidente deste país.
Fala-se muito desta qualidade, inata ou adquirida, como se fosse condição primeira e indispensável para se ser Presidente.
Mas por tudo o que se vem passando há mais de 1 ano, no processo de candidatura às próximas eleições, começo a pensar que afinal o melhor político, mais frio, mais calmo, mais sagaz tem sido o Dr. Cavaco Silva.
Distante dos partidos, incluindo o seu próprio (sem renegar os seus ideais), não vai ser escolhido, nem apontado por nenhum dos partidos. Ele apresenta-se como cidadão português que quer ser o Presidente de todos nós.
Não fez consultas prévias nem sondagens no seu partido, não avançou sequer com um pezinho para apreciar as reacções.
Já confundiu muita gente, políticos hábeis e comentadores inteligentes, e até ao fim deixará ainda muitas pessoas na dúvida. Se isto não é política então o que será o Dr. Cavaco Silva?
Um vidente? Um jogador? Um humorista?
Vamos ver!

AC
publicado por alcacovas às 23:13
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Domingo, 9 de Outubro de 2005

Resultados Eleitorais

Os resultados das eleições autárquicas para o nosso concelho já são conhecidos e como se costuma dizer o povo é soberano e assim entendeu o povo do concelho de Viana do Alentejo dar o voto de confiança por mais 4 anos a CDU.
Da minha parte os meus parabéns ao Presidente Estevão Pereira e a sua equipa, desejar-lhes desde já que estes 4 anos que se avizinham sejam anos de prosperidade, crescimento e desenvolvimento para o nosso concelho.

Resultados eleitorais:
PCP-PEV 53,24%
PS 22,86%
PPD/PSD 19,10%

Penso que estes resultados eleitorais são espelho do que foi a campanha, sendo o PS castigado (pela péssima campanha que foi demagógica, vazia de projectos e distante dos cidadãos e pelo desinteresse que mostrou em vencer as eleições), perdendo um vereador para o PSD, espero que o Rui Gusmão seja melhor vereador do que candidato. O seu contributo é importante para todos nós e para que o nosso concelho se desenvolva. O resultado eleitoral do PSD é o resultado de uma campanha eleitoral muito bem conseguida com uma óptima aproximação aos cidadãos, com propostas concretas e objectivas para o melhoramento do nosso concelho, penso que para todos nós é uma mais valia ter o António Costa da Silva como vereador, acredito que o seu contributo será no sentido do melhoramento do nosso concelho e da nossa terra.
Penso que os resultados eleitorais da CDU, se devem a confiança que as pessoas depositam numa equipa que trabalha junta à 12 anos e que já deu provas de saber trabalhar, principalmente nos primeiros dois mandatos caindo neste terceiro mandado num estado de adormecimento e em manobras acima de tudo eleitorais. Tenho esperança que esta vitória com maioria absoluta não os deixe ainda mais adormecidos mas que pelo contrário ganhem dinâmica para trabalharem pelo nosso concelho.
Em minha opinião não é com maioria absoluta que o concelho sai da actual crise de estagnação e apatia, mas “o povo é que mais ordena” e assim o decidiu.

Quanto ao “ALCACOVAS” podem contar com ele não para fazer qualquer tipo de oposição ou qualquer tipo baixo de criticas destrutivas, mas sim como um blog que tem consciência dos seus deveres cívicos e que estará sempre pronto a contribuir com criticas construtivas para o progresso da nossa terra.

rmgv

publicado por alcacovas às 23:17
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Mário Soares violou Lei Eleitoral ao apelar voto João Soares


O candidato presidencial socialista, Mário Soares, violou hoje a Lei Eleitoral ao apelar ao voto no candidato PS à Câmara de Sintra no próprio dia da eleição, disse à Agência Lusa fonte da Comissão Nacional de Eleições (CNE).

Em declarações aos jornalistas após exercer o direito de voto, Mário Soares defendeu a vitória do candidato do Partido Socialista (PS) à Câmara de Sintra, João Soares.

"Toda a gente sabe que há um empate técnico e espero que se decida a favor do candidato socialista, ou seja, o João Soares", disse o ex-Presidente da República.

Segundo o porta-voz da CNE, Nuno Godinho de Matos, tais declarações "violam claramente o nº2 do artigo 177 da Lei Eleitoral para as autarquias locais, que proíbe que no dia da eleição seja feito um apelo ao voto" De acordo com o porta-voz da CNE, esta violação da lei eleitoral é punida com uma pena de prisão até seis meses ou uma multa até 60 dias.

Nuno Godinho de Matos acrescentou que "como se trata de um ilícito eleitoral de natureza criminal, é um crime da responsabilidade do Ministério Público, por isso a CNE vai dar conhecimento do caso (ao MP)".

Esta foi a segunda vez que Mário Soares violou a Lei Eleitoral.

A primeira aconteceu nas últimas eleições legislativas, a 20 de Fevereiro deste ano, Mário Soares apelou à "maioria absoluta no PS".

in: lusa

P.S: O senhor Mário Soares continua a pensar que manda no nosso país e por isso pode fazer o que muito bem entander sem ser punido! Este senhor que se julga dono do nosso país tem que ser travado e a melhor forma de o fazer é o castigo nas eleições presidênciais.

rmgv

publicado por alcacovas às 17:50
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Sábado, 8 de Outubro de 2005

"Um pequeno passo para o homem, um grande salto para a Humanidade"




Tal como Neil Armstrng quando deu este passo disse "um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade", assim faço a comparação com o resultados das eleições de amanhã e digo, que estas poderão ser mais umas simples eleições mas que podem mudar o futuro da nossa terra.

rmgv
publicado por alcacovas às 17:08
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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2005

Programas Eleitorais

Ao ler com a devida atenção os programas eleitorais deparei-me com algumas boas e más surpresas, nos programas eleitorais existe de tudo deste promessas de pura demagogia até propostas eleitorais sérias e que certamente se aplicadas levariam a nossa terra no caminho do progresso e das melhorias das condições de vida de todos os alcáçovenses. Por entender que o nosso blog deve contribuir para a discussão e reflexão sobre os assuntos da nossa terra, escrevo este artigo numa critica construtiva. Para facilitar a leitura irei dividir em dois temas:
1) Aspectos positivos dos conteúdos dos programas
2) Aspectos negativos ou menos bons do conteúdo dos programas.

1) Aspectos Positivos:

Os três partidos conhecem bem as realidades do concelho por apresentarem propostas que são cruciais para o desenvolvimento do mesmo. No caso particular do PDM os três partidos propõem uma revisão, pois sabem que é por ai que passa muito do desenvolvimento que ainda hoje é travado devido a esse mesmo PDM. A nível da cultura do desporto e de espaços para o lazer, verifica-se que existe uma preocupação comum em melhorar a actual situação, outro ponto que todos deram especial atenção é ao facto de ser necessária uma rápida recuperação do centro histórico de Alcáçovas e a necessidade de intervenção urgente no melhoramento de algumas estradas que são essenciais para o concelho.

O PSD apresenta-se com um verdadeiro programa eleitoral, muito bem construído onde consegue transmitir os seus projectos a qualquer pessoa que o leia, sendo o programa claro em que ao ler-se consegue-se entender como seriam postas em praticas as propostas eleitorais. Destaco um ponto que para mim é muito importante neste programa a organização, o rigor e a inteligência como foi agrupado o ponto referente aos assuntos económicos. Dou destaque principal a três alíneas deste ponto:
• Captação de investimento externo para o novo parque e zonas comerciais do concelho;
• Dar apoio técnico, através do GADE, não apenas como informação, mas também nos domínios dos registos e Licenciamento Industriais, (esta alínea é crucial para o desenvolvimento do concelho pois não pode ser o investimento a procurar o concelho, mas sim o concelho a procurar o investimento e essa função passa essencialmente pelo GADE)
• Criar incentivos municipais à instalação de novas e pequenas empresas;

O PS apresenta-se com o programa eleitoral mais fraco (mas isso fica para os pontos negativos), pois é pouco claro e nada explicativo, mas gostaria de destacar três pontos que eu penso serem da máxima importância e a que o programa faz referência:
• Remodelação da praça da República. Criação do posto de turismo no local, (esta proposta tem toda a lógica de o ser pois é na zona histórica que deve estar localizado o posto de turismo, pois é a zona histórica que se deslocam os turistas quando visitam a nossa terra, um subponto que eu penso ser da máxima importância, mas que não vem referenciado em nenhum dos programas é a formação das pessoas para desempenhar os cargos);
• Alteração do regulamento da atribuição de subsídios aos grupos culturais e desportivos do concelho e criação da figura do animador associativo;
• Criação do Plano Turístico Municipal.

A CDU apresenta-se com o programa mais realista de todos talvez por conhecerem a realidade actual, mas isso não invalida a que se crie uma dinâmica e exista ideias novas e projectos, pois é nos novos projectos que está o futuro, não no que já foi feito. Pois o que já foi feito contribuiu para a melhoria mas isso é passado, o que agora se quer é mais par o futuro. Mesmo por ser o mais realista é o programa da CDU que menos nos faz sonhar, mas é bom não esquecer que “O Homem Sonha, Deus Quer e A Obra nasce”.
Destaco três pontos que em minha opinião são importantes:
• Continuar a adquirir e a infra-estruturar terrenos para novos loteamentos, (a razão pela qual eu dou especial atenção a este ponto prende-se com a necessidade de fixação de pessoas jovens ao nosso concelho, pois caso contrario estar no longo prazo condenado a desertificação (que se deve também a outros factores), assim criando novos loteamentos, que depois serão vendidos em terrenos a preços muito mais baixos que o preço de mercado a câmara esta a promover a fixação não só de pessoas do concelho mas também de pessoas de Évora que possam procurar uma melhor relação preço/qualidade de vida a 30 minutos de Évora, gerando com isso que o nosso concelho se torne atractivo ao capital “externo” que irá gerar riqueza no nosso próprio concelho)
• Criar condições para a construção do parque de estacionamento junto à igreja Matriz;
• Trabalhar para a ampliação das zonas Industriais de Alcáçovas e de Viana do Alentejo, (nota-se claramente que esta é uma proposta de alguém que de facto esta dentro dos assuntos e que sabe que é urgente a ampliação das zonas industriais).


2) Aspectos Negativos:

Antes de fazer a minha análise partido a partido queria desde já expressar a minha profunda tristeza e desilusão pelo facto de o PS sendo um partido que poderia discutir a Câmara com a CDU apresentar um programa tão fraco, tão mal elaborado e com tanta falta de vontade que me leva a não conter um desabafo e a dizer isto:
Sr. Rui Gusmão como certamente sabe vivemos num país democrático, onde é permitido a que os cidadãos se possam candidatar aos lugares políticos que entenderem, mas essa mesma democracia não obriga que ninguém se candidate sem ter vontade para o fazer. O seu programa é reflexo de alguém que não tem qualquer vontade de combater e de vencer a câmara e que se candidata só porque assim tem de ser. Mas fique sabendo que o seu contributo era verdadeiramente importante e que perdeu uma boa oportunidade para o dar.
Desculpem o desabafo….
Um ponto onde eu penso que todos os partidos falharam foi no facto de não apresentarem propostas no sentido de privatizar alguns serviços que hoje são assegurados pela câmara (com uma elevada taxa de improdutividade). Em minha opinião as câmaras têm um trunfo com que podem jogar para que possam criar emprego (eficiente) e desenvolvimento em sua volta que é o facto de poderem privatizar alguns serviços, fazendo com isso que surjam novas empresas, novos postos de trabalho, enfim desenvolvimento para o concelho. As empresas substituiriam certos sectores onde o nível de descontentamento é maior (limpeza de ruas, obras públicas, manutenção dos espaços verdes), pois a realidade em que a câmara municipal é o maior empregador do concelho tem que deixar de existir, pois se isso continuar a acontecer é um entrave ao desenvolvimento e ao progresso.
As criticas que faço aos programa é o facto de existir falta de coragem para excluir propostas que se sabe que não vão ser realizadas ou que não faz qualquer lógica realiza-las mas que constam do programa só para que “todos fiquem felizes”. Penso que não é assim que as coisas devem ser feitas pois devemos estar na politica com total transparência e sendo totalmente honestos, para comos eleitores

Em relação ao programa do PSD poucas criticas tenho a apresentar até porque em cima já disse que na minha opinião é o programa mais bem elaborado e com os objectivos mais bem delineados.

Em relação ao programa do PS, esse sim tenho muitas criticas pois cai no ridículo de ser demagógico, não é aceitável! Os dois pontos seguintes são disso exemplo:
• Oferta de manuais escolares aos alunos do 1ºciclo;
• Oferta de manuais escolares aos alunos do 2º e 3º ciclos do ensino básico
• Oferta de lanches às crianças que frequentam os jardins-de-infância /creches e o centro Paroquial de Alcáçovas.

Se isto não é demagogia pura, provem-me que estou errado e digam-me como isto é possível?

Onde estão as propostas económicas propriamente ditas?
È um vergonhoso o programa do principal partido da oposição não ter propostas a nível económico para desenvolver o conselho e captar investimento!


O programa da CDU na minha opinião é muito simplesmente a continuação do projecto iniciado (esse sim inovador e com projectos) à 12 anos atrás, e ai esta o verdadeiro problema da CDU é que já esta à tantos anos no “poder” e em vistas de ficar mais quatro anos, que as pessoas que lá estão já se acostumaram demasiado ao lugar, que agora já não conseguem ter a mesma força que tiveram no mandato inicial e no segundo mandatos e que de facto foram produtivos e lançaram uma série de construções de infra-estruturas que vieram melhorar a qualidade de vida no concelho mas isso é passado o que agora importa é o futuro, e é nesse futuro que terá que existir “garra” , projectos e trabalho para a melhoria do nosso concelho.

rmgv





publicado por alcacovas às 02:40
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Quarta-feira, 5 de Outubro de 2005

Poemas de Fernando Pessoa (I)

Como entendo que não só de política vive o homem mesmo sendo esta necessária ao nosso dia a dia. Resolvi acrescentar uma rubrica semanal de poemas de um dos melhores poetas portugueses de todos os tempos, Fernando Pessoa.

Pessoa 1.jpg


D. SEBASTIÃO
Rei de Portugal

Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.

Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?

Fernando Pessoa, in Mensagem

rmgv
publicado por alcacovas às 00:52
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Terá havido um “ideal renascentista do homem?”

Durante a antiguidade prevaleceu um conceito estático do homem; as suas potencialidades eram limitadas tanto na vida social como na individual. O seu ideal apresentava limites concretos. A ideologia cristã medieval dissolveu, no sentido terreno, estes limites. O início e o final do processo histórico passaram a ser o pecado original e o Juízo Final.

Com o Renascimento surge um conceito dinâmico do homem. O indivíduo passou a ter a sua própria história de desenvolvimento pessoal e a sociedade também. A relação entre indivíduo e a realidade objetiva na qual ele está inserido se entrelaçam; o passado, o presente e o futuro transformam-se em criações humanas. O tempo e o espaço se humanizam e o infinito transforma-se numa realidade social. O Renascimento estende-se por todos os aspectos da sociedade sejam eles, políticos, econômicos, culturais, sociais, artísticos, envolvendo a vida de todos, influenciando nas maneiras de pensar, nas práticas morais, nos ideais éticos, religiosos, na ciência... Estes aspectos aparecem ligados e num mesmo período, afetando as estruturas básicas da sociedade e provocando alterações desta estrutura social e econômica.

O movimento renascentista proporcionou o primeiro ataque ao adiado processo de transição do feudalismo para o capitalismo. Foi considerado por Engels como uma “revolução”, abalando toda a estrutura econômica e social, todo um sistema de valores e maneiras de viver. Sucederam-se levantamentos sociais. Na hierarquia social, os indivíduos “de cima” e os “de baixo” mudaram rapidamente de lugar. O Renascimento surgiu entre dois sistemas sociais e econômicos mais estáveis; por um lado o feudalismo e por outro o equilíbrio entre as forças feudais e burguesas. O movimento constituiu-se, em alguns locais, como um tipo de revolução social e econômica que acabou num impasse. Na Itália, Espanha e Holanda os acontecimentos conduziram a um beco sem saída: “ao amanhecer não se sucedeu o dia”. Mesmo onde o dia amanheceu, como na Inglaterra, este dia acabou sendo problemático ao contrário do que “parecera sob a luz rosada do amanhecer”.

O Renascimento foi a aurora do capitalismo. As maneiras de viver dos homens, o desenvolvimento do conceito renascentista do homem se fundamentava no processo de que o embrião do capitalismo se desenvolveria e destruiria a relação natural entre o indivíduo e a comunidade, dissolvendo os elos naturais que ligava o homem à sua família, à sua situação social e ao seu lugar previamente definido na sociedade, abalando toda a estrutura social existente. O homem passa de agente passivo do processo histórico, à agente ativo da construção do processo. “O indivíduo torna-se capaz de aprender a sua própria história como um processo e de conceber de maneira científica a natureza com a qual forma verdadeiramente o todo, o que lhe permite dominá-la na prática”. Com o desenvolvimento das forças de produção burguesas, a estrutura social e o indivíduo nela inserido se tornaram dinâmicos. O novo modo de comportamento e a nova maneira de viver em evolução produziram sua própria ideologia, encontrando os elementos desta, parte na antiguidade e parte em certas tendências do cristianismo. Isto não significa dizer que se tratou de uma renovação da antiguidade porque, “no que respeita à relação entre indivíduo e a sociedade havia mais em comum entre a pólis grega e o sistema medieval do que entre aquela e a estrutura social da era do renascimento”.

O Renascimento proporcionou o desenvolvimento dos modos de produção da sociedade capitalista. A riqueza como objetivo, a produção pela produção, a produção como um processo interminável dissolvendo e transformando constantemente as coisas, forçou o surgimento de um novo tipo de homem, diferente do antigo e do medieval: o do homem com ser dinâmico.

A dinamicidade do homem compreende todas as concepções das relações humanas. As concepções de valor deslocam-se, a perfeição deixa de constituir uma forma absoluta, pois quando tudo está em transformação só pode existir uma constante procura pela perfeição. No campo das artes, a perfeição, ao contrário da antiguidade, deixou de ser uma norma permanente e assumiu uma forma mais ou menos transitória no processo geral de desenvolvimento, ou seja, ao terminar uma obra, a mesma já estava praticamente superada, forçando o artista a se superar na busca pela perfeição. Este dinamismo caracterizou a relação entre homem e sociedade. A condição social do ser passou a depender da sua capacidade de interpretação correta do dinamismo da sociedade, passou a depender “mais daquilo que realizei e daquilo que fiz de mim” e não devido ao seu nascimento. O homem passa a se desenvolver no seio do movimento geral da sociedade, transformando o seu próprio crescimento político, humanístico, pessoal e até mesmo profissional, numa questão individual. Criou-se uma espécie de culto do “homem que faz a si próprio”. “O primeiro símbolo deste tipo de homem que faz a si próprio é a estátua eqüestre de Guattamelata construída diante da basílica de Pádua”. O indivíduo passa a modelar o seu próprio destino, a dialética do homem e do destino transformam-se no centro do conceito dinâmico do homem.

O desenvolvimento de uma forma de produção que tinha como objetivo adquirir riquezas proporcionou a “saída do estado de limitação”. A versatilidade do homem do Renascimento decorria de dois fatores: o aparecimento da produção burguesa e ao seu nível ainda relativamente baixo. A origem desta versatilização se encontrava na expansão da produção, no desenvolvimento geral das forças produtiva na “possibilidade do desenvolvimento universal do homem” e também na expansão das necessidades como “necessidades sociais”. Com o avanço do capitalismo, o homem universalizou-se e ao mesmo tempo alienou-se. O Renascimento foi o ponto de partida para o desenvolvimento da versatilidade no sentido que a contemporaneidade lhe dá. A ideologia do renascimento era uma ideologia das classes dominantes, pois nasceu a partir do surgimento do moderno modo de produção, mas não teve, como o iluminismo, uma ideologia universal. Devido ao estado em desenvolvimento da produção e à relação entre o homem dinâmico e a sociedade, esta versatilidade poderia evoluir tanto para trás como para frente em direção a uma refeudalização, a um beco sem saída, a um retorno, mesmo que parcial ao antigo modelo de organização social.

O homem (ou a sociedade) passou a interpretar a sua relação com a natureza com o objetivo de conquistar alguma coisa desta, criando uma segunda natureza, uma natureza transformada a partir da primeira. O desenvolvimento da humanidade surge no contexto ligado a essa conquista. O sujeito homem encontrou-se face-a-face com a natureza e precisava desvendar suas leis para se desenvolver. Em relação à religião, o dinamismo do Renascentismo proporcionou ao homem a escolha da sua própria religião. “Durante o Renascimento a base social da concepção cristã do homem deixou de existir” abalando a subordinação eclesiástica. Enquanto a imagem de Cristo era descrita pelos cristãos medievais como uma divindade sofredora e libertadora, pelos renascentistas ela assume características diversas como: o Rei, o Senhor, o pensador, o plebeu de bom coração... Os homens começaram a procurar cada vez os caminhos individuais para Deus. Encontramos neste período as sementes do protestantismo. O conceito cristão medieval e tradicional do homem foi sendo substituído gradualmente pelo conceito dinâmico de homem. Isto não significa dizer que o homem renascentista era hostil à religião pelo contrário, eles próprios eram religiosos.

No interior desta sociedade dinâmica, os dois pólos extremos eram a grandeza e a pequenez do homem. Giordano Bruno fala ora da pequenez do homem, comparando com a infinitude do universo e ora fala da sua grandeza na conquista do mundo. Neste sentido, o túmulo de Júlio II e os afrescos da Capela Sistina de Michelângelo exprimem a grandeza do homem, enquanto o Juízo final simboliza a sua pequenez perante o juízo do destino. De qualquer maneira, grande ou pequeno o homem é um ser relativamente autônomo, que cria o próprio destino, luta com sua sorte e se faz a si próprio.

O que distingue nitidamente o Renascimento tanto da antiguidade como da Idade Média é o aparecimento de um sistema pluralista de valores morais (sabedoria, coragem, moderação, justiça, ética, religiosidade...), proporcionando uma dissolução do sistema medieval unitário de valores, que eram mais estáticos. Nascem novos valores em substituição dos tradicionais como: patriotismo, tolerância, tato, integridade... Maquiavel, Montaigne, Bacon e Shakespeare, expressões máximas do Renascimento, realizam uma separação do valor, do ideal e da tabela de virtudes, abrindo caminho ao desenvolvimento de uma ética onde o indivíduo era obrigado a encontrar terreno para uma ação moral numa situação em que valores e interesses tinham se tornados relativos e contraditórios.
Por todos estes motivos devendo que se o tal ideal renascentista do homem existiu, ele está a necessitar de se manifestar novamente pois a nossa sociedade necessita de um verdadeiro príodo renascentista.

rmgv
publicado por alcacovas às 00:19
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Segunda-feira, 3 de Outubro de 2005

Ainda as Autárquicas 2005

A campanha continua sem surpresas, aqui como no País.
Felizmente podemos dizer que no nosso pequeno Concelho tudo se tem processado com correcção e civismo quer dos candidatos quer dos eleitores, a população em geral.
Já quanto às actividades habituais da campanha pouco mais podemos dizer do que quase tudo é como sempre, habitual.
A habitual falta de debates, de esclarecimentos objectivos e de ideias.
Há apesar de tudo uma "diferença" que devemos assinalar: os programas de 2 partidos, aliás algo parecidos quer na estrutura, quer no conteúdo, que ´marcam uma diferença para melhor em relação a anos anteriores e em relação ao outro partido, o Ps, que apresenta um fraco programa, fraco na arrumação dos assuntos e estes muito pouco imaginativos.
É uma pena pois o PS devia, no interesse da nossa comunidade, apresentar-se com uma outra força, com uma ontribuição muito mais positiva.
Quanto aos outros dois partidos há, de facto, uma certa demelhança entre os seus programas. Até na sua estruturaçaõ comoatrás já acentuei.
Coincidência?
Não tenho resposta, mas pelo menos devemos assinalar que são programas que mostram alguma profundidade, difícil num documento deste tipo (simples, curto, fácil de apreender), e um conhecimento e empenho dos/nos problemas do Concelho.
Mas, para alem da actividades normais das campanhas volto a pensar no mesmo tópico que é o da continuidade no poder.
Muitos dos nossos autarcas, pelo País fora, manteem os seus lugares há longos anos.
A nova legislação vai limitar essa continuidade, mas os seus efeitos não são imediatos ou melhor não têm efeitos "retroactivos" e assim muitos autarcas irão juntar mais 4 anos aos seus curicula somando dezenas de anos ou por lá próximo. No nosso concelho se o vencedor das eleições for o nesmo partido que gere a Câmara há 12 anos, o total de anos no poder atingirá os 16.
Não acredito que um partido ou grupo de pessoas possa manter uma qualidade de gestão, uma capaidade de inovação, uma isenção e controlo das próprias estruturas por si criadas ao longo de tantos anos.
E esta continuidade levanta ainda um outra questão: o que é que pessoas que ficam à frente de uma Autarqui durante 12. 16 , 30 ou 30 anos vão fazser quando acabarem os seus mandatos?
Vão para a reforma, vão trabalhar numa actividade privada ou vão viver das poupanças feitas?
Talvez este seja um falso problema, mas gostaria de ouvir/ler opiniões. Haverá estudos sobre esta matéria?
Poderá este "problema" criar uma dependência tal que embote qualidades senão até princípios?
AC
publicado por alcacovas às 17:18
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Publicado por:

André Correia (AC); António Costa da Silva; Bruno Borges; Frederico Nunes de Carvalho; Luís Mendes; Ricardo Vinagre.

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